Haddad diz que nem Doria nem Tarcísio queriam ser governadores de SP: Estavam de Passagem

Estadão Conteúdo

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 10, avaliar que tanto o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quanto seu antecessor, João Doria (então no PSDB), não tinham como objetivo permanecer no comando do Estado.

"Perdoe-me a sinceridade, mas eu acredito no que estou falando: tanto Doria quanto Tarcísio não queriam ser governadores, na minha opinião", disse Haddad. "Estavam de passagem, pensando em voos mais longos."

Embora setores da elite financeira e do Centrão defendessem sua candidatura à Presidência, Tarcísio sempre afirmou publicamente que disputaria a reeleição ao governo de São Paulo. Doria, por sua vez, pretendia concorrer ao Palácio do Planalto em 2022, mas não conseguiu viabilizar a candidatura diante de resistências internas e de uma divisão no PSDB.

"Ninguém pode ser condenado por ser ambicioso, por ter pretensões. Não é disso que estou falando", continuou Haddad. "Mas, quando você está em uma cadeira, tem que estar pensando na sua missão naquela cadeira. Tudo bem ambicionar outras coisas, mas o que eu vi foi uma falta de foco no Estado."

O ex-ministro da Fazenda afirmou ainda que as finanças de São Paulo passam por uma deterioração que não era vista desde antes do governo de Mário Covas (1995-2001). Segundo ele, o Estado só conseguiu encerrar o ano graças à renegociação da dívida promovida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que teria injetado R$ 13 bilhões nos cofres estaduais, apesar de, em sua avaliação, ter sido realizada por um preço baixo.

O petista disse ainda que São Paulo registrou, no ano passado, o maior déficit de suas contas públicas em muitas décadas e que a renegociação da dívida garantiu ao Estado uma folga anual de R$ 11 bilhões. Segundo Haddad, as tratativas foram conduzidas por ele, a pedido de Lula, em conjunto com o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

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