Governo Lula revoga visto de assessor de Trump que visitaria Bolsonaro na cadeia
Autoridades do governo brasileiro entendem que ele agiu de má-fé e omitiu o real motivo da viagem
O governo Luiz Inácio Lula da Silva cancelou o visto diplomático dado ao consultor sênior do Departamento de Estado Darren Beattie, que viria ao País e se reuniria com o ex-presidente Jair Bolsonaro, na cadeia. Ele seria enviado pelos Estados Unidos como representante do governo Donald Trump.
Mais cedo, o presidente Lula disse que ele foi proibido de ingressar no Brasil. O petista se queixou que, no ano passado, autoridades brasileiras tiveram visto revogado e não puderam ir a Nova York, para a Assembleia Geral da ONU, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e familiares dele.
"Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu amigo ministro da saúde que está bloqueado. Bloquearam o visto do Padilha, da mulher dele e da filha dele de 10 anos", disse Lula, no Rio.
Autoridades do governo brasileiro entendem que ele agiu de má-fé e omitiu o real motivo da viagem, e somente depois dos pedidos de mudança de data para visitar Bolsonaro na Papudinha, submetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), passou a pedir reuniões com o governo brasileiro.
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Convocado a opinar pelo ministro-relator Alexandre de Moraes, o chanceler Mauro Vieira disse que o encontro em ano eleitoral seria uma ingerência indevida em assunto doméstico. Moraes, então, revogou a autorização para a visita na cadeia.
Segundo disse o Itamaraty ao Supremo, Beattie pediu o visto inicialmente, por meio do Departamento de Estado, junto ao Consulado Geral do Brasil em Washington, e afirmou apenas que iria a um fórum sobre minerais críticos e teria reuniões oficias com o governo brasileiro.
Segundo a diplomacia brasileira, no entanto, as reuniões não estavam agendadas na época. E, após obter o visto, a defesa de Bolsonaro comunicou oficialmente o desejo de visita ao ex-presidente no cárcere.
O Ministério das Relações Exteriores entende que houve omissão e falseamento de informações relevantes por parte de Beattie. Segundo a diplomacia, isso seria o bastante para que o visto fosse negado, de acordo com a legislação nacional e internacional.
Atualmente consultor para Políticas sobre o Brasil, um cargo novo, Darren Beattie também exerce a função de chefe do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais. Antes, era subsecretário para Diplomacia Pública e fez uma série de críticas a Moraes, acusando-o de violar direitos humanos.
Beattie não é diplomata de carreira. Ele se tornou interlocutor próximo do bolsonarismo na equipe do secretário de Estado, Marco Rubio. Figura ligada ao movimento político liderado por Trump, ele foi redator de discursos na Casa Branca e saiu do primeiro governo do republicano por ter participado de uma reunião de teor supremacista branco.
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