Como age a bactéria Pseudomonas aeruginosa encontrada em lotes suspensos da Ypê?

Na última quarta-feira, 13, a agência adiou a votação do recurso apresentado pela Ypê e agendou uma nova avaliação para a próxima sexta-feira, 15.

Estadão Conteúdo
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Na última quarta-feira, 13, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou, durante uma reunião da diretoria colegiada, que a bactéria Pseudomonas aeruginosa estava presente nos produtos da Ypê suspensos pelo órgão na semana passada.

Essa não é a primeira vez que a bactéria aparece em produtos da Ypê. Em novembro do ano passado, a marca já havia sido autuada pela Anvisa pela presença do mesmo microrganismo em itens da empresa. Mas, afinal, que bactéria é essa?

A Pseudomonas aeruginosa vive na água, no solo e em superfícies úmidas. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a bactéria é considerada pouco agressiva para a maioria das pessoas. Em coluna recente no Pulsa, o médico Luís Fernando Correia explicou que o microrganismo ameaça populações específicas, como pacientes com fibrose cística, queimados, oncológicos, transplantados, imunossuprimidos, recém-nascidos, idosos frágeis, pessoas com cateter e indivíduos que estão em ventilação mecânica. "Trata-se de uma bactéria oportunista, com resistência natural a vários antibióticos", comentou.

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"A presença dessa bactéria em produtos de limpeza aumenta as chances de contaminação e pode, eventualmente, causar infecções nas populações mais suscetíveis", explica Alberto Chebabo, médico infectologista dos laboratórios Sergio Franco, da Dasa.

Ele reforça que, em pessoas saudáveis, o risco de infecção após a exposição ao produto contaminado é baixo. "Mas, eventualmente, se houver lesão na pele, algo que facilite a penetração da bactéria, pode ocorrer", pondera Chebabo.

Nos grupos vulneráveis, Luís Fernando Correia explica que a Pseudomonas aeruginosa pode causar pneumonia hospitalar grave, infecção de corrente sanguínea, sepse e até infecção ocular. Por isso, a Anvisa manteve o alerta sanitário mesmo após a Ypê ter conseguido reverter a suspensão dos produtos.

Proliferação facilitada

Em entrevista ao Pulsa, Cristiane Rodrigues Guzzo, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), explicou que esse tipo de contaminação pode afetar diretamente a eficácia dos produtos. Mas não só. "Além de perder a capacidade de limpeza, o produto pode acabar contaminando superfícies, utensílios e objetos que estão sendo lavados. Isso torna a situação preocupante", afirmou.

Segundo a especialista, a Pseudomonas aeruginosa é uma das poucas bactérias capazes de sobreviver e se proliferar em detergentes e produtos de limpeza. "Ela consegue resistir à ação química e formar biofilmes extremamente resistentes, o que dificulta a remoção e favorece a proliferação, inclusive em tubulações de água", explicou.

Ela destaca que a bactéria pode ser transmitida às pessoas não apenas pelo contato com produtos contaminados, mas também por meio da exposição à água contaminada.

"Isso pode evoluir para uma otite ou até uma conjuntivite grave, especialmente se, durante a limpeza de lentes de contato, por exemplo, houver contato com a bactéria", completou a especialista em microbiologia.

Entenda o caso

Durante uma inspeção conjunta realizada pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e pela Vigilância Sanitária Municipal de Amparo, foram identificadas 76 irregularidades no processo produtivo da Química Amparo, responsável pela marca Ypê.

Em 7 de maio, a Anvisa determinou, então, o recolhimento, a suspensão da fabricação, da comercialização e do uso de diversos produtos da marca por falhas no sistema de garantia e controle de qualidade.

Segundo a agência, as falhas incluem problemas graves relacionados ao controle microbiológico, com identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos.

No dia 8, a Ypê apresentou recurso à Anvisa com esclarecimentos e subsídios técnicos e obteve a suspensão dos efeitos da proibição. Apesar disso, a Anvisa seguiu não recomendando o uso dos produtos e orientando os consumidores a entrarem em contato com o SAC da empresa.

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