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Novo superintendente no Pará prioriza sustentabilidade e fortalecimento do campo

“Precisamos produzir com preservação, sustentabilidade, elevando a competitividade e garantindo segurança alimentar”, afirmou Cleber

Gabi Gutierrez
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O novo superintendente da Agricultura e Pecuária no Pará, Cleber Rezende destacou a defesa sanitária, o fortalecimento da produção sustentável e o apoio aos pequenos produtores como prioridades da nova gestão. Em entrevista concedida ao Grupo Liberal, o gestor também afirmou que pretende ampliar o diálogo com instituições públicas, produtores rurais, cooperativas e entidades do setor agropecuário para fortalecer as cadeias produtivas estratégicas do estado.

“Precisamos produzir com preservação, sustentabilidade, elevando a competitividade e garantindo segurança alimentar”, afirmou Cleber Rezende ao defender uma atuação integrada entre assistência técnica, inovação e preservação ambiental. Segundo ele, o Pará ocupa posição estratégica no cenário nacional, tanto pela força da pecuária quanto pelo protagonismo em culturas como cacau, mandioca, açaí e abacaxi.

Leia na íntegra:

O senhor assume agora a superintendência aqui no estado. Qual o senhor diria que é a principal prioridade ou a maior necessidade da superintendência neste momento?

Cleber Rezende: O Pará ocupa hoje uma posição estratégica no cenário nacional do agronegócio e da produção agrícola. Nós somos o segundo maior produtor de rebanho bovino do país e mantemos um status sanitário extremamente importante, que é o reconhecimento de estado livre de febre aftosa sem vacinação. Isso exige atenção permanente, responsabilidade e muito trabalho técnico, porque esse reconhecimento impacta diretamente a economia do estado, principalmente no setor de exportação.

Então, uma das nossas prioridades será justamente manter esse padrão sanitário e fortalecer ainda mais os mecanismos de fiscalização e acompanhamento da produção animal. Isso garante competitividade para os nossos produtores e segurança para os mercados que compram os produtos do Pará.

Mas o nosso estado não se resume apenas à pecuária. O Pará também tem um papel muito importante na produção agrícola nacional. Somos o maior produtor de cacau do Brasil, o maior produtor de mandioca e temos destaque também na produção de abacaxi, disputando as primeiras posições no ranking nacional. São cadeias produtivas fundamentais para a geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico em várias regiões do estado.

Por isso, nossa atuação será voltada para fortalecer a produção com responsabilidade ambiental. Precisamos produzir cada vez mais, mas com sustentabilidade, preservando nossos recursos naturais e garantindo competitividade. O Ministério tem um papel fundamental nisso, porque além de apoiar o desenvolvimento econômico, também é responsável por assegurar a sanidade e a qualidade dos alimentos que chegam à mesa da população.

O senhor falou do cacau, que realmente é um dos grandes destaques do Pará. Mas recentemente também houve debates sobre questões como drawback, custos de produção e dificuldades enfrentadas pelo setor. Como o senhor espera atuar nessa pauta para fortalecer não apenas o cacau, mas também outros segmentos da produção agrícola paraense?

O Ministério da Agricultura, por meio da superintendência, exerce um papel muito importante de coordenação institucional. Nós trabalhamos integrando órgãos, instituições de pesquisa, assistência técnica e entidades que ajudam a elevar a qualidade da produção no estado.

Hoje nós temos parceiros estratégicos como a CEPLAC, a Embrapa, universidades e diversos órgãos ligados à ciência, tecnologia e inovação. O nosso objetivo é justamente aproximar cada vez mais o conhecimento científico da realidade dos produtores rurais.

Precisamos investir em tecnologia e inovação voltadas para a sustentabilidade. O mundo exige hoje uma produção que combine produtividade com preservação ambiental. Então, o desafio é agregar valor aos produtos do Pará, melhorar os processos produtivos, fortalecer a comercialização e ampliar a competitividade da produção paraense no mercado nacional e internacional.

Isso vale para o cacau, para a mandioca, para o açaí e para todas as cadeias produtivas importantes do estado. O produtor precisa ter condições de produzir, gerar renda, permanecer no campo e continuar investindo na qualidade dos seus produtos. Esse é um dos grandes desafios que teremos pela frente.

E como o senhor espera fazer com que essas ações realmente cheguem aos produtores aqui do estado?

Nós já estamos iniciando algumas ações importantes. Neste momento, por exemplo, estamos assinando o repasse de mais de dois milhões de reais para a Emater, dentro de uma parceria entre o Governo Federal e o Governo do Estado do Pará.

A Emater tem um papel fundamental porque está presente nos municípios e atua diretamente com assistência técnica e extensão rural. Então, fortalecer a atuação da Emater significa fortalecer o produtor rural na ponta.

Também vamos trabalhar em parceria com as prefeituras e com outros órgãos públicos para melhorar a infraestrutura do estado. Um exemplo é o Promac, que disponibiliza máquinas e equipamentos para auxiliar na recuperação de estradas e no escoamento da produção rural.

Além disso, temos programas importantes como o Caminho Verde e o ABC+, que incentivam produção sustentável, baixa emissão de carbono, tecnologia e inovação no campo. São programas que ajudam o produtor a produzir mais, com mais qualidade e respeitando o meio ambiente.

