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Nunes cita vício e distanciamento ao comentar prisão da irmã: ‘15 anos que eu não converso’

Irmã do prefeito foi presa na última quinta-feira (15) por desacato, lesão corporal e embriaguez ao volante.

Estadão Conteúdo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comentou nesta terça-feira (20) a prisão da irmã, a advogada Janaína Reis Miron, de 49 anos. Ela foi detida na semana passada após ser reconhecida por câmeras do programa Smart Sampa.

Janaína tinha mandados de prisão em aberto por desacato, lesão corporal e embriaguez ao volante. Ela estava foragida e, por isso, foi identificada pelo sistema de monitoramento da capital paulista, uma das principais iniciativas da gestão Nunes na área de segurança.

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Durante agenda na manhã desta terça-feira, o prefeito afirmou manter uma relação distante com a irmã e reiterou a alegação da defesa de que ela enfrenta algum tipo de dependência química ou alcoólica.

“Eu não conversei com ela. Faz mais de 15 anos que não conversamos. Nossa família tentou de tudo para que ela saísse do vício. Infelizmente, não conseguimos”, afirmou Nunes, em entrevista coletiva.

O prefeito não detalhou o tipo de dependência, mas disse que a situação da irmã o fez lembrar das cenas de uso de drogas na Cracolândia. “Infelizmente, é uma realidade de muitas famílias, de muitas pessoas”, declarou.

“Ela tem três filhos. Perdeu a guarda. Dois moram com o ex-marido e um mora com a minha mãe, que o cria”, acrescentou. “Tentamos de tudo e não deu certo. Ela optou por seguir outro caminho.”

Para Nunes, a prisão de Janaína demonstra que o Smart Sampa não faz distinções. “A lei é para todos. Não é porque é conhecido ou parente que vai ter tratamento diferenciado. A lei é para todo mundo”, disse.

Janaína foi presa por volta das 15h22 da última quinta-feira (15), na Avenida Clara Mantelli, no bairro Socorro, zona sul da capital. Ela ficou detida no Distrito Policial de Santo Amaro, também na zona sul, mas foi solta após audiência de custódia realizada no dia seguinte.

A Justiça de São Paulo determinou que a advogada cumpra medidas restritivas, como sair para o trabalho a partir das 6h e retornar à residência até as 22h; não se ausentar por mais de dez dias do município onde reside sem autorização judicial; não mudar de endereço sem comunicar a Justiça, entre outras exigências.

Quem é Janaína Miron

Irmã de Ricardo Nunes, Janaína é filha de Maria do Céu Reis de Gouveia, ex-vereadora e ex-presidente da Câmara Municipal de Embu-Guaçu, também pelo MDB.

Nas redes sociais, Janaína costuma se posicionar politicamente à direita, em apoio às candidaturas da mãe e, principalmente, do irmão. Já publicou, inclusive, uma foto ao lado do prefeito na época do casamento dele.

Durante a pandemia, fez postagens defendendo o uso de vacinas e criticando a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ainda assim, é mais enfática em manifestações contrárias ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao presidente Lula.

Em outubro de 2022, Janaína foi presa por dirigir embriagada na Rodovia João Hipólito Martins, em Botucatu. Segundo a polícia, ela trafegava em zigue-zague e quase colidiu com outros veículos.

Na abordagem, conforme relato dos agentes, ela não portava documentos, apresentava sinais de embriaguez, recusou-se a fazer o teste do bafômetro, resistiu à prisão e desacatou os policiais, que precisaram utilizar algemas.

À época, os agentes constataram que Janaína tinha antecedentes criminais por furto, maus-tratos, lesão corporal dolosa e embriaguez ao volante. Ela também transportava dois cães da raça pitbull no veículo.

Segundo o registro policial, Janaína afirmou não estar embriagada, mas sob efeito de medicação, e disse que seria perigoso se aproximar do carro por causa dos animais. Ainda de acordo com os agentes, ela teria afirmado que os policiais eram um “bando de vagabundos” e “inferiores” ao marido, que seria capitão da Polícia Militar, além de acusá-los de querer dinheiro para levá-la à delegacia.

Inicialmente, Janaína foi condenada à prestação de serviços à comunidade, pagamento de prestação pecuniária e suspensão do direito de dirigir. No entanto, oficiais de Justiça relataram diversas tentativas frustradas de intimação.

Diante do descumprimento das medidas, o Ministério Público solicitou a conversão da pena, pedido que foi acolhido pela Vara Criminal de Botucatu, com a expedição de mandado de prisão definitivo. A Justiça de São Paulo converteu a condenação em pena de prisão em regime aberto.

(Colaboraram Adriana Victorino e Lívia Machado)