Amigos lembram trajetória de Zélia Amador de Deus e destacam força, generosidade e luta por direitos
Durante o velório, pessoas que conviveram com a professora citaram a vida acadêmica, social e pessoal construída por ela ao longo de décadas
A trajetória de Zélia Amador de Deus é lembrada por amigos como marcada pela força, generosidade, coragem e dedicação à luta por direitos. Durante o velório da professora, realizado nesta quarta-feira (9), no Teatro Waldemar Henrique, em Belém, pessoas que acompanharam diferentes momentos da intelectual paraense destacaram tanto a contribuição deixada para a Universidade Federal do Pará (UFPA) quanto as relações construídas ao longo de décadas.
Para a vice-reitora da UFPA, Loiane Prado, o legado de Zélia alcança diferentes áreas da universidade e da sociedade. Ela destacou a atuação da professora como intelectual, pesquisadora, artista e gestora, além da participação na construção de políticas de inclusão e diversidade.
“É um legado extraordinário em muitas perspectivas. Professora Zélia foi nossa vice-reitora, uma grande intelectual, nossa professora emérita, artista, pesquisadora de referência. Além de toda a construção e luta pela democracia, pelos direitos humanos, pela inclusão, pela diversidade e pela pauta antirracista, ela ajudou na implementação da Lei de Cotas não apenas na UFPA, mas no Brasil. Também contribuiu decisivamente para toda a política de inclusão e diversidade na universidade”, afirmou.
Loiane também lembrou que Zélia esteve diretamente envolvida em avanços institucionais relacionados à diversidade. Segundo ela, a professora ocupou a Superintendência de Diversidade e Inclusão da UFPA e permaneceu atuante nas discussões e iniciativas relacionadas ao tema.
“Ela era nossa superintendente da Superintendência de Diversidade e Inclusão da UFPA e, portanto, sempre esteve presente em todos esses avanços que foram feitos na universidade”, disse.
Mais do que a relação profissional, Loiane destacou a ligação pessoal que mantinha com Zélia. As duas nasceram no mesmo dia e costumavam brincar que eram irmãs de aniversário. “Nós nascemos no mesmo dia. Sempre brincávamos que éramos irmãs de aniversário”, contou a vice-reitora.
Emocionada, Loiane descreveu o que a professora representava para ela e destacou características que, na avaliação dela, faziam de Zélia uma pessoa singular. “Ela é, para mim, um exemplo de bondade, de generosidade, de acolhimento, de amor, ternura e de uma força, de uma potência, de uma coragem, de um talento. Ela unia características incríveis, como se houvesse uma congregação de muitas características lindas em uma só pessoa. E essa pessoa é a nossa amada Zélia Amador de Deus”, completou.
Amizade
Amiga e vizinha de Zélia, Léa Monteiro Castro contou que as duas famílias mantiveram uma convivência tão próxima que os laços ultrapassaram a relação entre pessoas que moravam perto.
“Nós nos criamos juntas. Éramos vizinhas, uma casa do lado da outra. A mãe dela era empregada doméstica e a Zélia sempre foi uma pessoa muito trabalhadora e batalhadora”, relembrou.
Léa acompanhou de perto a origem humilde da professora e o caminho percorrido por ela até alcançar reconhecimento acadêmico e social. “Era uma família pobre, mas ela chegou ao legado que deixou. É uma história muito linda, muito bonita, mas ela foi à luta por tudo o que conquistou. Ela é uma guerreira, uma vencedora, lutadora, vitoriosa nesta vida que teve”, afirmou.
A proximidade entre as famílias era tão grande que os parentes de Zélia eram tratados como membros da própria família por Léa. Ela recordou que, desde criança, aprendeu a chamar os familiares da professora de tio e tia.
“Para mim, está sendo uma dor imensa, como se fosse parte da nossa família. Como diz o pessoal antigo, os parentes mais próximos sempre são os nossos vizinhos. Nós tivemos essa relação, inclusive com o avô dela, seu Manuel. Minha mãe ensinava a gente a chamar de tio Manuel e tomar bênção. A avó dela, tia Chica, também era chamada de tia, e a gente tomava bênção. A mãe dela, dona Dora, era tia Dora”, relembrou.
Para Léa, a convivência fez com que a relação construída entre as famílias se tornasse praticamente familiar, mesmo sem parentesco de sangue. “Era uma relação de família. Não de sangue, mas pela convivência que nós tivemos”, afirmou.
A amiga também acompanhou a formação de Zélia e lembrou que ela estudou no Instituto de Educação do Pará (IEP) antes de seguir a trajetória acadêmica que a levaria à UFPA e ao reconhecimento nacional.
“Ela estudou aqui no IEP, se formou pelo IEP como professora. E foi seguindo. A carreira dela é linda. Muitos não chegaram aonde ela chegou”, declarou Léa.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA