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Polícia Civil investiga morte de jovem de 29 anos após quatro procedimentos estéticos em Belém

O caso é apurado pela Seccional do Comércio. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) também acompanha as investigações.

O Liberal
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A Polícia Civil do Pará investiga a morte de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, após ela ser submetida a quatro procedimentos estéticos em Belém. A jovem realizou abdominoplastia, lipoaspiração, colocação de prótese de mama e enxerto de gordura nos glúteos na sexta-feira (7). No sábado (8), Giovanna sofreu três paradas cardíacas e, segundo a família, não resistiu. A jovem estava internada no Hospital Beneficente Portuguesa, onde os procedimentos foram realizados. O caso é apurado pela Seccional do Comércio. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) também acompanha as investigações. O corpo de Giovanna foi sepultado nesta segunda-feira (10).

Amiga de Giovanna, Jaqueline Duarte afirma que a jovem havia inicialmente contratado outro cirurgião, mas decidiu mudar de profissional após conhecer Karol Cardoso, secretária de André Melo. Segundo Jaqueline, Karol teria incentivado Giovanna a realizar a cirurgia com o médico.

“A Giovana ia fazer cirurgia com o doutor Fábio, porém, em um dado momento da vida dela, ela acabou conhecendo a secretária do médico, André Mello. Ela ficou muito empolgada com essa amizade, com essa demonstração de afeto. A menina falou para ela fazer com o médico que ela trabalhava, que era o doutor André, que ele era super de confiança. No final, ela cancelou todo o contrato que tinha feito com o doutor Fábio e foi confiando na amiga para o doutor André Mello”, detalhou Jaqueline.

Ainda segundo Jaqueline, Karol teria sido responsável por incentivar a realização dos quatro procedimentos com André Melo. “A Karol entrou no papel de influenciar, apoiar, incentivar a Giovana a fazer a cirurgia com o Dr. André Melo, porque ele faria a cirurgia das quatro áreas que a Giovana queria, que seriam silicone, abdominoplastia, lipo e enxerto de gordura no glúteo, o que nenhum outro médico aceitava”, declarou Jaqueline.

A cirurgia teria durado aproximadamente quatro horas. Jaqueline afirma que, após o procedimento, Giovanna não teria recebido acompanhamento direto do cirurgião. “A cirurgia durou em torno de quatro horas. A Giovanna veio sem nenhum aparato​. Quando a Giovanna chega no quarto, estão a mãe, uma enfermeira e a secretária do médico, que era amiga da Giovanna. Foi quem o médico mandou para receber a Giovanna no pós-cirurgia”, revelou Jaqueline.

Segundo a amiga, o médico não teria conversado com Giovanna após o procedimento e Karol teria orientado a dispensa da enfermeira que acompanhava a paciente. “A Giovanna não foi recebida e nem o médico falou com a Giovanna no pós-cirurgia. Quem esteve lá foi a secretária do médico, que era amiga da Giovanna. Ela olhou para a mãe e disse que não era necessário ficar uma enfermeira lá. E nisso a Giovanna ficou sozinha com a mãe”, contou Jaqueline.

Jovem começou a passar mal após a cirurgia

Jaqueline afirma que Giovanna começou a apresentar sintomas ainda na noite após a cirurgia e que a família tentou buscar atendimento. “Quando foi por volta de oito horas da noite (de sexta-feira), a Giovanna começou a passar mal. A mãe começou a chamar o plantonista de dentro da BP e eles não foram. Em nenhum momento o plantonista da BP deu suporte”, denunciou Jaqueline.

Ainda conforme Jaqueline, durante a madrugada de sexta-feira para sábado, Giovanna teria entrado em contato com Karol Cardoso para relatar dores, vômitos e mal-estar. “Ela começou a ligar para a secretária do doutor André, que era amiga pessoal dela, e dizer que estava passando mal, que estava toda vomitada, que estava com dor. E aí, o que ela ouvia? ‘É normal, tu fez um procedimento cirúrgico, é normal’”, relatou Jaqueline.

