Acordo Mercosul–UE abre oportunidades e impõe desafios ao Pará, avaliam setor produtivo e político
O decreto que ratifica o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi promulgado nesta terça-feira (17)
A promulgação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pelo Congresso Nacional é vista como um marco para a inserção internacional do Brasil e deve ter impactos diretos na economia do Pará, especialmente na exportação de produtos minerais e do agronegócio. O decreto que ratifica o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi promulgado nesta terça-feira (17).
O entendimento envolve dois dos maiores blocos econômicos do mundo, que somam mais de 700 milhões de pessoas e cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB). Para o senador Zequinha Marinho, o acordo representa uma oportunidade estratégica para o estado.
“A União Europeia já é hoje o segundo maior destino das exportações paraenses, e a entrada em vigor do acordo abre uma oportunidade concreta para fortalecer essa relação e, principalmente, diversificar nossa pauta exportadora, ainda muito concentrada em produtos minerais”, afirmou.
Ele reconhece que o texto não é perfeito, mas avalia que o avanço é necessário. “Ele posiciona o Brasil, e especialmente o Pará, de forma mais competitiva no comércio internacional”, completou.
Na prática, o acordo prevê a redução gradual de tarifas para até 95% das exportações do Mercosul ao mercado europeu. Parte dessas reduções pode ocorrer de forma imediata, enquanto outros setores terão um prazo de transição que pode chegar a até 15 anos.
Segundo Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), os primeiros impactos devem ser sentidos em setores já consolidados no comércio exterior.
“A mineração e o agronegócio tendem a se beneficiar diretamente, especialmente produtos como minérios, alumínio, ferro-níquel e soja, que já têm forte presença no mercado europeu”, explicou.
Por outro lado, segmentos como o de madeira processada podem enfrentar mais dificuldades, principalmente pelas exigências técnicas e ambientais da União Europeia. “Há oportunidades de reposicionamento, mas isso depende de investimentos em certificação, rastreabilidade e sustentabilidade”, destacou.
A abertura do mercado brasileiro para produtos europeus também levanta preocupações quanto à concorrência interna. Ainda assim, o cronograma de transição é visto como uma oportunidade de adaptação.
“O prazo é importante para que as empresas invistam em modernização e produtividade. Além disso, a redução de tarifas para máquinas e equipamentos europeus pode ajudar a indústria local a acessar tecnologias mais avançadas”, avaliou Cassandra.
No agronegócio, a avaliação é de que o Pará tem potencial competitivo, mas enfrenta gargalos estruturais. De acordo com Guilherme Minssen, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (FAEPA), produtos como carne, boi vivo, açaí, cacau, dendê e itens da piscicultura já têm espaço no mercado internacional.
“O principal entrave está na logística, tanto rodoviária quanto fluvial, além da deficiência portuária. Nossos produtos têm qualidade e preços competitivos, e conseguimos atender às exigências do mercado”, afirmou.
Apesar das oportunidades, o acordo ainda depende de etapas para plena implementação. No lado europeu, o texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos países-membros. Já no Mercosul, o processo de ratificação ainda precisa ser concluído por todos os integrantes do bloco.
Enquanto isso, a expectativa é de que a entrada em vigor inicial ocorra de forma gradual, permitindo que setores produtivos e governos se adaptem às novas regras. Para o Pará, o desafio será equilibrar competitividade, sustentabilidade e infraestrutura para aproveitar ao máximo o novo cenário comercial.
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