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‘Elevação’ completa 120 anos e consolida Arquidiocese de Belém como referência de fé e ação social

Ao longo de mais de um século, instituição se consolida como “diocese mãe”, ampliando atuação em evangelização, educação, assistência social e preservação da Amazônia

Dilson Pimentel

A Arquidiocese de Belém celebra, nesta sexta-feira (1º de maio), 120 anos de sua elevação à categoria de Arquidiocese e sede metropolitana. Elevada pelo Papa São Pio X em 1906, foi a terceira a ser criada no Brasil, consolidando-se como ponto estratégico de evangelização na Amazônia com vasta extensão pastoral. O monsenhor Agostinho Cruz, Vigário Geral da Arquidiocese de Belém, explicou que o dia 1º de maio é o dia da elevação da Diocese à Arquidiocese, mas a festa será transferida para o dia 23 de maio.

Nesse dia, será celebrada a Vigília de Pentecostes, na Praça da Basílica Santuário de Nazaré, começando às 14h30 e chegando ao seu ápice com a celebração da missa às 18 horas, na qual 120 jovens e adultos receberão o sacramento da confirmação, fazendo alusão aos 120 anos da Arquidiocese, “conduzida pela força do Espírito Santo”. Ainda segundo ele, a Vigília de Pentecostes terá grande participação de fiéis das 109 paróquias que compõe a Arquidiocese de Belém, bem como de suas áreas missionárias, o clero, religiosos, além das pastorais, movimentos e grupos de serviços nos quais os leigos atuam diretamente na evangelização.

"Na ocasião será feito um resgate da memória dos 11 Arcebispos da Arquidiocese ao longo de sua elevação. A celebração será presidida pelo Arcebispo metropolitano Dom Júlio Endi Akamine, o 11º Arcebispo da Arquidiocese, e concelebrada por outros bispos e grande número de sacerdotes”, explicou. Monsenhor também falou sobre o significado histórico da elevação da Diocese de Belém à condição de Arquidiocese há 120 anos. “Desde o início do século XVII, com a criação da primeira paróquia, no ano de 1617, onde hoje está a Catedral, a Igreja vai marcando sua presença na região norte do país”, disse.

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 Em 1719, Belém, que pertencia à Diocese do Maranhão, por meio da bula papal Copiosus in Misericordia, do Papa Clemente XI, é criada como Diocese do Pará, em 4 de março de 1720. Nesse período, o Pará deu à Igreja dois insignes Bispos, Dom Romualdo de Sousa Coelho (1762-1841), que teve papel político relevante, sendo presidente da Junta Provisória do Governo do Pará em 1821, participou da adesão do Pará ao Império do Brasil em 1823 e governou a Diocese por 20 anos. "Transcorrido exatos 186 anos da criação da Diocese, o Papa São Pio X, no dia 1 de maio de 1906, através da bula Sempiternum Humani Generis, a elevou à dignidade de arquidiocese, sendo a terceira do Brasil”, disse.

Monsenhor Agostinho disse que, como Arquidiocese, a Igreja fundamenta sua estrutura dentro de um território geográfico, chamada província eclesiástica, onde se encontram outras dioceses menores, garantindo-lhes a unidade na doutrina e melhor ação pastoral. “O Arcebispo é quem governa e pastoreia a Arquidiocese, facilitando a unidade, ação missionária e evangelizadora, a coordenação do clero e mantém a unidade com a Santa Sé. E, sem sombra de dúvida, houve uma maior expansão da Igreja no vasto território da Arquidiocese, podendo contar com maior presença de ordens religiosas e missionárias trazidos pelos Arcebispos ao longo das décadas, implementando uma assistência eclesiástica no âmbito da educação, da saúde e obras sociais caritativas diversas”, afirmou.

