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Anvisa aprova genéricos de liraglutida usada no tratamento da obesidade e diabetes

A escolha do medicamento e a definição da dose devem ser feitas por um profissional de saúde, considerando as condições de cada paciente

Gabrielle Borges
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, princípio ativo usado em canetas para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Os produtos são da farmacêutica brasileira EMS e terão concentração de 6 mg/mL, em solução injetável de aplicação subcutânea, normalmente aplicada na barriga.

Os registros correspondem a medicamentos que a própria empresa já comercializa: o Olire, indicado para obesidade, e o Lirux, voltado ao tratamento do diabetes tipo 2. Os dois produtos foram aprovados pela Anvisa em dezembro de 2024 e começaram a chegar às farmácias em agosto de 2025.

Agora, os medicamentos serão vendidos pelo nome do princípio ativo, liraglutida, sem uma marca comercial.

A aprovação amplia a concorrência no mercado de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, que ganhou espaço nos últimos anos com o aumento da procura por tratamentos para obesidade e diabetes. A autorização, porém, não significa que os novos genéricos já estejam disponíveis nas farmácias. A EMS ainda precisa definir o lançamento e os preços.

Genérico para obesidade e outro para diabetes

Apesar de terem a mesma substância e concentração, os dois registros possuem indicações diferentes. Um está relacionado ao tratamento da obesidade, enquanto o outro é destinado a pacientes com diabetes tipo 2.

A liraglutida já é utilizada no Brasil há anos e também é o princípio ativo do Saxenda, indicado para controle do peso, e do Victoza, usado no tratamento do diabetes tipo 2.

Os novos registros contemplam diferentes apresentações, com embalagens que podem conter de um a dez seringas carpule de 3 mL, dependendo do produto. O carpule é o reservatório que armazena a solução e é utilizado na caneta aplicadora.

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Como a liraglutida age no organismo?

A liraglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, grupo que também inclui a semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy. As substâncias, porém, são diferentes.

O GLP-1 é um hormônio produzido pelo organismo após as refeições e está relacionado ao controle da glicose e do apetite. A liraglutida imita parte dessa ação, ajudando a aumentar a liberação de insulina quando a glicose está elevada.

A substância também atua em mecanismos ligados à fome e à saciedade e retarda o esvaziamento do estômago. Com isso, pode contribuir para reduzir a ingestão de alimentos e auxiliar no controle do peso.

Uma das diferenças em relação a medicamentos mais recentes é a frequência de aplicação. A liraglutida é administrada diariamente, enquanto algumas versões de semaglutida e tirzepatida são aplicadas uma vez por semana.

Venda exige receita médica

Apesar de serem popularmente chamadas de “canetas emagrecedoras”, as diferentes opções de agonistas de GLP-1 possuem indicações, doses e características próprias e não devem ser tratadas como equivalentes.

Desde 2025, a venda desses medicamentos no Brasil exige receita médica, que fica retida na farmácia. A medida foi adotada pela Anvisa diante do aumento do uso desses produtos sem acompanhamento adequado. A escolha do medicamento e a definição da dose devem ser feitas por um profissional de saúde, considerando as condições de cada paciente.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)

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