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Ato em apoio ao Museu de Arte de Belém lança abaixo-assinado por preservação do acervo

Participantes defenderam a conservação do espaço histórico e a valorização de seu acervo museológico, composto por mais de duas mil obras

Amanda Martins

Uma mobilização em apoio ao Museu de Arte de Belém (MABE) reuniu artistas, professores, servidores públicos, trabalhadores da cultura e integrantes da sociedade civil na manhã deste domingo (7), em frente ao Palácio Antônio Lemos, onde fica a sede do museu, na Cidade Velha. O ato, denominado “O MABE pede socorro”, ocorreu de forma pacífica durante a programação da 61ª edição do Circular Campina Cidade Velha.


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A iniciativa teve como objetivo chamar a atenção para a importância da preservação do museu, da manutenção de seu funcionamento e da conservação do acervo, considerado um dos mais importantes da região.

O MABE abriga mais de 2 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, porcelanas, mobiliário e outras peças ligadas à história e à produção artística do Pará, da Amazônia e da própria formação do Brasil.

Abaixo-assinado

Durante a mobilização, também foi lançado um abaixo-assinado que busca alcançar a marca de 10 mil assinaturas. Segundo os organizadores, o documento será encaminhado a órgãos de proteção do patrimônio e instituições competentes.

A adesão ao abaixo-assinado pode ser feita por meio de um link disponível na bio do perfil do Circular Campina Cidade Velha no Instagram.

Entre as preocupações apresentadas pelos participantes estão a fragilização administrativa da instituição, a redução de equipes técnicas, a ausência de profissionais especializados, a insuficiência de recursos materiais e financeiros, a descontinuidade de serviços de conservação e restauração, o fechamento de setores considerados estratégicos e o risco de comprometimento do acervo museológico.

O Grupo Liberal solicitou nota à Prefeitura de Belém para esclarecer os pontos citados e aguarda um retorno. 

De acordo com os servidores envolvidos na mobilização, a situação do MABE já foi apresentada aos gestores municipais em diferentes ocasiões. O assunto também esteve em pauta em uma audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), no início de maio.

Mudanças administrativas

A artista visual, curadora e servidora municipal Nina Matos, que participou do ato e já exerceu funções de chefia e direção no museu, relatou que a situação atual da instituição está relacionada às mudanças administrativas ocorridas nos últimos anos.

Ela explicou que, em fevereiro de 2025, a reforma administrativa da Prefeitura de Belém extinguiu a Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), da qual o MABE era um departamento.

Segundo Nina, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult), criada posteriormente, não absorveu o museu em sua estrutura como unidade museológica, o que resultou na extinção de cargos de direção e das divisões técnicas voltadas à conservação, restauração, documentação museológica, curadoria, pesquisa e ações educativas.

Ainda de acordo com a servidora, a Semcult foi posteriormente desmembrada, dando origem à Secretaria Municipal de Turismo (Setur) e à Secretaria Municipal de Cultura (Secult), sem que o MABE passasse a integrar formalmente o organograma da pasta cultural.

"Hoje o museu está sem a estrutura funcional necessária para desenvolver plenamente suas atividades de preservação, pesquisa, difusão e educação", afirmou.

Funcionamento e conservação

Nina também destacou que o espaço deixou de abrir regularmente aos fins de semana desde o ano passado. Segundo ela, anteriormente o museu funcionava aos sábados e domingos, mas permanece atualmente fechado nesses períodos, inclusive durante programações especiais realizadas no centro histórico da capital.

"O MABE sempre participou das atividades do Circular. Hoje, em uma programação que movimenta o centro histórico, o museu permanece fechado para a população", pontuou.

Outro ponto mencionado durante a mobilização foi a situação dos equipamentos utilizados na preservação do acervo. De acordo com Nina, os desumidificadores, considerados fundamentais para o controle ambiental das obras, não estão em funcionamento.

"É um museu que está operando sem desumidificadores em uma cidade de alta umidade, o que pode provocar danos ao acervo", disse.

Entre as reivindicações apresentadas no abaixo-assinado estão a reestruturação institucional do museu, a recomposição de equipes técnicas especializadas, a adoção de medidas de preservação do acervo e a implementação de ações voltadas à conservação e gestão museológica.

Patrimônio histórico

O professor, historiador e doutorando Michel Pinho também participou da mobilização. Ele destacou a importância histórica e patrimonial das coleções mantidas pelo museu e chamou atenção para os riscos que eventuais danos ao acervo podem representar.

Segundo Michel, o conjunto de obras preservado pelo MABE possui valor histórico e cultural significativo, reunindo peças centenárias.

"Estamos falando de um acervo de valor inestimável para a cidade e para o país", afirmou.

O historiador ressaltou ainda que fatores ambientais, aliados à ausência de equipamentos adequados de conservação, podem comprometer a preservação das obras ao longo do tempo.

"É impensável perder obras que ajudam a contar a história de Belém, como trabalhos de Theodoro Braga e outros registros fundamentais para a memória da cidade", declarou.

O que é o MABE?

Instalado desde 1994 no histórico Palácio Antônio Lemos, o museu reúne um acervo formado por obras da antiga Pinacoteca Municipal e do Museu da Cidade de Belém (Mubel), incluindo pinturas, esculturas, mobiliário, porcelanas e outros bens de valor histórico e artístico. Atualmente, funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 16h.