Conheça a convulsão, quadro que causa uma ‘descarga elétrica’ no cérebro
O quadro se caracteriza pela contração involuntária da musculatura, resultando em movimentos desordenados e perda de consciência
“Uma crise convulsiva é uma despolarização errada, como se fosse uma descarga elétrica em determinada região do cérebro”, diz o médico neurologista André Luis Borba Lima, de Belém. Cerca de 65 milhões de pessoas sofrem com convulsões em todo o mundo, segundo dados da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE). O quadro se caracteriza pela contração involuntária da musculatura, resultando em movimentos desordenados e perda de consciência.
Na última semana, a condição de saúde se tornou um dos tópicos mais comentados nas redes sociais, após a saída do ator Henri Castelli do BBB 26. Henri apresentou crises convulsivas e precisou deixar a casa para atendimento médico. De acordo com o neurologista André Lima, existem diferenças entre as crises conforme a área do cérebro que é afetada.
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“Se for na região motora, o paciente acaba tendo crises de espasmos musculares. Se for na área visual, pode ter alguma alucinação visual na região temporal, alucinação auditiva ou olfatória”, explica o médico. As crises podem ser classificadas como crises focais, quando a área atingida é a visual, sendo divididas, ainda, em crises perceptivas, quando o paciente tem consciência do que está acontecendo. Já na crise não perceptiva, o paciente não percebe que está começando a ter ou tendo uma crise convulsiva.
As crises focais podem ter uma generalização subsequente, onde a descarga elétrica se alastra para outras regiões próximas, atingindo os dois hemisférios do cérebro humano. “As mais comuns são as crises tônico-clônica generalizadas, que é o que o Henri Castelli teve no Big Brother. As alterações de consciência são dependentes da localização ou extensão da área de despolarização errada ou exacerbada no cérebro”, diz o especialista.
Causas
Há uma diferença entre as síndromes epilépticas, que geralmente são síndromes genéticas
iniciadas na primeira infância ou no período neonatal, da epilepsia iniciada no adulto ou na criança, que se diferenciam da crise convulsiva provocada por outro fator, como quadros de infecção ou febre, que costumam atingir mais o público infantil e idoso. O paciente é considerado epilético quando há o registro de duas ou mais convulsões.
Já a convulsão é um sintoma, e apresentá-lo não significa, por si só, que o paciente é epilético. “Nesses casos, o paciente não é necessariamente considerado epilético, mas são fatores externos ao cérebro, o que pode acabar levando à uma crise convulsiva. Outros fatores que acabam levando a crise convulsiva são lesões que acometem o próprio cérebro. Então, uma infecção, uma meningite, uma inflamação, um trauma, um acidente vascular cerebral ou isquêmico ou hemorrágico, um tumor. Se tiver alguma alteração na estrutura do cérebro, isso pode gerar um foco irritativo e levar o paciente a ter crises”, afirma o neurologista.
Além disso, situações que causam estresse cerebral, como falta de sono adequado e excesso de tempo em telas, por exemplo, também são fatores de risco para uma crise convulsiva, segundo André. “Uso de álcool, psicoestimulantes, energéticos e algumas drogas, como cocaína e psicodélicos, que acabam estimulando o sistema nervoso central, podem favorecer essa despolarização errada ou exacerbada do cérebro, levando a uma crise convulsiva”, complementa.
Crise não possui sinais específicos
O médico destaca que não há nenhum sinal ou sintoma quando um paciente está prestes a ter uma crise convulsiva. “O que existe são alguns pródromos, como um mal estar inespecífico, ou mesmo crises focais. Essas crises podem ser formigamento, espasmo muscular ou mesmo uma dor epigástrica”, diz André. Ele reforça que esses comportamentos já são característicos de uma crise em andamento, e que não há como pressupor o quadro.
O tratamento para pessoas com convulsão começa com a definição de qual tipo o paciente possui, e se ele possui ou não epilepsia. Já a internação só ocorre quando o paciente possui crises frequentes ou não recobra a consciência depois da crise. “Se a crise durar mais de cinco minutos, existem algumas medicações da classe dos benzodiazepínicos. Caso o paciente não melhore, pode entrar com algum anticonvulsivante propriamente dito. Se ele não melhorar, ele precisaria ficar com o opióide, sedado, para diminuir a atividade elétrica”, explica.
A região amazônica conta com um clima quente e úmido. Quando a temperatura está extremamente alta, ou em momentos em que uma multidão se reúne, como no Círio de Nazaré, o médico André Lima explica que o que pode ocorrer é uma síncope convulsiva. “Na verdade, o paciente acaba tendo uma síncope cardiogênica e por uma baixa de fluxo cerebral, leva a uma crise convulsiva, mas não necessariamente o calor, a umidade vão levar o paciente ter uma uma descarga elétrica primeiramente cerebral”, avalia.
Nesse caso específico, a crise surgiria por conta de uma diminuição do fluxo sanguíneo, levando a condição de deficiência de oxigênio, conhecida como hipóxia. “E como consequência, temos o sofrimento temporário do cérebro e essa seria a causa da crise convulsiva. A desidratação, ela pode levar mais por uma uma variação de nível plasmático da medicação. De qualquer forma não seria algo muito visto como desencadeador de crise”, finaliza.
Veja como ajudar uma pessoa em crise convulsiva
- Ter calma ao se deparar com um episódio de crise convulsiva
- Deixar o paciente confortável e evitar que ele coloque a mão na boca, já que, nesse momento, ele passa a ter uma maior força e pode ter ferimentos graves ao morder o dedo
- Proteger a cabeça do paciente e deixá-lo de lado para evitar vômito
- Se a crise durar mais de cinco minutos, deve-se levar o paciente ao hospital
- Para os pacientes epiléticos, evitar o esquecimento da medicação, não trocar o laboratório da fabricante do medicamento, evitar o uso de drogas de drogas ilícitas ou mesmo lícitas, mas que levam a uma alteração de cerebral, como o álcool
Fonte: neurologista André Luis Borba Lima
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades
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