VÍDEO: Mendonça vai antecipar voto e articula para Fachin e Fux votarem sobre Moraes
Relatoria sobre o caso passou para o presidente do tribunal, Edson Fachin
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pretende antecipar seu voto na sessão desta terça-feira, 15, no julgamento que vai decidir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A intenção de Mendonça é expor sua decisão mesmo se já houver um pedido de vista no início da deliberação.
Mendonça era o relator do caso, mas a relatoria passou para o presidente do tribunal, Edson Fachin, no fim de semana, após acordo de bastidores entre ambos. Com a mudança, Fachin vota primeiro. Diante da expectativa de que aliados de Moraes apresentem pedido de vista para suspender a análise por até 90 dias, há uma articulação nos bastidores para que Mendonça, o próprio Fachin e o ministro Luiz Fux apresentem seus votos antes da paralisação formal do julgamento.
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Magistrados do tribunal e de outras cortes federais em Brasilia trabalham com a expectativa de que haverá muito tumulto até a Suprema Corte decidir se vai investigar Moraes. Nos corredores do STF, interlocutores dos gabinetes avaliam que, na própria sessão desta terça, o grupo próximo a Moraes deve conturbar a deliberação para tentar forçar Fachin a suspender a sessão e barrar a apresentação dos votos antecipados.
No fim de semana, por meio de uma guerra de ofícios e de pressão junto a Fachin, esse grupo já deu sinais do modus operandi.
O ministro Gilmar Mendes solicitou o julgamento conjunto dos pedidos de investigação de Alexandre de Moraes e de André Mendonça. Este feito pelo próprio Moraes, de ofício, com base em um relatorio apócrifo da Policia Federal, sem valor probatório, como diz o documento.
Em outra investida, o ministro Cristiano Zanin se juntou a Gilmar e ao próprio Moraes para exigir o acesso ao conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, material sob posse da Polícia Federal.
E, em uma frente paralela, Flávio Dino adotou medidas no inquérito das emendas parlamentares que também ajudam a criar uma cortina de fumaça sobre o escândalo e as suspeitas que pesam contra Moraes.
Dino determinou desdobramentos no caso Dark Horse e a deflagração de operação contra o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), parlamentar próximo a Mendonça e apontado como intermediário da reunião do ministro com Vorcaro.
Embora os dois casos precisem ser apurados, o timing é orquestrado com os interesses de Moraes e do Palácio do Planalto de tentar descredibilizar Mendonça e evitar o julgamento antes das eleições.
Integrantes da magistratura avaliam nos bastidores que a atuação desse grupo, chamado de o quarteto -, composto por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, envolve a preocupação com a própria sobrevivência. O eventual retorno do bolsonarismo ao poder amplia o risco de processos de impeachment e, com as novas nomeações a serem feitas para vagas que serão abertas no STF, deixaria os quatro isolados.
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