Nosso papel será justamente articular essas políticas públicas e garantir que elas cheguem efetivamente aos produtores, tanto os grandes quanto os pequenos.

O senhor tem uma trajetória marcada pela atuação sindical. Como essa experiência pode influenciar sua gestão à frente da superintendência?

Minha trajetória no movimento sindical sempre foi marcada pelo diálogo. Eu acredito muito na construção coletiva, na negociação e na abertura de canais de conversa entre os diferentes setores.

No movimento sindical, nós dialogávamos com trabalhadores, empresários, governos e instituições para construir soluções e garantir direitos. Essa experiência me ensinou que é impossível avançar sem ouvir as pessoas e sem construir consensos.

Agora, na superintendência, esse diálogo continuará sendo fundamental. Precisaremos conversar permanentemente com instituições do Governo Federal, do Governo do Estado, das prefeituras, com o setor produtivo, com entidades como a FAEPA, sindicatos, cooperativas, associações e movimentos ligados à agricultura familiar.

Cada setor tem sua realidade, suas dificuldades e suas potencialidades. Nosso papel será justamente aproximar esses atores e construir soluções conjuntas para fortalecer a produção e o desenvolvimento econômico do Pará.

A regularização fundiária ainda é uma pauta muito importante no Pará. Como o senhor imagina que a superintendência pode atuar nesse processo e também no enfrentamento das práticas ilegais no campo?

A regularização fundiária é uma questão central para o desenvolvimento do estado. Quando o produtor tem o título da sua propriedade, ele passa a ter segurança jurídica e consegue acessar políticas públicas com muito mais facilidade.

Isso impacta diretamente no acesso ao crédito, ao financiamento, à assistência técnica e até mesmo na comercialização da produção. O produtor regularizado consegue investir mais, produzir melhor e ter mais estabilidade.

Nós tivemos, inclusive, a presença do Banco do Brasil durante o ato de posse, mostrando a importância dessa integração entre os órgãos públicos e as instituições financeiras.

A superintendência terá um papel importante de articulação junto ao ITERPA, ao INCRA e aos demais órgãos responsáveis pela regularização fundiária. Precisamos fortalecer esse diálogo para garantir mais segurança aos produtores rurais e combater práticas ilegais que prejudicam o desenvolvimento sustentável do estado.

E de que forma a superintendência pretende atuar especificamente em favor dos pequenos produtores?

O pequeno produtor normalmente enfrenta mais dificuldades de acesso à tecnologia, assistência técnica, financiamento e infraestrutura. Enquanto o grande produtor muitas vezes já possui uma estrutura consolidada, o pequeno agricultor ainda precisa de mais apoio do poder público.

Por isso, nosso olhar será muito atento para a agricultura familiar, para os pequenos produtores, para os ribeirinhos e para as comunidades tradicionais.

Precisamos garantir que tecnologia, inovação, crédito e assistência técnica cheguem até essas pessoas. O pequeno produtor precisa ter condições de aumentar sua produtividade, melhorar a qualidade da produção e ampliar sua renda.

Vamos trabalhar em parceria com cooperativas, sindicatos, associações e movimentos sociais justamente para fortalecer essa rede de apoio ao pequeno produtor.

Além disso, programas de infraestrutura, como o Promac, também podem ajudar bastante na melhoria das condições de produção e escoamento dessas comunidades.

 Como a superintendência vê políticas como o seguro defeso e outras ações voltadas aos pescadores? 

O seguro defeso é extremamente importante para os trabalhadores da pesca aqui no Pará. Nós temos uma produção pesqueira muito forte e milhares de famílias dependem diretamente dessa atividade para sobreviver.

O seguro garante proteção ao pescador durante os períodos em que a pesca precisa ser interrompida para preservação das espécies. Isso é importante tanto do ponto de vista social quanto ambiental.

Nós temos uma parceria importante com a superintendência da pesca aqui no estado, e essa integração será fundamental para ampliar o acesso dos pescadores às políticas públicas, ao financiamento e aos programas de apoio ao setor.

Além disso, o Ministério também atua no controle sanitário e na fiscalização da qualidade do pescado que chega ao consumidor final. Então, existe toda uma preocupação com segurança alimentar e qualidade dos produtos.

E como o senhor avalia a importância da cadeia produtiva do açaí para o estado?

O açaí é uma das maiores riquezas do Pará e precisa estar no centro das nossas atenções. Estamos falando de uma cadeia produtiva gigantesca, que movimenta a economia, gera empregos e garante renda para milhares de famílias, especialmente ribeirinhos e pequenos produtores da Amazônia.

O açaí faz parte da cultura alimentar do paraense, mas também ganhou espaço nacional e internacional. Então, precisamos pensar em estratégias que garantam produtividade, qualidade, preço justo para o consumidor local e ampliação da capacidade de exportação.

Também precisamos olhar para quem está na base dessa cadeia produtiva, que são os trabalhadores ribeirinhos, os agricultores familiares e as comunidades tradicionais que vivem diretamente da produção do açaí.

Nosso objetivo será fortalecer essa cadeia com assistência técnica, inovação, sustentabilidade e políticas públicas que ajudem esses produtores a aumentar sua renda e melhorar suas condições de vida.

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