Vereador de Bragança é preso acusado de ser mandante da morte de radialista

Comunicador foi assassinado em 2018 quando chegava ao trabalho

Redação Integrada

O vereador Cesar Augusto Monteiro (PR), de Bragança, foi preso na manhã da última quarta-feira (8), pela Polícia Civil, acusado de ser o mandante da morte do radialista Jairo de Sousa, assassinado em 21 de junho de 2018, com dois tiros nas costas, quando chegava ao trabalho, na Rádio Pérola FM, às 4h50.

O vereador já havia sido preso em 2018 ao se apresentar na Divisão de Homicídios (DH), em Belém, após passar alguns dias sendo considerado foragido, por ter sido procurado e não encontrado durante a Operação Pérola, batizada em referência ao programa de rádio que Jairo apresentava, que prendeu seis acusados de envolvimento no nordeste paraense. Quatro dias depois da operação, Cesar se apresentou à delegacia e após o término do depoimento foi conduzido ao Sistema Penitenciário, em cumprimento do mandado de prisão temporária decretado na Operação. Entretanto, em março de 2019, o político, que estava preso preventivamente desde novembro de 2018, conseguiu um habeas corpus a seu favor, após ter três negados, e foi solto. Na ocasião, familiares de Jairo vieram a Belém em protesto contra a liberação de Cesar. "Meu pai denunciava irregularidades na prefeitura, licitações superfaturadas. Ele incomodava muita gente pelas denúncias que fazia. Era ameaçado sempre. É revoltante e humilhante ver o principal suspeito de ser o mandante do crime sendo solto", disse, à época, a filha de Jairo, Jaiane Carvalho. "Meu pai foi morto trabalhando. Ele foi alvejado pelas costas por dois disparos. Nem coragem de olhar pra ele tiveram", lamentou.

Nesta quarta (8), a equipe da DH, responsável pela investigação do caso, concluiu o inquérito e expediu mandado de prisão contra o vereador, acusando-o de ser o mandante do crime. Ainda durante a manhã ele foi preso e conduzido para exame de corpo delito e, em seguida, encaminhado para o sistema penal. Segundo a investigação da polícia, o crime foi motivado pelas críticas que o jornalista fazia contra políticos e empresários da região em seu programa de rádio.

Radialista foi assassinado pelas denúncias de corrupção que fazia na cidade (Arquivo pessoal)

Acusação

O promotor de Bragança, Luiz da Silva Souza, ofereceu denúncia contra 11 pessoas envolvidas no assassinato do radialista Jairo de Sousa, entre elas, o vereador Cesar Monteiro Gonçalves (PR), acusado de ser o mandante do crime. Segundo os autos do inquérito, o assassinato teria sido encomendado a um grupo de extermínio e teria custado R$ 30.000. O autor dos tiros seria Dione Souza Almeida, de 29 anos, preso durante a Operação Pérola.

De acordo com testemunhas ouvidas no inquérito, foi realizada uma “vaquinha” para arrecadar o valor combinado com José Roberto Costa de Sousa, vulgo Calar, que chefia o grupo de matadores, para assassinar Jairo, por insatisfação relacionada às denúncias que ele fazia.

ABRAJI acompanha o caso

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) investiga, dentro do Programa Tim Lopes, a morte de Jairo de Sousa. Esse é o segundo caso investigado pela equipe. O primeiro foi o de Jefferson Pureza, de 39 anos, em Edealina, no interior de Goiás, executado com três tiros na cabeça quando descansava na varanda de sua casa, em 17 de janeiro de 2018. Seis pessoas estão detidas.

Polícia
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