PT aprova manifesto com diretrizes para eleições 2026, afasta polêmicas e faz aceno ao centro
O documento foca na comparação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de estabelecer um plano do que deve ser destaque em um eventual quarto mandato do petista
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo, 26, seu manifesto com diretrizes para este ano. O documento foca na comparação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de estabelecer um plano do que deve ser destaque em um eventual quarto mandato do petista.
Lula não participou do congresso, conforme previsto inicialmente pelo partido. O presidente passou por procedimentos de saúde na última quinta-feira, 23, em São Paulo, e permanece em repouso.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, sentou-se ao lado direito do presidente do PT, Edinho Silva, na cerimônia. Para contornar a ausência do presidente da República, o PT transmitiu um discurso de Lula em encontro global de líderes progressistas, em Barcelona, realizado na última semana.
O manifesto foi aprovado por unanimidade pelos militantes presentes no congresso neste domingo. O texto é mais sucinto que o programa partidário e evita polêmicas. O programa será discutido nas próximas semanas pelo diretório nacional do partido. Um dos principais pontos que acabou sendo retirado do manifesto foi a defesa de uma reforma do sistema financeiro, mencionando especificamente a necessidade desse tipo de mudança por causa do escândalo envolvendo o Banco Master.
VEJA MAIS
O partido manteve outros pontos no manifesto. A linha de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento - reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento (marca da esquerda), retomada do crescimento econômico com distribuição de renda (marca dos governos petistas) e transição produtiva, tecnológica e ambiental (adotada com mais ênfase a partir da campanha de 2022) - foi mantida.
O manifesto trata como "eixo central da tática política" a reeleição do presidente Lula. Também propõe sete reformas essenciais - duas delas acrescentadas ao longo do fim de semana para atender a outras alas do partido. Constavam no documento desde sexta-feira, 24, a defesa de uma reforma política e eleitoral; uma tributária; uma tecnológica; uma reforma do Judiciário; e uma administrativa.
A cúpula do partido acrescentou, neste domingo, no rol de reformas essenciais, a reforma agrária, "garantindo soberania alimentar", e a reforma do setor de comunicação, "garantindo o cumprimento da Constituição, que proíbe monopólios no setor".
Outro ponto mantido é a defesa de uma "permanente transição geracional" no próprio partido, com limite no número de mandatos (no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância). A versão final também fala em garantir "no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação". A proposta de programa não falava nem em garantir a renovação interna no partido nem a equidade de gênero nos postos de decisão da legenda.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse que o objetivo do manifesto é "chamar o centro para compor com o Lula", evitando polêmicas que possam afastar setores que não são da esquerda da candidatura petista.
"O manifesto tem de ser a centralidade de falar com o País e chamar o centro para compor com o Lula, isso que é fundamental", disse o ministro na chegada ao congresso do PT neste domingo.
O presidente Lula se envolveu na construção do manifesto ao longo da última sexta-feira, 24, principalmente, assim como o Palácio do Planalto. Veio do governo, por exemplo, o pedido para que o documento fizesse mais comparações entre as gestões de Lula e de Bolsonaro. Também veio do governo o pedido para que a reforma do sistema financeiro ficasse de fora do manifesto.
Em vídeo enviado ao congresso do PT, exibido na sexta-feira, 24, Lula disse que o partido tem de "prometer as coisas que temos facilidade e possibilidade de fazer" em seu programa. Foi uma cobrança em relação a alguns pontos polêmicos incluídos no texto e que acabaram excluídos na última versão.
Palavras-chave