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Feira do Entroncamento, em Belém, sofre com abandono e buraqueira na rua 23 de Agosto

Moradores e trabalhadores denunciam dificuldades de acesso, riscos para pedestres e falta de obras em via estratégica ligada à BR-316

Dilson Pimentel

A precariedade da rua 23 de Agosto, no bairro da Castanheira, em Belém, tem provocado transtornos diários para feirantes, moradores, motoristas, ciclistas e pedestres que circulam pela área onde funciona a Feira do Entroncamento, um importante ponto de abastecimento de hortifruti da capital paraense. Tomada por grandes buracos ao longo da via, a rua dificulta o tráfego de veículos e compromete o acesso de clientes e trabalhadores ao local.

O feirante Edinaldo Borges Pinheiro, de 51 anos, trabalha há quase dois anos na feira e contou que a situação da rua afeta diretamente a rotina de quem depende do espaço para trabalhar e garantir renda. “Estou aqui como feirante, trabalhando no hortifruti. A dificuldade maior é o transtorno aqui na nossa rua, onde fica localizada a feira. Não tem condições de os carros passarem aqui devido à muita buraqueira”, afirmou.

Segundo ele, os problemas atingem toda a comunidade. “Sofre a população, sofrem os clientes, todas as pessoas que chegam aqui para consumir nossos produtos. Eles têm dificuldades. Até mesmo nós temos dificuldade de nos locomover e levar a mercadoria para o cliente. No geral, todo mundo sofre: moradores, feirantes. Todos sofrem com a mesma situação”, disse. Edinaldo destacou ainda a importância estratégica da Feira do Entroncamento para o abastecimento de Belém. De acordo com ele, o espaço recebe mercadorias vindas do interior do Pará e também da Ceasa (Centrais de Abastecimento do Pará), distribuindo produtos para outras feiras da cidade.

“Aqui é onde vêm todas as mercadorias do interior, as folhagens, tudo desembarca aqui. Também vem mercadoria da Ceasa. Como eu já falei, a dificuldade maior é a rua. Todo mundo reclama por uma boca só: a dificuldade de acesso”, afirmou. “A melhoria traz benefício para todos nós. Por isso, nós, moradores e feirantes, questionamos”, disse.

O feirante comentou o fato de um trecho da via ter recebido melhorias, esta semana, enquanto outra parte permanece deteriorada. Essa área que foi pavimentada fica perto da rodovia BR-316. Mas a continuidade desse trecho, porém, não recebeu o mesmo serviço. “Logo aqui na frente foi feito um trabalho e não foi concluído para cá. A pergunta que não quer calar é: fizeram só lá e por que não para cá? Eu creio que são direitos iguais para todos. Nós precisamos disso, porque é uma buraqueira só. Os carros têm dificuldade para passar, mototáxi, bicicleta. Todo mundo tem dificuldade”, disse.

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"Não tem como trafegar", diz moradora

A assistente social Cristiany Silva, de 45 anos, também denunciou os problemas enfrentados pelos moradores da rua 23 de Agosto, onde reside. Segundo ela, pedidos de melhorias já foram feitos diversas vezes ao poder público, mas nenhuma solução definitiva foi apresentada até agora. “Essa rua já foi solicitada várias vezes. Eu já apareci, já dei entrevista para todas as emissoras possíveis. Na verdade, o que consta é que ela está asfaltada no sistema, mas a gente já fez muitos memorandos, abaixo-assinado e não conseguimos nada até o momento”, afirmou.

Cristiany contou que a situação compromete principalmente a circulação de idosos, crianças e pessoas com deficiência. “Não tem como trafegar. Fecharam só um buraco, que, como a gente diz, estava 'fazendo aniversário' (referência ao fato da cratera existir há muito tempo). As crianças não têm como passar por aqui. À noite, como funciona a feira, fica tudo muito tumultuado. Muitos carros, muitas motos. Só carro e moto conseguem passar”, disse.

Ela afirmou que moradores com mobilidade reduzida deixaram de circular pela rua por causa das condições da via. “É muito difícil. Nós temos pessoas cadeirantes, temos crianças, temos idosos que não estão mais trafegando na rua porque não tem como”, contou. A assistente social também chamou atenção para o intenso fluxo de caminhões na área, devido à presença de depósitos e armazéns próximos à BR-316. “É uma rua estratégica, de frente para a BR, com muito tráfego. Tem a questão dos caminhões. Uma rua por onde passam muitos caminhões por causa dos armazéns”, afirmou.

Eles cobraram que o poder público realize obras estruturais na rua 23 de Agosto para garantir segurança, mobilidade e melhores condições de acesso à Feira do Entroncamento e às residências da região.

Urubus em frente à feira do Guamá

Fruto de muita luta dos trabalhadores, o Complexo do Guamá, localizado na avenida José Bonifácio, em Belém, foi revitalizado e entregue à população em janeiro deste ano. Apesar da reforma recente, um problema tem chamado a atenção de quem circula pelo local: a grande quantidade de urubus atraídos pelos resíduos descartados nos contêineres instalados em frente ao espaço.

Na manhã desta quarta-feira (20), vários urubus podiam ser vistos sobrevoando e ocupando a área, cenário que contrasta com a estrutura revitalizada da feira e provoca preocupação entre trabalhadores e frequentadores. Além de comprometer a aparência do complexo, a presença das aves também pode representar riscos à saúde pública, devido à possível proliferação de doenças, e afastar consumidores do local.

Outro problema identificado em frente ao complexo é o acúmulo de água empossada. Segundo pessoas que trabalham na área, a tubulação existente não suporta o volume da água, o que favorece os alagamentos no trecho.

Uma trabalhadora, que preferiu não se identificar, explicou que os contêineres deveriam ser utilizados apenas pelos feirantes para o descarte de produtos da feira. No entanto, moradores e trabalhadores do entorno também passaram a utilizar o espaço para jogar resíduos diversos, contribuindo para o acúmulo de lixo e, consequentemente, para a presença constante dos urubus na área.