Caminhoneiros ameaçam parar contra restrições ao trânsito na BR-316

Encontro na segunda-feira (11) vai discutir medida que restringiu circulação de caminhões em dias e horários específicos na rodovia. Decreto é por conta de obras do BRT Metropolitano

Dilson Pimentel e Victor Furtado

Caminhoneiros autônomos terão uma reunião, na segunda-feira (11), com a Secretaria de Estado de Transportes (Setran) e com o Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran-PA). Os órgãos e os trabalhadores vão discutir o decreto que restringe a circulação de caminhões na BR-316. Para a categoria, a medida é prejudicial.

O encontro será na sede do Detran-PA, às 10h. A pauta de questionamentos dos caminhoneiros foi definida em uma assembleia, na tarde deste sábado (9). Os trabalhadores estão muito irritados e não descartam protestos, caso as respostas da Setran e do Detran-PA não os agradem.

Publicada no dia 1º deste mês, no Diário Oficial do Estado, a medida restringe essa circulação de 7 às 10 e de 17 às 21 horas, de segunda a sábado, em ambos os sentidos da rodovia BR-316. A regra integra um conjunto de medidas que dão apoio também às obras do BRT Metropolitano, que ligará Belém e Marituba.

Sebastião Martins, um representante da comissão de caminhoneiros, aponta que há mais de mil autônomos na Região Metropolitana de Belém. No entanto, caminhoneiros de outros segmentos e empresários com frotas e motoristas próprios, também estão se vendo prejudicados com o decreto.

"Esse decreto está prejudicando muito a categoria. E aí tem os verdureiros, os freteiros, os caçambeiros, transportadores de água e pessoal das empresas. Isso foi elaborado sem nenhum estudo e sem consultar a categoria", critica o representante dos trabalhadores, que é mais conhecido como Sabá.

Caminhoneiros e empresas questionam novos horários de trânsito na BR (Cristino Martins)

ESTRUTURA

Na opinião de Sabá, o governo não sabe informar qual o fluxo de caminhões. Também não tem estrutura de retaguarda para os caminhões ficarem na BR-316 durante os horários restritos. Há um projeto para implantar essa estrutura, mas ainda não há prazos concretos.

Sabá tem 15 anos de profissão e afirma: ao parar na rodovia federal, para cumprir o decreto, os caminhoeiros são assaltados. Ou, então, têm de pagar estacionamento para guardar seus veículos.

"Isso nos prejudica, porque só vamos começar a entregar (as mercadorias) a partir das 10h. Como é que a gente consegue render, principalmente nós, que somos autônomos?", questiona o representante da comissão de caminhoneiros.


ENGARRAFAMENTOS

Sebastião Martins também reclama dos congestionamento na BR-316, principalmente no trecho de 18 quilômetros que, agora, está sob a responsabilidade do governo estadual, por meio do Detran. O trecho vai da descida do elevado do Entrocamento, em frente ao Dnit, até a entrada de Benfica. "Quando a gente passa pela avenida Independência, demora quase uma hora por causa do trânsito", garante o caminhoneiro. 

Sabá diz que a categoria já protocou ofício no gabinete do governador, para que este cancele o decreto - e chama os caminhonheiros a debaterem o assunto. "O decreto nos pegou de surpresa", afirmou. "Está sendo terrível pra gente. A gente não quer brigar com ninguém e nem fechar rua. A gente quer dialogar e encontrar solução em conjunto, que seja para eles e para nós", acrescentou.

Protestos de caminhoneiros do ano passado: categoria sinaliza novas ações (Igor Mota)

 

 

 

 

 

 

NOVO FLUXO

Na última quarta-feira (6), em reunião na sede do Sindicato das Empresas de Logística e Transportes de Cargas no Estado do Pará (Sindicarpa), empresários tiraram dúvidas sobre os novos horários de circulação na BR-316.

Participaram do encontro representantes do Detran-PA, que falaram mais sobre o decreto publicado no Diário Oficial do Estado no dia 1°de fevereiro, regulamentando os horários da restrição do fluxo de caminhões nos primeiros 18 quilômetros da rodovia.

"A questão da restrição de veículos vai impactar bastante no setor de indústria e comércio da região metropolitana. Como nós somos prestadores de serviços, essa restrição atinge o atendimento a esses dois segmentos. É importante essa conversa com o representante do Detran para que ele possa explicar para as demais empresas de transporte como vai funcionar essa restrição, onde serão os bloqueios, onde são os bolsões pra receber esses veículos que chegarem fora de horário, para as pessoas se programarem para entregar cargas e receber matéria-prima e produtos acabados", disse o presidente do Sindicarpa, Daniel Bertolini.

Daniel ressaltou que todas as 50 empresas de transporte de cargas associadas já têm conhecimento sobre a nova medida. "Todos estão se organizando, e cada um tem a sua estratégia. Algumas empresas vão trabalhar à noite, outras irão sair de madrugada, mas é importante que seja discutido e alinhado esse processo como um todo", afirmou.

Durante o encontro, o diretor técnico operacional do Detran, Walmero Costa, apresentou o plano de obras de requalificação da BR-316 e explicou a importância do trabalho de educação e orientação quanto às mudanças no fluxo da rodovia.

"A principal função do Detran agora é dar conhecimento e orientar os profissionais da área para que o fluxo no trânsito seja realizado da melhor maneira possível, sem qualquer prejuízo para os empresários e sociedade em geral. Vamos trabalhar em parceria com o setor de transporte de cargas, com foco na educação", afirmou o representante do órgão estadual.

Belém
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