Condicionamento físico pode influenciar no tratamento contra o câncer, afirmam cientistas
Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) em parceria com a Harvard Medical School, dos Estados Unidos, apresentou resultados de testes feitos em pacientes com câncer de pulmão.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Harvard Medical School, dos Estados Unidos, atestaram como o condicionamento físico pode influenciar no tratamento contra o câncer. Em estudo feito com 55 pacientes com câncer de pulmão, divulgado na revista European Journal of Clinical Investigation, duas substâncias foram encontradas no plasma sanguíneo e podem auxiliar na análise da futura resposta à quimioterapia. O levantamento teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).
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A pesquisa apontou que a aptidão física dos pacientes com câncer é muito mais importante do que a massa muscular. “O paciente que tem melhor desempenho físico vive mais e isso não tem relação com o estado geral dele”, diz Willian das Neves Silva, primeiro autor do estudo. De acordo com o professor Gilberto de Castro Junior, orientador de Willian, aqueles que apresentaram alta performance nos testes físicos simples não tiveram prejuízo de consumo de oxigênio e, dessa forma, não há danos às células musculares.
Os pacientes analisados são do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A maioria do grupo é formada por homens, sendo todos fumantes. O tratamento foi realizado entre abril de 2017 e setembro de 2020, com acompanhamento por, aproximadamente, três meses.
Enquanto no Brasil foram feitos testes físicos, nos Estados Unidos o exame foi de metabolômica (observação das diferentes respostas do metabolismo) com o plasma sanguíneo e amostras de células musculares. Na FM-USP, os pacientes tiveram que levantar, caminhar por tês minutos, voltar e sentar novamente; depois, precisaram sentar e levantar dez vezes, antes de caminhar por mais seis minutos. Já em Harvard, a análise ocorreu nos produtos intermediários ou finais do metabolismo celular.
Nos EUA, o estudo apresentou duas substâncias: serina e M22G. A serina, um aminoácido não essencial ligado a ações do metabolismo, é associada ao crescimento de células tumorais quando está em excesso no organismo e pode reduzir o tumor ao ser inibida. Juntamente ao M22G, ela pode auxiliar em análises futuras dos pacientes, para determinar aqueles que têm mais chances de responder ao tratamento.
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“O que nós mostramos é que existe uma relação dessas substâncias com a performance desses pacientes e talvez isso possa funcionar, no futuro, como um marcador de desempenho, mas nós ainda precisamos estudar mais”, afirma Willian das Neves Silva. Em etapas futuras, o projeto focará em encontrar biomarcadores que auxiliem na compreensão da doença e entender se há benefícios em associar atividade física à quimioterapia.
(*Lívia Ximenes, estagiária sob supervisão de Enderson Oliveira, editor de OLiberal.com)
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