A arquidiocese é considerada uma "diocese mãe"

A arquidiocese é considerada uma "diocese mãe", pois dela são desmembradas outras dioceses que compõem a circunscrição eclesiástica, tendo com um de seus papeis, a unidade entre as dioceses, além de ser uma extensão da autoridade do Papa, garantindo que os ensinamentos da Igreja Católica sejam aplicados fielmente, conforme as diretrizes do Vaticano. Dentro da Igreja no Brasil e mais especificamente na Amazônia, a Igreja encontra-se num cenário plural de realidades distintas, que vão desde os centros urbanos, com suas divergências sócio, política e econômicas, com suas baixadas e periferias, tanto quando nas zonas rurais, onde visa realizar suas atividades religiosas e a missão evangelizadora, promovendo a renovação missionária e a proximidade com os fiéis. A Arquidiocese de Belém, para o Brasil e para o mundo, torna-se a capital da fé mariana, tendo na festa do círio de Nazaré, a maior expressão de sua religiosidade e catolicidade, sendo um ponto forte de evangelização que espraia por toda a região norte do país e até mesmo fora do Brasil.

Ele também falou sobre de que forma a Arquidiocese tem contribuído para questões sociais importantes na região, como pobreza, educação e preservação da Amazônia. “Ela procura dar unidade na diversidade das atividades eclesiais em todo este território, inserida nas várias realidades culturais do povo de Deus que vive nesta região, as suas lideranças, pastorais e movimentos, serviços, a evangelização”, disse. Através da presença religiosa e missionária, afirmou, a Arquidiocese sempre atuou na educação, quer através dos colégios importantes da capital e área metropolitanas. “Quer nas periferias, na implantação de projetos consolidados para a uma transformação socioeconômica como escolas profissionalizantes, projetos sociais diversos, atua diretamente a assistência aos moradores de ruas e dependentes químicos, participa de ações de promoção humana através da Cáritas, visita e assistências nas penitenciárias”.

Acerca da Amazônia, durante os preparativos e realização da COP 30, promoveu eventos e atividades de formação, reflexão e mobilização social sobre o cuidado da Casa Comum, em sintonia com o magistério da Igreja (especialmente as encíclicas Laudato Si’ e Laudate Deum), oferecendo espaços de escuta, partilha e compromisso diante dos desafios socioambientais atuais, fortalecendo a Pastoral da Ecologia Integral e incentivando uma verdadeira conversão ecológica nas comunidades.

Principais desafios

Entre os principais desafios, monsenhor Agostinho disse que é anunciar Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, num mundo plural, sem idealizar uma sociedade pensando da mesma forma. “Por isso, o grande desafio é a busca do diálogo com o diferente, que exige uma Igreja em saída, indo ao encontro de todos”, disse. Ainda segundo ele, dentro dos grandes desafios estão a secularização, o relativismo dentro de uma sociedade em constante mudança cultural, e escalonada no uso da tecnologia. “A Igreja acompanha e vive junto com todos as transformações pelas quais a sociedade passa, e se apresenta como um farol a ajudar a sociedade a manter a dignidade do ser humano, desde sua concepção ao seu declínio natural, e de tudo que envolve a vida em sociedade”, afirmou.

Para cada tempo da história, disse, Deus suscita operários para a sua messe (colheita). “Hoje, a Arquidiocese de Belém, com seu arcabouço histórico e de evangelização, é chamada a enfrentar os desafios da missão evangelizadora, que exige de cada um a busca por respostas novas e coerentes para que a boa nova do Evangelho continue ressoando no coração das pessoas e renove o mundo e o nosso tempo”, disse. “Nesses 306 anos de Diocese, e 120 anos como Arquidiocese, mantermos um olhar mais profundo e mais amplo para todas as nossas periferias geográficas e existenciais, com todos os problemas sociais existentes, enfrentar com serenidade e coragem, com confiança na providência de Deus que nos permite adentrar no mar da história e atravessá-lo, mesmo quando humanamente nos sentimos limitados”, afirmou.

E concluiu: “Temos um grande desafio, que não deve nos meter medo, mas nos ousar a supera-lo, o de continuarmos caminhando juntos, confiando na palavra de Jesus, que nos chama a avançarmos, a lançar nossas redes em águas mais profundas, para continuamos sendo uma Igreja missionária e evangelizadora”