Passarela que apresentou risco de desabamento é retirada na avenida Júlio César
A decisão pela remoção da estrutura visa permitir uma investigação mais aprofundada das causas do problema.
A passarela localizada na avenida Júlio César, entre a Pedro Álvares Cabral e Centenário, em Belém, começou a ser retirada na noite desta terça-feira (10) após apresentar risco de desabamento na última sexta-feira (7). Os trabalhos foram mantidos mesmo debaixo de chuva. A estrutura será submetida a uma perícia que deverá apontar as causas do incidente. Para que os trabalhos sejam realizados, a via ficará interditada até por volta das 20h desta quarta-feira (11), conforme estimativa da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura de Belém (Seinfra).
A operação de retirada da passarela mobiliza uma grande força de trabalho. Ao todo, cerca de 120 homens participam da ação, entre engenheiros, técnicos e operários.
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Análise técnica e segurança
Em entrevista à reportagem do Grupo Liberal, o titular da Seinfra, Arnaldo Dopazo, explicou os procedimentos adotados durante a operação e afirmou que, desde o registro do problema, a estrutura vinha sendo monitorada constantemente pelas equipes técnicas. “Desde o incidente ocorrido na última sexta-feira (7/3), nós estamos fazendo um monitoramento diuturnamente na estrutura”, assegurou Arnaldo Dopazo.
Segundo o secretário, a retirada da passarela permitirá uma análise mais detalhada das possíveis causas do problema. Entre as hipóteses levantadas estão questões relacionadas ao solo, já que a estrutura está construída sobre uma área de canal, ou ainda possíveis danos provocados por um incidente ocorrido em outubro do ano passado, quando uma carreta ficou presa na passarela.
“Agora, há a necessidade da remoção para que nós possamos pesquisar mais detalhadamente o que aconteceu com essa estrutura. Poderia fazer essa análise com ela no local? Poderia. Porém, ia trazer muito transtorno para o fluxo aqui de veículos da região”, reconheceu o secretário.
“Então, nós fizemos já as primeiras coletas de dados e agora nós vamos retirar toda essa estrutura sobre a avenida Júlio César para que, em solo, a gente possa fazer a análise conclusiva do que aconteceu”, detalhou Dopazo.
De acordo com o secretário, a mesma empresa responsável pela instalação da passarela também foi encarregada de realizar a retirada da estrutura, arcando com todos os custos da operação.
A expectativa da secretaria é que o resultado da perícia seja apresentado nos próximos dias. “A gente está estimando até o início da outra semana ter, se possível, um laudo conclusivo”, estimou o titular da Seinfra.
Dopazo também explicou como ocorreu o processo de desmontagem da estrutura. “Vão tirar tudo. O primeiro passo desse desmonte é justamente tirar o arco para aliviar o peso da estrutura. Depois, nós vamos com os soldadores embaixo criar as chapas para dar mais sustentabilidade. Aí depois nós vamos seccionar a passagem, a passarela em si, para vir descendo com ela”, falou.
Segundo ele, a construção de uma nova passarela no local ainda será avaliada após a conclusão da perícia. “Vai ter uma passarela aí. Agora, com relação aos procedimentos adotados, nós vamos ver futuramente em cima do que o laudo apontar”, finalizou.
Veja imagens do procedimento:
Deformação além do previsto
O engenheiro Vinícius Carandina, do Consórcio Igarapé São Joaquim, responsável pela obra da passarela com risco de desabamento na avenida Júlio César, em Belém, afirmou que a estrutura apresentou uma deformação além do previsto no projeto. A situação levou à decisão de remover o vão central da passarela para a realização de análises técnicas.
Segundo o engenheiro, o problema foi identificado na última sexta-feira (7), o que motivou a adoção de uma medida preventiva para garantir a segurança e permitir a realização de inspeções detalhadas. “Na sexta-feira, a estrutura apresentou uma deformação, para além do previsto no projeto. Então, a gente tomou a decisão, de forma preventiva, de remover o vão central dela para fazer análise em solo, porque é muito mais seguro a gente fazer os ensaios, fazer as inspeções novamente, estando ela em solo sem ter a via em aberta, sem ter o movimento de veículos”, explicou.
A retirada da estrutura está mobilizando uma grande operação na noite desta terça-feira (10), com equipamentos pesados e dezenas de trabalhadores atuando no local.
“A retirada está sendo feita com três guindastes, cinco plataformas de apoio e 120 homens que estão trabalhando. O processo de remoção tem uma programação de durar 24 horas”, detalhou o engenheiro.
De acordo com Carandina, a parte central da passarela será levada para uma área de apoio, onde serão realizados os ensaios e inspeções técnicas necessários para identificar o que provocou a deformação. “Vai ser removida a parte central por completa, levada para uma área de apoio que a gente tem externa para iniciar as inspeções e os ensaios em campo”, falou.
Após a conclusão das análises, será definido se a estrutura precisará ser refeita, reconstruída ou reformada antes de ser reinstalada. “Logo na sequência, assim que a gente tiver o laudo e a conclusão do que houve, a estrutura pode ser refeita, reconstruída ou reformada e lançada novamente de forma que tenha segurança para a população. Então, a gente tem agora um cronograma que a gente precisa estudar para ver a questão do que foi o problema e refazer o lançamento para liberar para a população, que essa estrutura ainda não estava liberada”, relembrou.
O engenheiro também destacou que a passarela ainda não estava liberada para uso de pedestres, pois a obra estava em fase de execução. “Ela está em fase de obra ainda, ela não tinha liberação para passagem de pedestre, ela estava 100% bloqueada. Então, ela vai ser reconstruída e liberada novamente”, adiantou.
Segundo ele, deformações em estruturas metálicas podem ocorrer durante o processo construtivo, mas, neste caso, o comportamento registrado foi superior ao previsto nos cálculos de engenharia. “Na engenharia, quando você faz o cálculo de uma treliça, já é previsto que ela tenha uma deformação natural durante a construção. Isso é comum. Só que ela teve uma deformação um pouco além do previsto”, comentou.
Carandina ressaltou que as causas do problema só poderão ser confirmadas após a realização dos ensaios técnicos. “Então, para se afirmar hoje o que de fato ocorreu, a gente depende de ensaios, de laudos que vão ser feitos posterior à remoção da estrutura”, ponderou.
Trânsito
Segundo Isaías Reis, diretor de Transporte da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), o trecho da avenida Júlio César, entre a Pedro Álvares Cabral e Centenário, está isolado para garantir a segurança das equipes.
Enquanto durar o período de interdição, agentes de trânsito permanecerão no local para orientar os condutores e indicar desvios. A recomendação é para que os motoristas utilizem as rotas alternativas para evitar congestionamentos na área.
De acordo com a Segbel, quem precisa acessar o Aeroporto Internacional de Belém ou seguir em direção ao centro da cidade pode utilizar a avenida Arthur Bernardes como principal rota alternativa.
Outra orientação é para que os condutores utilizem as avenidas Almirante Barroso e Pedro Álvares Cabral, que também podem ser usadas como caminhos para entrar ou sair da capital.
Veja as rotas alternativas durante a interdição da avenida Júlio César:
➡ Avenida Arthur Bernardes
• Principal rota alternativa para quem precisa acessar o Aeroporto Internacional de Belém
• Também pode ser utilizada por motoristas que seguem em direção ao centro da cidade
➡ Avenida Almirante Barroso
• Opção para condutores que precisam entrar ou sair de Belém
➡ Avenida Pedro Álvares Cabral
• Outra alternativa para quem precisa entrar ou sair da capital
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