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O que é o vírus Nipah? Saiba tudo sobre e por que ele preocupa autoridades de saúde na Ásia

Doença altamente letal levou à quarentena de mais de 100 pessoas na Índia e mobilizou protocolos internacionais

Hannah Franco

Um novo surto do vírus Nipah voltou a colocar países asiáticos em estado de alerta. Na Índia, autoridades de saúde colocaram cerca de 110 pessoas em quarentena no estado de Bengala Ocidental após dois profissionais de saúde contraírem o vírus no início de janeiro. Altamente letal, sem vacina ou tratamento específico, a doença é considerada uma ameaça potencial de alcance global pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

🦠 Mas afinal, o que é o vírus Nipah, como ele é transmitido e por que preocupa especialistas em saúde pública?

Saiba a seguir como ocorre a infecção, quais são os principais sintomas, os riscos envolvidos e por que cada novo surto é acompanhado com atenção redobrada por governos e organismos internacionais.

O que é o vírus Nipah

Descoberto em 1999, o vírus Nipah é uma doença zoonótica — ou seja, transmitida de animais para humanos. Ele pode causar desde infecções respiratórias leves até quadros graves de encefalite, caracterizados por inflamação no cérebro, convulsões e rápida deterioração do estado clínico.

Segundo a OMS, a taxa de letalidade pode chegar a 75%, dependendo do surto e da capacidade de resposta do sistema de saúde local.

Como o vírus é transmitido

O principal reservatório natural do Nipah são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como “raposas-voadoras”. A infecção pode ocorrer de diferentes formas:

  • contato direto com morcegos ou porcos infectados;
  • consumo de alimentos contaminados, como frutas ou seiva de tamareira expostas à saliva ou urina de morcegos;
  • contato próximo com pessoas infectadas, por meio de fluidos corporais.
  • A transmissão entre humanos é um dos principais fatores de preocupação, especialmente em ambientes hospitalares.

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Quais são os sintomas da doença

O período de incubação do vírus Nipah costuma variar entre quatro e 14 dias, mas já houve registros de até 45 dias. Os primeiros sintomas são inespecíficos e podem se confundir com outras infecções virais.

😷 Entre os sinais iniciais estão:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • cansaço;
  • vômitos;
  • dor de garganta;
  • tosse e dificuldade para respirar.

Nos casos mais graves, a infecção pode evoluir rapidamente para:

  • encefalite (inflamação cerebral);
  • convulsões;
  • alterações do nível de consciência;
  • insuficiência respiratória;
  • coma, que pode surgir entre 24 e 48 horas após o agravamento do quadro.

O vírus Nipah tem cura ou vacina?

💉 Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico contra o vírus Nipah. O atendimento médico se limita ao suporte clínico, com foco no controle dos sintomas e em cuidados intensivos para pacientes em estado grave.

Por esse motivo, medidas como isolamento de casos, rastreamento de contatos e vigilância epidemiológica são consideradas fundamentais para conter surtos.

O registro recente de infecções na Índia levou países vizinhos a reforçarem protocolos de segurança. Na Tailândia, o Ministério da Saúde anunciou medidas de triagem em aeroportos internacionais que recebem voos provenientes de Bengala Ocidental.

Terminais como Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket intensificaram a limpeza de áreas comuns e o monitoramento de passageiros. De acordo com autoridades locais, mais de 300 pessoas foram examinadas, sem registro de casos suspeitos até o momento.

Onde já ocorreram surtos de Nipah

O primeiro grande surto ocorreu na Malásia, em 1999, deixando mais de 100 mortos e levando ao abate de cerca de um milhão de porcos. Desde então, a doença já foi registrada em países como Singapura, Bangladesh e Índia.

Bangladesh concentra o maior número de surtos recorrentes desde 2001. Na Índia, o estado de Kerala enfrentou episódios em 2013 e 2018, controlados com testagem em massa e isolamento rigoroso dos infectados.

Segundo a OMS, há risco potencial em outros países asiáticos e africanos, como Indonésia, Filipinas, Camboja, Madagascar e Gana, onde o vírus já foi identificado em populações de morcegos.