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Chuva da manhã desta quarta causa alagamento na av. João Paulo II, no Curió-Utinga, em Belém

Água acumulada obrigou moradores a atravessar rua com nível na altura das canelas após forte chuva na manhã desta quarta-feira (18)

Jéssica Nascimento e Hannah Franco

A chuva intensa que atingiu Belém na manhã desta quarta-feira (18) causou alagamento na avenida João Paulo II com a passagem Elvira, no bairro Curió-Utinga. O ponto ficou com acúmulo de água logo nas primeiras horas do dia, invadindo parte da via e alcançando a entrada de residências, o que dificultou a circulação de moradores e pedestres na área.

Nas imagens registradas pela reportagem, é possível observar moradores caminhando com água na altura das canelas e, em alguns trechos, próximo aos joelhos, tentando atravessar a rua alagada e proteger pertences. Uma idosa é auxiliada por um jovem para sair de casa em meio à água, enquanto outros moradores se apoiam em muros, portões e postes para se equilibrar.

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A via é uma das principais do bairro e concentra fluxo de veículos e pedestres ao longo do dia. A Quarta-Feira de Cinzas começou com céu nublado e tempo fechado na Grande Belém. Por volta das 8h, a chuva ganhou força e pegou de surpresa quem saiu cedo para o trabalho ou compromissos.

Confira as imagens do trecho alagado:

"Meu vaso está cheio até a boca", diz moradora

Moradores do Curió-Utinga relatam transtornos recorrentes após forte chuva na manhã desta quarta-feira (18). Além das ruas tomadas pela água, moradores citaram um problema ainda mais grave: o transbordamento de vasos sanitários dentro das residências, impedindo o uso dos banheiros.

Uma moradora da passagem Elvira, que preferiu não se identificar, contou que levou um susto ao tentar usar o banheiro logo após a chuva. Segundo ela, o vaso sanitário encheu e transbordou, situação que também ocorre em casas vizinhas. "Simplesmente o vaso de todos os banheiros enche e transborda. Ninguém pode usar o banheiro. A gente tem que esperar secar para poder baixar o vaso e voltar ao normal. Isso é um absurdo”, desabafou.

A moradora afirmou ainda que nunca havia enfrentado esse tipo de problema antes de se mudar para a área mais baixa da passagem. “Eu sentei no vaso e senti aquilo gelado. Pulei na hora. Eu nunca tinha visto isso na minha vida”, relatou.

Problema antigo e recorrente

A dona de casa Ângela Botelho, moradora da passagem Elvira, disse que a situação se repete sempre que chove, mesmo com serviços pontuais de limpeza. “Todo dia é isso quando chove. A água vem até a porta da minha casa, enche o quintal, enche o banheiro, enche tudo”, afirmou. Ela destacou que a limpeza dos bueiros não resolve o problema por completo. “O rapaz veio limpar os bueiros, mas não adiantou nada. Continua cheio de terra que vem lá de cima. Quando tá cheio, ninguém passa nem pra lá, nem pra cá”, disse.

Além dos impactos dentro das residências, o alagamento também afeta o comércio e a circulação na área. O comerciante Luiz Carlos Sousa, dono de um mercadinho na passagem Elvira, contou que as vendas praticamente param nos dias de chuva. "Quando chove e alaga, não tem venda nenhuma. O transporte já é ruim, quando alaga fica pior ainda. O ônibus não passa e a gente fica preso, esperando secar pra poder sair", relatou. Segundo ele, o acúmulo de água impede a passagem de pedestres e veículos, isolando parte da comunidade.

Quem vive na Passagem Elvira afirma que o problema é antigo e cobra uma solução definitiva para os alagamentos. “Toda vez é isso: quebram, fazem e nunca resolvem. Agora a pessoa não poder usar o próprio banheiro dentro de casa?”, questionou a moradora que preferiu não se identificar. Os moradores pedem ações estruturais de drenagem para evitar novos alagamentos e reduzir os riscos à saúde e à dignidade das famílias que vivem na área.

Especialista alerta para os riscos da água da chuva

Segundo a dermatologista Regina Carneiro, de Belém, os problemas de pele mais comuns após o contato com água suja de alagamento são as micoses superficiais, especialmente as tíneas — como a interdigital, conhecida como "frieira" — e as infecções bacterianas, como erisipela, celulite e impetigo, particularmente em pacientes que já apresentam lesões cutâneas. “Além disso, quadros de dermatite de contato desencadeados pelo próprio contato com a água. Não podemos esquecer da transmissão através da pele de doenças como a leptospirose”, relata a médica.

“Em alguns casos, o contato prolongado com a água pode levar a ‘maceração’ da pele e diminuir a barreira da pele facilitando a transmissão. Isso acontece principalmente porque a pele fica ‘amolecida’ com o contato com a água e diminui a defesa. Além disso, a água contaminada modifica o equilíbrio normal da pele e facilita a proliferação de agentes infecciosos. E outra possibilidade é que, devido ao contato com sapatos molhados, aumentam atrito e micro traumas”, acrescenta Regina.

A médica também explica que existem diversos sinais de alerta de infecção na pele após a exposição à água de enchente. Entre eles estão: vermelhidão que aumenta rapidamente, dor intensa ou calor local, inchaço progressivo, presença de secreção (como pus), febre, mal-estar ou calafrios. Por isso, após o contato com a água da chuva, ainda segundo a dermatologista, é importante lavar imediatamente a região afetada, secar bem, além de trocar as roupas e calçados molhados e hidratar a pele.

Para prevenir micoses, dermatites e outras infecções de pele em períodos de chuva e alagamentos frequentes, ela recomenda: “É importante usar botas impermeáveis quando possível, evitar permanecer muito tempo na água, além de secar os pés e o corpo. Mais importante se tiver qualquer lesão ou sintoma procurar o médico e evitar a automedicação”, alerta a médica.

Previsão indica mais chuva ao longo do dia

De acordo com a previsão meteorológica, o tempo segue instável nesta quarta-feira. A expectativa é de novas pancadas de chuva, principalmente a partir da tarde, podendo se estender até a noite. Há possibilidade de precipitações de moderada a forte intensidade, além de variação de ventos.

O padrão é típico do chamado inverno amazônico, período marcado por alta umidade e chuvas frequentes na capital paraense.

O que diz a prefeitura:

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), informa que atua de forma contínua na avenida João Paulo II com a passagem Elvira, no bairro Curió-Utinga, realizando serviços de limpeza e manutenção da rede de drenagem. As ações foram intensificadas com a Operação Inverno, que reforça a limpeza e desobstrução de bueiros em pontos críticos da cidade.

A Sezel ressalta que o descarte irregular de lixo é um dos principais fatores que contribuem para o entupimento da drenagem e para a ocorrência de alagamentos, e reforça a importância da colaboração da população. Desde o início das ações de zeladoria, mais de 30 mil bocas de lobo e poços de visita já passaram por limpeza e desobstrução em Belém.