Quem são os irmãos Coelho, implicados em operação da PF que apreendeu R$ 2,5 milhões em Belém
Vereador João e deputado Adriano Coelho teriam ligação com as duas pessoas presas nesta quarta-feira após a retirada do valor milionário em espécie de uma agência bancária na capital paraense
O possível envolvimento dos irmão Adriano e João Coelho em um esquema para desvio de recursos públicos destinado ao financiamento irregular de campanha eleitoral veio à tona nesta quarta-feira (16), com a prisão de duas pessoas durante uma operação da Polícia Federal (PF). A dupla foi detida após retirar R$ 2,5 milhões em espécie de uma agência bancária em Belém. Conforme apurado pelo Grupo Liberal, os investigados presos teriam ligação com os irmãos Coelho, que possuem uma trajetória política de pelo menos uma década no Estado.
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Há dez anos, em 2016, Adriano Coelho entrou para a política paraense ao concorrer e ser eleito vereador de Belém pelo PDT. Dois anos depois, tentou uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado (Alepa), mas terminou a campanha como suplente. Conquistou o cargo de deputado estadual em 2021, ao assumir a vaga deixada por Dr. Daniel Santos, eleito prefeito de Ananindeua. Em 2022 foi reeleito para a Alepa, novamente pelo PDT. Nas eleições deste ano, ele concorre a deputado federal pelo MDB.
Já João deu os primeiros passos na política paraense há seis anos, quando concorreu a vereador de Belém, em 2020. Eleito com 9.493 votos, ele teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quatro anos depois. Na ocasião, a justiça eleitoral reconheceu, por unanimidade, fraude à cota de gênero por parte do partido pelo qual ele concorreu, o PTB. Porém, nesse mesmo ano, 2024, ele concorreu novamente e conquistou a vaga na Câmara Municipal da capital paraense, dessa vez pelo PDT. Atualmente, João Coelho disputa a vaga de deputado estadual, pelo PDT.
Conforme as informações disponibilizadas no sistema de divulgação de candidaturas do TSE, o Divulgacand, o deputado estadual Adriano Coelho tem 37 anos, é casado e possui ensino superior completo. Ele declarou um patrimônio de R$ 71 milhões à Justiça Eleitoral, que inclui casa, apartamento, terreno, relógio e aplicações de renda fixa.
João também é casado, tem 26 anos e ensino superior incompleto. Ao TSE, o vereador de Belém declarou bens que somam R$ 52 milhões. O patrimônio inclui terreno, fundo de investimento, veículos, entre outros.
O que a PF apura
As investigações da Polícia Federal contaram com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), especialmente na análise e rastreabilidade dos recursos. Os indícios analisados apontam que os valores apreendidos com as duas pessoas presas eram provenientes de desvio de recursos públicos. O dinheiro seria usado para financiamento irregular de campanha eleitoral.
Além da quantia em dinheiro, os agentes apreenderam uma arma de fogo e outros materiais, que deverão ser submetidos à análise no decorrer da apuração.
Os suspeitos presos, que teriam ligação com os irmãos Coelho, foram colocados à disposição da Justiça Eleitoral do Pará e poderão responder, conforme a participação individual de cada um, pelos seguintes crimes:
- Lavagem de dinheiro
- Peculato
- Associação criminosa
- Corrupção eleitoral
- Porte ilegal de arma de fogo e resistência
- Outros delitos que possam ser identificados durante o avanço das investigações
Após a operação nesta quarta-feira, a reportagem tentou localizar João Coelho e Adriano Coelho, ou as defesas dos dois candidatos, para que pudessem se manifestar sobre as informações. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.