A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro monitorou ilegalmente, segundo a Polícia Federal, ao menos quatro ministros do Supremo Tribunal Federal, quatro deputados federais, quatro senadores, um ex-governador, dois servidores do Ibama, três auditores da Receita e quatro jornalistas. A lista foi descoberta pelos investigadores da Operação Última Milha, que teve sua quarta fase aberta nesta quinta-feira, 11. Foram presos quatro auxiliares do ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem e integrantes do chamado ‘gabinete do ódio’. Segundo a PF foram monitorados: - Poder Judiciário: ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, todos do Supremo Tribunal Federal. - Poder Legislativo: deputados Arthur Lira, presidente da Câmara, Rodrigo Maia (então presidente da Câmara), Kim Kataguiri e Joice Hasselmann; senadores Alessandro Vieira, Omar Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues. VEJA MAIS Operadoras de telefonia alvos de ataques do software sabiam da ação e deixaram de notificar a Anatel Omissão, segundo a agência, pode acarretar punição administrativa para as empresas, que são obrigadas a relatar, segundo normas do setor Programa espião foi usado em massa na gestão de Ramagem na Abin durante as eleições de 2020 'First Mile' chegou a ser utilizado mais de 60 mil vezes sendo mais da metade na época do pleito, apontam investigações Entenda quais os crimes imputados a Bolsonaro no caso das joias, penas e os próximos passos Relatório final da PF sobre o caso, que indiciou o ex-presidente, está sendo entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) - Poder Executivo: ex-governador de São Paulo, João Dória, servidores do Ibama Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges, auditores da Receita Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto. - Jornalistas: Mônica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista. COM A PALAVRA, RODRIGO MAIA "Espionagem utilizando o aparato estatal a pessoas consideradas adversárias do antigo presidente é comportamento de governo totalitário e criminoso, típico das piores ditaduras. Assusta imaginar que Alexandre Ramagem, então servidor público, hoje deputado federal, comandou um esquema de monitoramento de pessoas. Tomarei todas as medidas legais cabíveis contra ele e os outros envolvidos nas esferas cível e criminal."