Prefeitura quer explicação de ONG de amiga de Mário Frias por R$ 13,4 milhões em 'Dark Horse'

Entidade de Karina da Gama, produtora de filme de Bolsonaro, é cobrada por falta de notas fiscais e serviços não especificados

Estadão Conteúdo

A Prefeitura de São Paulo pediu explicações ao Instituto Conhecer Brasil por despesas realizadas no primeiro semestre do ano passado. Os gastos estão relacionados a um contrato para instalação de pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista.

O Instituto Conhecer Brasil é uma organização não governamental (ONG) presidida por Karina da Gama. A empresária é amiga de Mário Frias e proprietária da Go Up Entertainment, responsável pela produção de "Dark Horse", filme inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A entidade deve prestar esclarecimentos por pagamentos que somam R$ 13,4 milhões. Deste montante, R$ 906 mil foram sinalizados para "restituição imediata" caso os gastos não sejam justificados adequadamente.

Investigação sobre gastos e contratos

Em 2024, a entidade firmou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, aditado posteriormente em R$ 49 milhões. Este convênio está sob a mira da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude e desvio de dinheiro público. A corporação investiga possíveis desvios da verba para o financiamento do filme de Bolsonaro.

A Prefeitura oficiou a ONG da produtora de "Dark Horse" por gastos sem devida comprovação por notas fiscais. Em outros casos, a gestão municipal apontou a ausência de especificação dos serviços prestados.

Karina da Gama confirmou o recebimento do ofício em 6 de julho, uma segunda-feira. A entidade tem um prazo de 30 dias para apresentar os esclarecimentos solicitados. Em nota, a Prefeitura afirmou que o ofício "confirma o trabalho sério e rigoroso de fiscalização ativa da parceria". Karina, pela entidade, declarou que atenderá a diligência "com a máxima brevidade e transparência".

Verbas glosadas e conflito de interesses

A administração municipal glosou R$ 906 mil para "restituição imediata". Segundo o ofício, essas despesas são relativas a notas fiscais canceladas.

"Estamos em conjunto com os fornecedores e parceiros, reunindo toda a documentação e as informações complementares solicitadas", afirmou a presidente da organização.

Das 41 despesas sinalizadas como suspeitas pela Prefeitura, quatro foram destinadas à empresa Complexsys, totalizando R$ 2,2 milhões.

O Estadão revelou que, em dezembro de 2024, o Instituto Conhecer Brasil fez dois pagamentos à Complexsys, somando R$ 1,3 milhão. Na época, um dos sócios da Complexsys também era dirigente da entidade, configurando um conflito de interesses vedado pela legislação. Em março de 2025, o sócio deixou a diretoria da ONG, mas houve mais pagamentos da entidade para a empresa nos meses seguintes.

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