Ato em Belém repudia ataque à Venezuela e denuncia ofensiva imperialista na América Latina
Trabalhadores, ativistas e estudantes defenderam a soberania venezuelana
Em Belém, trabalhadores e estudantes realizaram um ato público, na noite desta segunda-feira (5), contra a invasão dos EUA à Venezuela no sábado (3). O ato aconteceu sob uma chuva fina, na calçada em frente ao escritório da ONU, na avenida Nazaré, no bairro homônimo, no centro da capital paraense.
O protesto reuniu um público jovem, atuante em centrais sindicais e movimentos populares, como o CSB Conlutas, a Associação dos Warao (etnia indígena venezuelana), e a UP (Unidade Popular). "Para além da revolta, o sentimento é de temor também porque quando um vizinho tão próximo é invadido, numa ação antidemocrática, isso cria um temor dentro da gente também", afirmou o estudante de pedagogia da UFPA, Júlio Siqueira, junto a um grupo de colegas da universidade.
"A ONU, na verdade, já não responde ao interesse do povo que está abaixo da linha do Equador. Não há surpresa em ela abaixar a cabeça para o Trump”, acrescentou Júlio. Em geral, os discursos condenavam a intervenção norte-americana à Venezuela. Alguns, também criticavam a fragilidade da ONU diante do que consideram um ataque terrorista dos EUA ao país latino.
Integrante do Mocap (Movimento Cabano em Apoio às Lutas pela Autodeterminação dos Povos), Paulo Rodrigues destacou: “Nós viemos aqui para repudiar veementemente a intervenção dos EUA no país soberano, que é a Venezuela. "Para Donald Trump, a América Latina é o quintal dos norte-americanos”.
"Eles estão indo para atacar e roubar as riquezas naturais, e afirmam que todas as riquezas fazem parte da América do Norte. É importante a gente vir aqui, alertar: hoje é Venezuela, mas amanhã é aqui no Brasil, com as terras raras”, disse Vieira, do Mocap.
Wellingta Macedo, do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), assinalou que o partido manifesta total apoio e solidariedade ao povo venezuelano. “Nós, do PSTU, não apoiamos o governo de Maduro, não temos nenhum acordo político com as fraudes eleitorais e com todos os desmandos e atitudes dele. Ao mesmo tempo, também não apoiamos a extrema direita que se conformou lá como oposição ao governo Maduro. Mas, nós temos consciência que, nesse momento, o que está em jogo são as liberdades democráticas do povo e da classe trabalhadora venezuelana.”
"As justificativas apontam o combate ao narcotráfico, mas isso, para nós, é somente um discurso. O que está por trás disso é a tentativa de dominar a Venezuela por causa do petróleo do país. Pessoas inocentes morreram nessa invasão imperialista e isso é responsabilidade do imperialismo estadunidense”, disse Wellingta.
A manifestação foi divulgada em redes sociais das entidades participantes. Gal Leite, representante da Unidade Popular, que, em Belém, é composta por vários movimentos sociais, como a Frente Negra Revolucionária que luta por direitos da população negra; e o movimento de mulheres Olga Benário, afirmou: "Primeiro, a gente quer deixar claro que não concordamos com a ditadura do Maduro. A gente está aqui pela soberania dos povos, o que os Estados Unidos fizeram foi um ataque terrorista, porque eles sequestraram o presidente e se apossaram do país".
"Isso vai gerar uma instabilidade grande, porque a gente não sabe como será daqui para frente, com os EUA ameaçando aqui e ali. Eles ressuscitaram o lema a Amércia para a América, mas, para eles, a América é só a do Norte, nós somos o quintal. O que é que vai acontecer aqui?", frisou Gal Leite.
Também estavam presentes, entre outras organizações, representantes da Rede Cabana de Solidariedade ao Povo Palestino, do Sintisuas (Sindicato dos Servidores da Funpapa), do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Pará (DCE-UFPAD), e universitários da Uepa, além de filiados dos partidos PSTU e PSOL.
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