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Anvisa restringe uso de cúrcuma em suplementos após risco ao fígado; entenda

A decisão do órgão acompanha um movimento global de atenção ao uso de suplementos à base de cúrcuma.

Gabrielle Borges

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu novas regras para a comercialização de suplementos alimentares à base de cúrcuma no país. A medida, publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (22), define limites de dosagem e torna obrigatória a inclusão de advertências nos rótulos desses produtos.

A atualização ocorre após registros de casos raros de inflamação e lesões no fígado associados ao consumo de compostos derivados da cúrcuma. Com isso, a agência revisa normas em vigor desde 2018 e passa a estabelecer, pela primeira vez, parâmetros considerados seguros para ingestão diária da substância em suplementos.

Novas regras

Pelas novas regras, os suplementos destinados a adultos devem seguir limites específicos de consumo:

  • Ingestão mínima de 80 mg por dia de curcuminoides
  • Limite máximo de 130 mg por dia de curcumina
  • Limite máximo de 120 mg de tetraidrocurcuminoides por dia

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Além da padronização das doses, a Anvisa também determinou a inclusão de um alerta obrigatório nos rótulos. A advertência deve informar que o uso não é recomendado para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com problemas hepáticos, biliares ou úlceras gástricas.

O setor terá um prazo de até seis meses para se adequar às novas exigências. Nesse período de transição, a comercialização dos suplementos segue permitida, desde que as informações de alerta estejam disponíveis ao consumidor, inclusive por meio de canais digitais e serviços de atendimento.

Aumento de casos e alerta internacional

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha um movimento global de atenção ao uso de suplementos à base de cúrcuma. Avaliações conduzidas por órgãos internacionais apontaram casos suspeitos de toxicidade hepática associados principalmente a versões mais concentradas desses produtos.

Agências reguladoras de países como França, Canadá, Itália e Austrália já haviam emitido alertas após registros de efeitos adversos, incluindo episódios de hepatite relacionados ao consumo de suplementos com cúrcuma.

De acordo com a Anvisa, o principal ponto de atenção está em formulações que potencializam a absorção da curcumina, substância ativa da cúrcuma. Esse aumento na biodisponibilidade pode elevar a quantidade efetivamente metabolizada pelo organismo, o que está no centro das investigações sobre os possíveis riscos ao fígado.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Felipe Saraiva, editor web de OLiberal.com)