MENU

BUSCA

Verão: por que os idosos sentem menos sede? Veja os riscos e a forma correta de hidratação

A geriatra Niele Silva de Moraes, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Seção Pará (SBGG-PA), destaca a necessidade de manter o consumo de água, mesmo que não haja sede

Lívia Ximenes

Os dias quentes são presentes em Belém durante todo o ano, especialmente no verão amazônico. Em julho, apesar do calor intenso, idosos não abrem mão de manter a vida ativa com exercícios físicos e, para manter o ritmo, aumentam a hidratação e os cuidados com a pele. Devido ao envelhecimento, é natural que ocorra queda de regulação da temperatura coporal, o que exige uma atenção prioritária à saúde

A partir dos 60 anos, a diminuição na sensibilidade dos receptores cerebrais e a menor eficiência dos rins reduzem o reflexo natural da sede. Isso aumenta significativamente o risco de desidratação, que pode causar desde tonturas e quedas até confusão mental aguda. Para evitar esses quadros de saúde, a hidratação deve ser ativa e programada. A regra é simples: não espere o idoso pedir água. 

VEJA MAIS

Usinas da Paz terão colônias de férias para crianças, adolescentes e idosos durante o mês de julho
Programação gratuita une esportes, lazer, cultura, recreação e educação

Prática milenar indiana, Yoga pode auxiliar no equilíbrio físico, emocional e mental
A prática é indicada para todas as idades, sendo realizada com adaptações para idosos, gestantes e pessoas com comorbidades

Calor na Europa se intensifica e mata mais de 50; crianças e idosos não resistiram à insolação
Especialistas apontam que as ondas de calor têm se tornado mais frequentes e intensas na Europa

A médica geriatra Niele Silva de Moraes, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Seção Pará (SBGG-PA), explica que o suor, essencial para a perda de calor, ocorre em menor quantidade com o passar dos anos. “Além disso, também ocorre uma alteração na percepção da sede. Com o avançar da idade, tem uma alteração do centro da sede, e a pessoa idosa tende sentir menos sede, mas isso não significa que ela precise de menos água”, explica.

“Os principais riscos são desidratação, queda de pressão arterial, tontura, confusão mental, piora da função dos rins, maior risco de quedas, agravamento de doenças cardíacas e respiratórias, exaustão pelo calor e insolação”, alerta Niele. A médica destaca que o corpo pode responder de forma inadequada em dias mais quentes e com exposição prolongada ao sol.

Rotina e cuidados

Aos 74 anos, José Odir Macedo Santos, conhecido como Zezé do Boxe, mantém uma rotina equilibrada de atividades físicas e boa alimentação. Devido aos anos de treino ao ar livre com caminhadas, corrida e remo, ele se acostumou com o calor da capital paraense, mas não dispensa a hidratação adequada. “Não uso boné, não gosto. Beber água, eu bebo e, inclusive, eu tenho que me cobrar, porque eu tava tomando pouca água”, fala.

“Eu comecei muito novo a minha prática esportiva. Quando eu entrei na Marinha, eu comecei com a preparação física. De lá para cá, eu me acostumei com o esporte. E, se eu não fizer o esporte, eu não me sinto bem”, diz. Na manhã dessa quinta-feira (9), Zezé decidiu caminhar na Praça Batista Campos. Ele, que valoriza os exercícios físicos independente do clima, pratica boxe desde os 18 anos.

A aposentada Sandra Serrão, de 69 anos, também não abre mão de movimentar o corpo. A idosa costuma fazer aulas de Tai Chi Chuan e caminha na esteira, além de praticar teatro. Sandra lembra que, quando era mais jovem e trabalhava, não tinha tempo para participar de atividades físicas — por isso, decidiu se dedicar agora.

“Eu sempre estou me hidratando mesmo e procuro não pegar sol. Quando eu estou em casa, é a mesma coisa. Eu me hidrato e tomo suco”, conta. Ela opta por tormar água natural, por não gostar de ingerir gelada, além de sempre fazer sucos sem adição de açúcares ou adocantes. Sandra também conta que aumenta a ingestão de frutas e açaí nos dias de maior calor.

Para a pele, os cuidados de Sandra são simples e funcionais: “Eu uso protetor solar e uso creme hidratante, mas eu procuro sempre evitar o sol, até por conta da idade. Na juventude, nós não tínhamos noção disso. Eu pelo menos não. Eu ficava deitada na praia, pegando sol de 12h, que faz mal. Hoje, não. Inclusive, hoje, eu começo a alertar os jovens que não pode pegar muito sol.”

Acerca da ingestão de água, a médica geriatra ensina que não há uma quantidade única para todos, visto que algumas pessoas possuem insuficiência cardíaca, doenças renais ou orientações médicas de restrição. Entretanto, de maneira geral, o indicado é consumir, diariamente, cerca de 30 a 35 mililitros de água por cada um quilo. Por exemplo, se um idoso pesa 70 quilos, o ideal é beber 2,1 litros.

Sinais de alerta

O calor extremo é prejudicial a todos, mas em idosos os sintomas de problemas graves costumam ser mais fortes. “Quando surgem sinais como confusão mental, sonolência excessiva, desmaio, pele muito quente, febre alta, falta de ar, vômitos persistentes, convulsão, piora importante da fraqueza, redução importante da urina ou incapacidade de beber líquidos, nesses casos, é preciso procurar atendimento imediatamente”, alerta a Niele.

O uso de determinados medicamentos podem aumentar o risco de desidratação, como diuréticos, fármacos para pressão, antidepressivos, antipsicóticos, remédios para dormir, calmantes e medicações com efeito anticolinérgico, segundo a médica. Os diuréticos e fármacos para pressão são possíveis causadores, respectivamente, de maior perda de líquido e queda de pressão — enquanto os demais são capazes de reduzir a percepção de sede e provocar sonolência.

“Mas é importante reforçar: a pessoa não deve suspender nenhum medicamento por conta própria. O ideal é conversar com o médico, especialmente em períodos de calor intenso, para avaliar se é necessário ajustar doses, orientar hidratação ou acompanhar mais de perto idosos frágeis, com doença renal, insuficiência cardíaca ou que usam muitos remédios”, conclui Niele.

Mudanças climáticas

Para lidar com as mudanças climáticas e proteger os moradores da capital paraense, a Prefeitura de Belém alinhou o Plano Municipal de Enfrentamento ao Super El Niño 2026-2027 e o Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extermo. A ação age em conjunto com mais de 30 órgãos municipais, estaduais e federais. Em reunião na última terça-feira (7), foram determinadas ações para prevenir, adaptar e reduzir os riscos à população com proteção da infraestrutura urbana e fortalecimento da resiliência climática.