Escolha de André do Prado por Eduardo Bolsonaro para o Senado gera críticas de bolsonaristas
A decisão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro de lançar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), como pré-candidato ao Senado por São Paulo abriu um racha no bolsonarismo e parte da militância criticou a aposta em um nome não ideológico e ligado umbilicalmente a Valdemar Costa Neto.
A indicação de André do Prado para a segunda vaga ao Senado na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi anunciada primeiro pelo próprio governador, em entrevista coletiva nesta terça-feira, 5, e depois confirmada por Eduardo. Em publicação nas redes sociais, o ex-deputado listou os motivos que o levaram à escolha e revelou que disputará como primeiro suplente de André, mesmo morando atualmente nos Estados Unidos.
A indicação recebeu o apoio de parlamentares, como o deputado estadual Gil Diniz (PL) e o deputado federal Mário Frias (PL), ambos até então cotados para a vaga, mas foi criticada por parte da militância, que falou em "decepção" com a escolha. A repercussão negativa foi captada por análises qualitativas da AP Exata Inteligência em Dados.
"O apoio de Eduardo Bolsonaro à candidatura de André do Prado foi mal recebido pela militância bolsonarista mais ideológica. Esses perfis interpretaram o movimento como sinal de alinhamento e concessão à velha política, já que André é visto por esse grupo como um nome ligado ao Centrão. A indicação de Eduardo como primeiro suplente reforçou o desconforto, por sugerir adesão direta à chapa e subordinação a Valdemar Costa Neto", afirma Sergio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados.
O influenciador Rodrigo Constantino tem sido um dos mais críticos da estratégia. "Que vergonha", escreveu no X, ao compartilhar a notícia que anunciava Eduardo como suplente de André do Prado. Em outra publicação, afirmou: "Vamos virar centrão para combater o sistema, e quem criticar é traidor e faz parte do sistema. Sabor direita "
Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) no governo Jair Bolsonaro, compartilhou uma publicação com críticas à decisão de Eduardo. O texto dizia que Eduardo deveria ser candidato ou suplente de outro nome, como o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL), Gil Diniz ou Mário Frias. "Ser suplente de homem do Valdemar não dá", diz a postagem que Wajngarten endossou.
O deputado federal Ricardo Salles (Novo), que tem sido pressionado a desistir da pré-candidatura ao Senado, também não poupou críticas e chamou de "vergonhoso" o apoio de Eduardo ao presidente da Alesp, a quem apelidou de "filhote do Valdemar".
"O próprio Eduardo sempre verbalizou sua ojeriza ao centrão", escreveu Salles no X. "Não importa que tipo de negociação houve, o que importa é que o pupilo do Valdemar é parceiro do PT. Assim como Alcolumbre e Motta, se elegeu na Alesp junto com o PT. É centrão na veia. Nunca foi e jamais será direita."
Em meio à repercussão negativa, Eduardo concedeu uma entrevista ao canal bolsonarista AuriVerde Brasil para explicar sua decisão ao eleitor que "ainda não (a) entendeu". O argumento central do ex-deputado é que André tem boa relação com prefeitos do Estado e, por isso, poderia somar à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Eduardo disse que o ex-ministro do Meio Ambiente não será candidato para não prejudicar o colega e também pré-candidato ao Senado, Guilherme Derrite (PP). Salles nega: "Eles, se quiserem, que retirem a candidatura".
Na entrevista à Auriverde, Eduardo ouviu críticas do próprio apresentador, Alexandre Pittoli. "Para que (escolher) um nome que não tem expressão entre nós?", questionou Pittoli. "Se há um acordo com você na primeira suplência, esse acordo seria cumprido com Mário Frias, com Mello Araújo, com Tomé (Abduch). Entendo que todos poderiam cumprir esse acordo contigo. Mas um nome que não representa nada para nós, Edu, me deixa um pouco incomodado", declarou o apresentador.
Ao Estadão, Mello Araújo se disse honrado por ter seu nome citado na corrida ao Senado. Segundo ele, "só o tempo vai dizer se foi estratégico ou não' a opção pelo presidente do Legislativo paulista. "Do PL, segundo as pesquisas, o meu nome era o que tinha maior potencial. Nunca imaginei essa possibilidade de (concorrer ao) Senado. Agradeço ao presidente Bolsonaro e a todos que me apoiaram. Penso que quem deveria escolher era o Eduardo e assim o fez. Com seus motivos elencados", afirmou.
Bolsonaristas têm citado a disputa pela prefeitura de São Paulo como exemplo de apoio pragmático que deu certo. Na ocasião, Bolsonaro declarou voto em Ricardo Nunes (MDB), que acabou reeleito.
"Em 2024, quando o presidente Jair Bolsonaro escolheu Ricardo Nunes para a Prefeitura, a gritaria foi gigante, Pablo Marçal foi vendido como o candidato bolsonarista e Nunes como a pior escolha possível. O tempo mostrou que a escolha do presidente Bolsonaro estava certa!", escreveu Gil Diniz no X, em publicação que foi compartilhada por Eduardo.
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