Preço da gasolina cai, mas queda pode não se refletir de imediato na bomba em Belém

Dieese Pará aponta que, historicamente, custos logísticos impedem que reduções cheguem rápido ao consumidor final

O Liberal
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A Petrobras reduziu o preço da gasolina em 5,2% para as distribuidoras, em todo o país, a partir desta terça-feira (27). Na prática, o preço médio da gasolina A passa a ser de R$ 2,57 por litro. A redução é de R$ 0,14 por litro. O diesel não teve valor alterado.

Em Belém, condutores e trabalhadores, ouvidos pela reportagem, mostram otimismo com a notícia, no entanto, o Dieese Pará (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) observa que fatores como os custos logísticos regionais, impedem, historicamente, que reduções cheguem rapidamente na bomba para o consumidor final.

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"Essa redução no preço do litro da gasolina no atacado, pode ser um sinal de possível alívio nos preços ao consumidor final no curto prazo, mas seu impacto depende de fatores como repasses das distribuidoras e postos, estrutura tributária (especialmente do ICMS) e custos logísticos regionais. Historicamente, ajustes no preço de venda ao distribuidor não se refletem imediatamente na bomba", avalia Everson Costa, supervisor técnico do Dieese Pará.

'Às vezes, quedas nos preços nem acontecem no Pará', diz Dieese

Costa acrescentou: "Na grande maioria dos casos, os aumentos chegam rapidamente, antes até da data sinalizada para mudança e no caso das quedas as mudanças são raras e por vezes sequer acontecem”.

Na tarde desta segunda-feira (26), o motorista de aplicativo, Fábio Monteiro, de 42 anos, abastecia o carro em um posto de gasolina em Belém, e disse que observou alta no preço, neste início de ano na cidade. “Um tempo atrás, eu abastecia até R$ 5,39, (o litro), e agora vou abastecer a R$ 6,55, a gasolina comum. Eu geralmente pesquiso para encontrar um posto mais em conta, por ser motorista de aplicativo, principalmente”, disse Fábio.

A análise do Dieese Pará aponta que 2026 já começou com alta no preço médio da gasolina comercializada nos postos de combustíveis no Pará. De acordo com o Dieese, com base em dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), na comparação entre a semana de 11 a 17 de janeiro de 2026 e o período de 28 de dezembro de 2025 a 03 de janeiro de 2026, observa-se aumento em todos os combustíveis pesquisados.

"No caso da Gasolina comum, combustível de maior peso no orçamento das famílias e nos gastos com mobilidade, houve aumento acumulado de 1,13%, passando de R$ 6,18 para R$ 6,25”, ressalta o Dieese, que também destaca que a “alta também foi influenciada pela recente decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que autoriza a atualização dos Preços Médios Ponderados ao Consumidor Final (PMPF), utilizados como base de cálculo para a cobrança do ICMS sobre os combustíveis”.

Pará tem mais de 1.700 postos de combustíveis

Procurado, sobre a alta de 1,113%, apontada pelo Dieese Pará, para a gasolina no início do ano no Pará, o Sindicombustíveis Pará, entidade que representa os postos de combustíveis e lojas de conveniência no estado, informou: "É importante esclarecer, primeiro, que a pesquisa divulgada pelo Dieese Pará apenas reproduz dados da ANP e é feita por amostragem. Na última coleta, foram verificados preços em 97 postos, enquanto o Pará possui hoje mais de 1.700 postos autorizados pela ANP, o que significa que os números não refletem a totalidade do mercado".

"Além disso, é fundamental afastar uma premissa equivocada: não existe dependência de movimentação da Petrobras para aumentos ou reduções nas bombas. A Petrobras não autoriza, não determina e não veda reajustes de preços. Isso simplesmente não existe no Brasil. O setor opera em regime de preços livres, por expressa previsão legal", afirmou o advogado do Sindicombustíveis, Pietro Gasparetto.

Quanto a uma data precisa sobre quando o preço da gasolina vai cair na bomba para o consumidor final no Pará, Gasparetto informou: “Não é possível estabelecer uma data. Não existe correlação obrigatória entre a redução anunciada pela Petrobras e o preço na bomba, pois a Petrobras não é a única refinaria do país. Ela é apenas uma das fornecedoras, e o preço que divulga refere-se exclusivamente ao combustível que ela própria vende”, afirmou o advogado do Sindicombustíveis.

Queda pode nem ser sentida pelo consumidor final

"A queda só poderá chegar ao consumidor se e quando as distribuidoras efetivamente repassarem essa redução aos postos. Isso já ocorreu diversas vezes no passado: a Petrobras reduz o preço na refinaria, mas as distribuidoras não repassam a redução, total ou parcialmente. Se o posto não comprar mais barato, ele não tem como vender mais barato. O preço final dependerá da realidade de cada empresa, de seus custos e do ambiente concorrencial”, complementou Gasparetto.

Pietro enfatizou que “o preço da gasolina é composto por diversos custos que sofrem variação constante. Um exemplo atual relevante é o etanol anidro, que hoje representa 30% da composição da gasolina e que, desde janeiro, acumulou alta superior a 5%, com impacto aproximado de R$ 0,17 no preço final, independentemente de qualquer movimentação da Petrobras”.

Trabalhadores mantêm otimismo com anúncio da redução

Na ponta, os trabalhadores aguardam a redução do preço com otimismo. “Espero que realmente essa redução venha e a gente consiga ter esse valor considerado aqui no nosso dia a dia. Para que a gente consiga ver resultados, principalmente para quem roda o aplicativo”, disse o motorista de aplicativo, ouvido no início da reportagem, Fábio Monteiro.

Por sua vez, o assessor administrativo, Igor Neves, de 29 anos, também mostrou boa expectativa frente ao anúncio da Petrobras. “Eu rodo muito, trabalho em vários municípios, espero que venha melhora mesmo”, disse ele, que abastecia o carro no mesmo posto de gasolina que Fábio Monteiro, na tarde da última segunda-feira.

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