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O que é a esporotricose humana? Saiba os sintomas do fungo registrado em Marituba

Marituba registra os primeiros casos em humanos em 2026; doença fúngica também afeta gatos e exige atenção da população

Hannah Franco

A esporotricose humana é uma doença infecciosa causada por fungos do gênero Sporothrix e que tem gerado alerta das autoridades de saúde após o registro dos primeiros casos em humanos em Marituba, na Região Metropolitana de Belém. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, dois casos da doença foram confirmados no município até esta sexta-feira (23).

Os registros chamam atenção porque, no ano passado, não havia casos de esporotricose humana confirmados em Marituba. A doença é considerada uma zoonose, pois pode ser transmitida de animais para seres humanos, tendo os gatos como principais transmissores.

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Em 2025, Belém registrou 1.547 casos de esporotricose em felinos e 169 em humanos, representando um aumento de 172,4% nos casos em gatos e de 108% em humanos em relação a 2024, quando foram registrados 568 casos em felinos e 81 em pessoas.

Antes da confirmação dos casos em Marituba, a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa) já havia contabilizado 21 casos de esporotricose humana no Estado, sendo um em Belém e 20 em Ananindeua. A doença é uma das 19 micoses classificadas pelo Ministério da Saúde como endêmicas oportunistas e é a única com notificação compulsória.

"A Secretaria esclarece que o monitoramento da esporotricose humana é realizado de forma contínua, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde, com ações de vigilância epidemiológica, notificação dos casos, investigação da fonte de infecção, coleta de amostras para diagnóstico, oferta de tratamento aos pacientes confirmados e acompanhamento durante todo o período necessário", complementou a Prefeitura de Marituba.

O que é a esporotricose

A esporotricose é uma doença fúngica causada principalmente pela espécie Sporothrix brasiliensis. O fungo provoca infecções que atingem a pele e o tecido subcutâneo, podendo evoluir para formas mais graves, dependendo da quantidade do microrganismo e do estado imunológico da pessoa infectada.

A infecção ocorre, na maioria dos casos, quando o fungo entra no organismo por meio de ferimentos na pele ou nas mucosas. A doença também acomete felinos, que hoje são os principais hospedeiros e transmissores do fungo para outros animais e para o ser humano.

Como ocorre a transmissão da esporotricose

Os fungos do gênero Sporothrix foram identificados no final do século 19 e, até a década de 1990, estavam associados principalmente ao solo, plantas e vegetais em decomposição. Por isso, a doença era conhecida como “doença do jardineiro” ou “doença da roseira”.

Com o surgimento da espécie Sporothrix brasiliensis, identificada em 2007, o perfil da doença mudou. O fungo se adaptou à pele dos gatos, tornando os felinos os principais vetores da transmissão zoonótica.

A infecção pode ocorrer por meio de:

  • Arranhadura ou mordedura de gatos infectados;
  • Contato com ferimentos causados por espinhos, palha ou lascas de madeira;
  • Manuseio de vegetais em decomposição;
  • Contato direto com secreções de animais doentes.

Principais sintomas da esporotricose

Os sintomas surgem após a inoculação do fungo na pele e podem variar conforme a forma clínica da doença. Inicialmente, a lesão pode se assemelhar a uma picada de inseto, evoluindo para feridas ou nódulos.

As principais formas clínicas incluem:

  • Esporotricose cutânea: lesão única ou múltiplas feridas na pele;
  • Esporotricose linfocutânea: forma mais comum, com nódulos que seguem o trajeto dos vasos linfáticos, principalmente nos membros;
  • Esporotricose extracutânea: acomete ossos, articulações e mucosas;
  • Esporotricose disseminada: atinge vários órgãos e sistemas do corpo.

Em casos mais graves, o fungo pode atingir os pulmões, causando sintomas semelhantes aos da tuberculose, como tosse, falta de ar, dor ao respirar e febre. O período de incubação pode variar de uma semana até seis meses.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da esporotricose é feito por meio da avaliação clínica, análise epidemiológica e exames laboratoriais, com isolamento do fungo a partir de material coletado das lesões. Em casos mais graves, amostras de sangue, escarro ou líquidos corporais também podem ser analisadas.

O tratamento é realizado com antifúngicos e deve ser acompanhado por um médico. A duração pode variar de três meses a um ano, até a cura completa. Os medicamentos mais utilizados são itraconazol, iodeto de potássio, terbinafina e anfotericina B, esta última indicada para formas graves e disseminadas. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente alguns desses medicamentos.

A eutanásia de animais infectados é indicada apenas em último caso ou quando não há possibilidade de tratamento.

Medidas de prevenção

Para evitar a transmissão da esporotricose, as autoridades de saúde recomendam:

  • Evitar que gatos tenham acesso à rua;
  • Isolar animais doentes durante todo o tratamento;
  • Castrar os animais para reduzir brigas e disseminação do fungo;
  • Utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) ao manusear animais suspeitos;
  • Realizar a higienização dos ambientes com hipoclorito;
  • Não abandonar animais doentes;
  • Realizar a cremação de cadáveres de animais infectados para evitar a contaminação do solo.

A Secretaria Municipal de Saúde de Marituba informou que mantém o monitoramento contínuo da esporotricose humana, com ações de vigilância epidemiológica, notificação, investigação da fonte de infecção, oferta de tratamento e acompanhamento dos pacientes, conforme os protocolos do Ministério da Saúde.