Caso Sefer: Arnaldo Jordy critica impunidade no judiciário do Pará

Autor da CPI da Pedofilia denuncia rede de proteção que mantém médico livre há 16 anos e ressalta papel da opinião pública em condenações

Gabriel da Mota
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O ex-deputado federal Arnaldo Jordy denunciou a existência de uma "rede de proteção" institucional no Pará que impede a prisão de condenados por pedofilia. Em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, o autor da histórica CPI que investigou o tema no estado citou o caso Sefer como o exemplo mais grave de impunidade. O médico Luiz Afonso Sefer foi condenado há 16 anos e, mesmo após o processo transitar em julgado, continua em liberdade.

De acordo com Jordy, o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) apresentou resistência histórica no julgamento de crimes sexuais contra vulneráveis. Entre 2005 e 2009, o órgão registrou apenas 17 sentenças de condenação por estupro de vulnerável, uma média de três por ano. Esse número saltou para 93 condenações em 2010, após a pressão exercida pela CPI e pela mídia nacional.

A influência do poder político nas decisões judiciais

O ex-deputado apontou que o poder econômico e político das figuras envolvidas trava o avanço da justiça no Pará. Ele destacou que o ex-procurador-geral do Estado é sobrinho do condenado e que empresas ligadas à família possuem contratos milionários com o governo. Para ele, o silêncio institucional é o principal aliado desses criminosos.

"O Tribunal de Justiça do Pará, com honrosas exceções, agiu de forma velhaca nesse caso, motivado por outros interesses. Houve avanços no Judiciário por pressão da opinião pública. No caso Sefer, recentemente um desembargador pediu vistas para tentar revogar uma decisão que já havia transitado em julgado. Foi um absurdo tão grande que o corregedor nacional do CNJ teve que intervir", disse Arnaldo Jordy.

Números da impunidade

  • Tempo de espera: 16 anos desde a condenação de Luiz Afonso Sefer.
  • Sentenças em 2009: apenas três condenações por estupro de vulnerável por ano.
  • Sentenças em 2010: 93 condenações após pressão da CPI da Pedofilia.
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