Conversões irregulares preocupam motoristas e pedestres na Mário Covas, em Ananindeua
Moradores, pais de alunos e condutores denunciam falta de fiscalização, ausência de semáforos e risco constante de acidentes nas proximidades do elevado da Independência
Conversões proibidas e travessias arriscadas têm colocado em perigo motoristas e pedestres em um trecho da avenida Mário Covas, nas proximidades do elevado e em frente ao Conjunto Jardim Europa, em Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Em poucos minutos no local, na manhã desta segunda-feira (11), a Redação Integrada de O Liberal registrou diversos flagrantes de infrações cometidas por condutores de veículos pesados, carros de passeio e motociclistas, tanto no sentido da BR-316 quanto em direção à avenida Augusto Montenegro.
Mais vulneráveis no trânsito, os pedestres enfrentam dificuldades para atravessar a via em meio ao fluxo intenso de veículos, muitos deles em alta velocidade ao descerem do elevado. O risco de acidentes é constante, principalmente nos horários de maior movimento. O acadêmico de educação física Breno Blans, de 22 anos, falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos pedestres no dia a dia. “Aqui na Mário Covas a gente enfrenta esse grande desafio para poder atravessar para o outro lado. Depois que criaram aqui esse elevado ficou ainda mais complicado. Aqui tem essa manobra irregular o tempo todo”, disse. “Isso já ocasionou vários acidentes. Inclusive, no mês passado, teve um acidente muito feio com motociclista”, contou.
Segundo ele, o fluxo constante de carretas e as infrações cometidas por motoristas aumentam o perigo no trecho. “Por aqui passam muitas carretas, como vocês podem ver. E tem muita gente que faz o errado (no trânsito). Aí, gera muitos acidentes”, disse. Breno também falou sobre os cuidados que adota todo dia para não ser vítima de acidente. “Eu sempre busco atravessar aí na faixa de pedestres (que fica perto desse trecho). Só que, até lá, é ruim, porque ninguém para. É muito difícil alguém parar. Aqui a gente se arrisca atravessando correndo para poder atravessar para o outro lado, mas, mesmo assim, correndo risco”, afirmou.
Breno Blans também cobrou melhorias na sinalização e fiscalização. “Que as autoridades tenham mais cuidado em relação à vigilância. Mais semáforos aqui nessa via, porque tu pode perceber que quase não tem semáforo. Lá da (avenida) Hélio Gueiros (antiga 40 Horas) até aqui não tem mais nenhum semáforo. Passando do Sesi, não tem mais nenhum. E aqui é uma via com muito fluxo, principalmente de carreta”, disse. Ele ainda destacou que os horários mais perigosos são durante a noite. “À noite o fluxo é ainda maior de carreta. Mas de manhã é a mesma coisa”, afirmou.
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“A todo momento é carreta passando”, disse engenheiro
O engenheiro de segurança do trabalho Helton Machado, de 39 anos, também criticou a quantidade de conversões irregulares registradas diariamente nesse trecho. “Sim, a todo a todo momento, tanto no sentido BR-Independência quanto Independência-BR. Os dois lados e ainda tem condutores que tentam vir do lado de lá do viaduto para tentar fazer a conversão do lado direito para o lado esquerdo”, afirmou.
Ele contou que a proximidade de uma escola aumenta ainda mais o risco para crianças e pais. “É carreta passando a todo momento. A escola aqui deveria ter uma segurança maior para as crianças que estudam aqui. Até o momento da gente vir buscar eles na escola. Como fica a fila de carro parada aqui, que não tem onde a gente estacionar para buscar as crianças, fica ainda mais perigoso, mais arriscado, tanto para os motoristas quanto para os pedestres”, disse. “É o tempo todo assim”, afirmou.
Ainda segundo Helton, os períodos mais críticos ocorrem nos horários de pico. “Em horário de pico, logo cedo pela manhã, no horário de meio-dia, aí no finalzinho da tarde fica sempre bem complicado aqui”, explicou. No momento em que dava a entrevista, mais irregularidades no trânsito. “Motoqueiro é a todo momento fazendo essa conversão e vai isso o dia inteiro. Motoristas de carro pequeno, de caminhonete também. É a mesma coisa”, disse. Para evitar acidentes, Helton afirmou que prefere utilizar retornos mais distantes. “O que eu faço é: eu tento ir lá no retorno, passando o viaduto, até por conta das minhas crianças e volto, porque eu moro aqui perto. Então eu faço esse retorno ou pela Mário Covas ou pela Independência, que é a única via que ficou para nós”, contou.
Moradores pedem mais fiscalização
Segundo ele, um retorno utilizado anteriormente pelos moradores foi fechado após a inauguração do elevado. “Aqui fecharam o retorno que a gente tinha aqui, que era onde a gente costumava usar. Então a gente entrava, deixava aqui no Jardim Europa, pegava as crianças e seguia e ia embora para casa. E agora não tem mais, pois fecharam aqui desde a inauguração do viaduto”, lamentou. “Agora, a nossa única alternativa é passando o Bancrévea. Temos que ir lá e voltar. Mas, ainda assim, essa saída daqui ficou arriscando, porque a entrada para quem vai querer pegar a Independência ficou colado na escola”, disse.
Helton também pediu maior atuação dos órgãos de trânsito. “Que tenha mais fiscalização aqui. Porque, aqui, a fiscalização só busca multar a gente, porque parou o trânsito aqui para pegar as crianças. Mas não se preocuparam em fazer um retorno que desse viabilidade para gente estacionar e pegar as crianças com segurança”, afirmou. “Que tenha alguém aqui dos órgãos competentes de trânsito para que eles orientem mais os motoristas e que busquem uma alternativa para melhorar a nossa circulação aqui de maneira mais segura, tanto para as crianças como para todo mundo aqui dentro, que aí se você ver não tem faixa de pedestres”, destacou. Ele afirmou ainda já ter sido multado ao estacionar para buscar os filhos na escola.
O pequeno empresário Bruno Campos, de 43 anos, acredita que a instalação de bloqueios físicos poderia reduzir as infrações no local. “Que seja colocado aqueles bloquetes igual do outro viaduto igual da (avenida) Independência, na frente do Líder (supermercado). É aqueles grandes que vai fazer com que o pessoal não faça isso, onde eu mesmo faço também”, afirmou. Apesar de admitir que realiza conversões irregulares, ele argumentou que a falta de retornos próximos contribui para o problema. “Porque fecharam dois retornos bem aqui. Tudo bem, eu concordo com esses aqui que é descida do viaduto. É complicado o retorno bem aqui embaixo, mas os dois retornos da Independência aqui, que é logo quando dobra, iria ajudar”, disse.
Bruno também criticou a distância dos retornos atualmente disponíveis. “Eu tenho que dar o retorno já perto do Bancrévea (bem mais para frente). Eu posso fazer? Posso, sem problema. Só que, quando eu chego lá, está uma fila imensa, porque isso aqui é uma via muito movimentada, passa caminhão”, contou. Esses veículos pesados saem de Icoaraci e seguem para a BR-316. Para ele, a reabertura de retornos próximos poderia amenizar os transtornos. “Eles poderiam ter aberto os dois retornos na (avenida) Independência aqui próximo, que eu tenho certeza que isso iria diminuir bastante”, concluiu.
O que diz a Prefeitura de Ananindeua:
Em nota, a Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito de Ananindeua (Semutran) informou que a responsabilidade das vias mencionadas é de competência do Governo do Estado, sob responsabilidade do respectivo departamento de trânsito. A reportagem entrou em contato com o Detran e aguarda retorno.
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