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Esportes ajudam a promover a inclusão social em Belém

"Bike Inclusiva" atende pessoas com deficiência intelectual e múltipla no Porto Futuro

Elisa Vaz

Mais do que uma ferramenta para alcançar a vida saudável, a prática esportiva é capaz de transformar vidas, especialmente as de pessoas que veem no esporte uma forma de ter mais acessibilidade. Pensar esta prática como instrumento de inclusão social, para que políticas públicas sejam criadas neste sentido, é um desafio para os grupos que se mobilizam pela causa.
A atuação do projeto Bike Inclusiva é voltada para as pessoas com deficiência intelectual e múltipla, com uma proposta inovadora na prática do ciclismo para o desenvolvimento da educação especial e inclusiva. O objetivo é incentivar e divulgar o uso da bicicleta para a melhoria da qualidade de vida da pessoa com deficiência intelectual e múltipla, por meio do desenvolvimento do cognitivo, percepção corporal, coordenação motora, lateralidade, sensoriais e sociais, autogestão, autonomia e educação para o trânsito. O grupo utiliza, em sua metodologia, dinâmicas adaptadas e lúdicas.
Pedagogo com especialização em educação especial e inclusive, o coordenador e professor do Bike Inclusiva, Ivan Feitosa de Arruda Júnior, conta que sua experiência com a educação especial começou há quase duas décadas, quando trabalhava na Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Ele também já atuou na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Belém (Apae), na Coordenadoria de Educação Especial e no Atendimento Educacional Especializado (AEE) de uma escola. Paralelo a esse trabalho, Ivan também já era adepto do ciclismo e teve a ideia de montar o projeto voltado para a educação especial inclusiva, com objetivo pedagógico, inclusivo e terapêutico, há cinco meses.
“Para participar, é só querer e ter força de vontade para quebrar as barreiras do preconceito e discriminação e das diferenças. Todos  os alunos do projeto Bike Inclusiva dão exemplos de superação, potencial e habilidades, conseguindo demonstrar que podemos realizar a inclusão. O ciclismo como ferramenta tem tudo a ver com a inclusão social; quando nossos alunos do projeto aprendem a pedalar eles têm a sensação de liberdade, conquista e igualdade . Eles ampliam seus conhecimentos de lugares e ciclos de amizades”, comenta o professor.
Ivan ainda diz que muitas mães têm o sonho de ver seus filhos andarem de bicicleta. “Quando isso acontece é só alegria, principalmente quando a família pensa que eles não têm condições, aí é surpreendente ver a felicidade de todos. Quando eu vejo uma mãe pedalando lado a lado, sinto como se tivesse feito um gol e o dever cumprido, me sinto realizado com essa missão”.
Hoje, o projeto tem 52 alunos, 12 bicicletas e 8 capacetes, e é realizado no Porto Futuro, complexo que fica na avenida Visconde de Souza Franco, a Doca, de segunda a sexta-feira, das 15h30 e 17h. Para que o aluno participe das aulas, é preciso ter a presença de responsáveis, mesmo que o local tenha espaço e segurança para os participantes desenvolverem as atividades. Após a matrícula, o mediador orienta os alunos a usarem as bicicletas com total segurança e a coordenação supervisiona o atendimento. O projeto conta com trabalho voluntário e precisa de padrinhos e madrinhas para adquirir novas bicicletas, capacetes, óculos de proteção, bombas, câmaras, camisas, para revisão nas bicicletas e lanches.

Ciclismo ainda enfrenta desafios
Líder da União dos Coordenadores de Bike do Pará (UCB-PA), o ciclista Arnaldo Villar explica que o projeto faz parte da entidade, na frente de responsabilidade social. A União tem o intuito de criar um estímulo às crianças que possuem algum tipo de deficiência, para que elas tenham a expansão do conhecimento cognitivo e não fiquem paradas dentro de casa. “Queremos que a sociedade conheça e reconheça esse público e, acima de tudo, tenha respeito a essas pessoas que também são cidadãs. Queremos também que o projeto tenha mais alcance na Região Metropolitana e que as pessoas ajudem, para que cada aluno tenha sua própria bicicleta, sem depender do projeto para pedalar”, enfatiza Arnaldo.
Sendo um instrumento de prática esportiva, qualidade de vida e sustentabilidade, o ciclismo ainda enfrenta muitos desafios, segundo o coordenador da União. Entre eles está a melhoria da qualidade das ciclovias em Belém, que possuem até buracos em alguns trechos; a criação de semáforos específicos para quem anda de bicicleta, que só existem na Doca; e a fiscalização constante por parte da Prefeitura, para que motoristas não estacionem veículos nas áreas destinadas aos ciclistas.
Outro desafio é que a sociedade tenha mais conhecimento acerca da legislação de trânsito, especialmente a que é voltada aos ciclistas, dentro da mobilidade urbana. Quanto aos ciclistas que possuem alguma deficiência, Arnaldo acredita que é preciso uma atuação multidisciplinar, ensinando os alunos e suas famílias sobre a adaptação de cada bicicleta, a importância dos acessórios e sobre educação de trânsito.
Por conta da atuação da União nesta luta, o coordenador Arnaldo Villar recebeu uma medalha do projeto Bike Inclusiva em homenagem à Semana  Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, pelo relevante apoio ao grupo. “Eu me surpreendi com essa medalha, é simples, mas tem um grande valor, pela lembrança de que realmente podemos fazer algo diferente, desenvolver coisas maravilhosas para essas crianças, jovens e adultos”, pontua.

Esporte como inclusão social
O educador físico Wilson Neto teve o primeiro contato com os esportes quando ainda era criança, ao jogar futebol de forma lúdica. Com o avanço da idade e a constância na prática esportiva, ele conta que o esporte abriu muitas portas - anos depois, ele entrou na graduação de educação física por meio de uma bolsa de estudos. “Era a área que eu mais me identificava. No curso me identifiquei ainda mais e tive muita vivência relacionada à inclusão dentro da graduação, além do aprendizado sobre agregar valores na vida dos alunos por meio do esporte”, afirma.
Embora ele não atenda especificamente pessoas com deficiências, dentro do Box de Crossfit onde trabalha, Wilson tem contato com esse público. “Fazemos a inclusão deles, com espírito de comunidade. Qualquer um pode praticar esportes, cada um no seu ritmo, a prática está aí para agregar valores. O que eles têm dificuldade, nós alternamos, mas fazemos de tudo para que eles se sintam parte da aula”.
Além do benefício da inclusão e dos valores, o educador físico diz que o corpo também sente o impacto da prática esportiva. Por exemplo, o humor fica melhor, é possível ter uma estabilidade no bem-estar conforme a frequência das atividades, ajuda na autoestima e o corpo ainda libera uma espécie de analgésico natural. Para as pessoas com deficiência, Wilson acredita que o esporte tenha uma grande importância, porque elas se sentem parte de algo e importantes, além de poderem superar medos e traumas vividos.

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