Moradores protestam contra falta de água e interditam parte da Pedro Álvares Cabral, em Belém
Moradores atearam fogo em objetos e fecharam o cruzamento com a travessa Mucajá, na manhã desta terça-feira (10)
Protestando contra a falta de abastecimento de água, moradores interditaram um trecho da avenida Pedro Álvares Cabral, no bairro da Sacramenta, em Belém, na manhã desta terça-feira (10). Eles atearam fogo em objetos e fecharam o cruzamento com a travessa Mucajá, no sentido da avenida Visconde de Souza Franco (Doca). A manifestação começou às 8 horas e terminou às 11h30.
Inicialmente, os manifestantes haviam bloqueado completamente a via. No entanto, após negociações com Policiais Militares, liberaram uma das faixas, o que ocorreu por volta das 10h30. Segundo os moradores, a passagem Mucajá e outras vias próximas enfrenta quase um mês sem água. Elizabeth Rodrigues, de 62 anos, participou do ato público.
“Nós estamos sofrendo há quase um mês sem água nenhuma na torneira. Todos os dias precisamos carregar água, aqui tem muita criança”, disse. “Eu, por exemplo, já com uma certa idade, estou com os dedos todos inchados, à base de remédio. Muitas pessoas estão assim, por causa do esforço físico de carregar água de longe”, afirmou.
De acordo com Elizabeth, apenas duas pessoas da comunidade, que possuem poço artesiano, têm ajudado a doar água aos vizinhos. Ela também relatou que, apesar de a situação já ter sido denunciada à imprensa anteriormente, o problema não havia sido resolvido. “A imprensa já veio várias vezes, mas nada foi resolvido. Então foi necessário fazer essa manifestação, mesmo prejudicando muita gente. Mas nós já estamos quase um mês sendo prejudicados”, disse.
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A moradora explicou que o protesto só foi encerrado após a chegada de representantes da empresa Águas do Pará, que se comprometeram a enviar um carro-pipa para abastecer inicialmente a tubulação, o que de fato ocorreu, e iniciar uma avaliação técnica para identificar a causa do problema. A falta de água, segundo os moradores, atinge não apenas a passagem Mucajá, mas também vias transversais e parte da avenida Pedro Álvares Cabral. “Um transtorno muito grande para todos”, disse.
Elizabeth afirmou ainda que a comunidade seguirá mobilizada caso o abastecimento não seja normalizado. “Se normalizar, tudo bem. Mas, se faltar água de novo, a gente volta pra rua. É nosso direito cobrar. A conta está chegando todo mês e já estamos há 30 dias sem água”, concluiu. Logo após o protesto, equipes da empresa estavam na área fazendo os serviços.
Esclarecimento
A Águas do Pará informou, por meio de nota, que "a Passagem Mucajá e adjacências possui, historicamente, registro de baixa pressão no abastecimento, que faz a água chegar fraca às torneiras".
"Além disso, a tubulação que passa pelo bairro é antiga e estreita e tem apresentado vários casos de vazamentos ocultos, ou seja, que não são percebidos a olho nu. Por isso, nas últimas semanas, equipes da Águas do Pará realizam uma pesquisa ativa de vazamentos, por meio do trabalho de geofonamento, tecnologia que permite localizar perdas de pressão e ajuda a identificar esses vazamentos ocultos.
A concessionária reforça que o trabalho enfrenta desafios estruturais complexos, como a existência de imóveis construídos em cima da rede de abastecimento, que faz com que seja preciso entrar nas residências para localizar as ocorrências e, quando necessário, realizar do serviço de reparo na rede.
A Águas do Pará ressalta ainda que já existe uma obra prevista para reforçar e interligar a rede de abastecimento do bairro, intervenção que será feita para desativar a rede que está embaixo das residências e melhorar o fornecimento de água da região. A obra está prevista para iniciar este mês, com previsão de conclusão até o final de março.
Para mitigar os impactos imediatos à população, a concessionária está encaminhando caminhões-pipa que farão o fornecimento diretamente na rede de abastecimento, permitindo que os moradores recebam água em suas casas, enquanto atua na solução definitiva para a região", comunicou. A Redação Integrada de O Liberal solicitou mais informações sobre o caso para a Prefeitura de Belém e aguarda o retorno.
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