Jaqueline afirma que, por volta das 5h de sábado, Karol teria ido até o hospital, mas que a situação continuou sendo tratada como normal. “Quando foi cinco horas da manhã, ela foi até o hospital com a Giovanna, olhou para a Giovanna e falou: ‘É normal’. Não acionou o médico em nenhum momento. A família ligando para o médico, o médico não atendendo a família”, pontuou Jaqueline.

Mensagens encontradas no celular

A família teve acesso ao celular de Giovanna e, segundo Jaqueline, encontrou diversas mensagens trocadas entre a jovem e Karol Cardoso durante o período pós-operatório. De acordo com a amiga, nas conversas Giovanna relata as dores e o mal-estar que estava sentindo, enquanto Karol teria respondido que os sintomas eram “normais”.

Os conteúdos das mensagens fazem parte dos elementos que a família pretende apresentar às autoridades policiais para ajudar a esclarecer o que ocorreu no período entre a cirurgia e o agravamento do quadro da jovem.

Sinais de agravamento

A situação teria se agravado na manhã seguinte, ou seja, no sábado. Jaqueline relata que uma fisioterapeuta ligada à equipe médica esteve no quarto e questionou os sintomas apresentados por Giovanna. “Por volta de 9h30, 9h40, chega a fisioterapeuta do médico, olha para ela e fala: ‘Você está com dor ou você está dolorida?’”, relatou Jaqueline.

De acordo com Jaqueline, uma enfermeira que havia sido contratada pela família e que teria sido dispensada durante a madrugada também retornou ao hospital após ser acionada. “Ela olhou para ela e falou: ‘Ela está com batimento de 157 BPM, e tu acredita que ela está dolorida? Na nossa faculdade a gente sabe que isso significa dor. Ela está com a pressão 6 por 13, ou 6 por 3, ela está morrendo de dor’”, afirmou Jaqueline.

Três paradas cardíacas

Jaqueline afirma que Giovanna sofreu três paradas cardíacas após o agravamento do quadro. Na primeira parada, André Melo teria aparecido no hospital e realizado a reanimação da jovem. Após isso, segundo o relato, ele foi embora e não teria sido mais visto.

Ainda conforme Jaqueline, diante da ausência de André, a irmã de Giovanna, que é médica, teria acionado outros profissionais para auxiliar no atendimento. “Contratou intensivistas e eles adentraram ao hospital para dar o suporte que a Giovanna precisava”, disse.

Preparação para a cirurgia

Outro ponto questionado pela família é a preparação de Giovanna para o procedimento. Jaqueline afirma que a jovem teria sido orientada a realizar reposição de vitaminas e polivitamínicos cerca de dois meses antes da cirurgia, mas teria recebido a orientação para iniciar a preparação apenas um dia antes do procedimento.

“As vitaminas, os polivitamínicos que a Giovana tinha que fazer em torno de dois meses antes, eles pediram para a Giovana fazer na quinta-feira, sendo que ela ia operar na sexta-feira”, contou Jaqueline.

Jaqueline também questiona a duração da cirurgia, considerando a quantidade de procedimentos realizados. “Ao que tudo indica, por informações que a gente teve lá dentro, ele fez a cirurgia com pressa. Já pensou quatro procedimentos e ele operar em quatro horas?”, questionou Jaqueline.

CRM-PA vai apurar o caso

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) informou que tomou conhecimento, nesta segunda-feira (10), por meio das redes sociais, do falecimento de Giovanna Coelho Gomes e da denúncia relacionada ao caso. Diante dos fatos, o Conselho informou que irá instaurar procedimento apuratório para averiguar as circunstâncias.

O CRM-PA esclareceu ainda que os procedimentos administrativos, incluindo Sindicâncias e Processos Ético-Profissionais, tramitam sob sigilo, conforme estabelece o artigo 1º do Código de Processo Ético-Profissional.

A reportagem tenta localizar a defesa do médico André Melo para que ele possa se manifestar sobre os relatos apresentados pela família. A reportagem também tenta localizar Karol Cardoso para ouvir sua versão sobre as mensagens e os demais fatos relatados pela família. A assessoria de imprensa do Hospital Beneficente Portuguesa foi procurada para se manifestar sobre o caso, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

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