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Celular pode detectar terremoto? Entenda como o alerta chegou antes dos tremores na Venezuela

Sistema presente em celulares Android e iPhone não prevê terremotos, mas consegue identificar o início dos abalos e avisar usuários antes da chegada das ondas sísmicas

Hannah Franco
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Os fortes terremotos registrados na Venezuela na última quarta-feira (24), que também tiveram reflexos em estados da região Norte do Brasil, despertaram uma dúvida entre muitas pessoas: afinal, um celular consegue detectar um terremoto antes que ele seja sentido?

Em Belém, moradores de bairros como Pedreira, Umarizal, Cremação e Doca relataram tremores em edifícios após a propagação das ondas sísmicas provocadas pelos abalos na Venezuela e no Peru. Em meio aos relatos, vídeos publicados nas redes sociais mostraram venezuelanos recebendo notificações em seus celulares segundos antes do início dos tremores.

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Embora pareça uma previsão, a tecnologia não é capaz de antecipar um terremoto. O sistema identifica rapidamente que o fenômeno já começou e calcula se as ondas sísmicas ainda alcançarão outras regiões, permitindo que o alerta seja enviado antes da chegada do abalo em determinados locais.

Como o celular identifica um terremoto?

A tecnologia utiliza o acelerômetro, sensor presente na maioria dos smartphones e responsável por detectar movimentos do aparelho. O mesmo componente que permite a rotação automática da tela também consegue registrar pequenas vibrações.

Quando milhares de celulares Android em uma mesma região identificam, praticamente ao mesmo tempo, um padrão compatível com atividade sísmica, essas informações são enviadas aos servidores do Google. O sistema analisa os dados, descarta possíveis interferências, como o trânsito de veículos pesados ou explosões, e verifica se realmente há um terremoto em andamento.

Após essa confirmação, a plataforma estima a direção das ondas sísmicas e identifica quais áreas ainda poderão ser atingidas, enviando notificações para os usuários localizados nessas regiões.

Por que algumas pessoas recebem o aviso antes?

O tempo de antecedência depende da distância em relação ao epicentro do terremoto.

As primeiras ondas sísmicas se propagam rapidamente e costumam causar poucos efeitos. Já as ondas seguintes, geralmente mais intensas, chegam alguns segundos depois. Esse intervalo permite que o sistema envie notificações para pessoas que ainda não sentiram o tremor.

Nos terremotos registrados na Venezuela, alguns moradores relataram ter recebido o alerta cerca de 30 segundos antes do início das vibrações. Já quem estava mais próximo do epicentro recebeu a notificação praticamente ao mesmo tempo em que o abalo começou.

Como funciona a rede de monitoramento?

O sistema do Google transforma milhões de celulares Android conectados à internet em uma grande rede colaborativa de monitoramento sísmico.

Cada aparelho funciona como um pequeno sensor de movimento. Individualmente, um celular não consegue confirmar um terremoto, mas, quando milhares registram o mesmo padrão simultaneamente, a plataforma consegue reconhecer a ocorrência e emitir os avisos.

Desde que a ferramenta começou a operar, em 2021, a tecnologia já identificou mais de 18 mil terremotos em diferentes países. Desse total, cerca de 2 mil tiveram intensidade suficiente para gerar aproximadamente 790 milhões de notificações aos usuários.

Quando o alerta é enviado?

Nem todo terremoto resulta em uma notificação.

Além da magnitude do sismo, o sistema considera a intensidade estimada dos tremores para a população, utilizando critérios baseados na Escala Mercalli Modificada (MMI), que mede os efeitos do fenômeno sobre pessoas e construções.

Os aparelhos Android podem emitir dois tipos de aviso:

  • Alerta de atenção: informa a possibilidade de tremores leves ou moderados.
  • Alerta de ação: aparece quando há risco de tremores mais fortes, ocupando praticamente toda a tela do celular e orientando o usuário a buscar um local seguro imediatamente.

Apesar da rapidez do sistema, ele não prevê terremotos. Os abalos continuam sendo fenômenos naturais impossíveis de antecipar com precisão.

O que a tecnologia faz é detectar um terremoto logo após seu início e calcular se as ondas sísmicas ainda levarão alguns segundos para alcançar outras localidades. Em situações como a registrada na Venezuela, esse curto intervalo pode ser suficiente para que moradores deixem áreas de risco, se afastem de objetos que possam cair ou adotem outras medidas de proteção.

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