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PF realiza quatro operações em três dias e apreende quase R$ 5 milhões em dinheiro vivo no Pará

Ações investigam desde desvios de recursos públicos e corrupção até crimes eleitorais, lavagem de dinheiro e furto de dendê; bloqueios judiciais chegam a R$ 170 milhões

O Liberal
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Em um intervalo de apenas três dias, a Polícia Federal deflagrou quatro operações e ações com desdobramentos no Pará, entre terça-feira (15) e quinta-feira (17), contra suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais, furto e receptação. Somadas, as ações resultaram na apreensão de pelo menos R$ 4,7 milhões em dinheiro vivo e no bloqueio de aproximadamente R$ 170 milhões em bens e valores. Pelo menos quatro pessoas foram presas em flagrante nas ações, enquanto a Operação Termidor cumpriu nove mandados de prisão preventiva.

Operação Sonar: R$ 1,2 milhão e 12 servidores afastados

A sequência começou na terça-feira (15), com a Operação Sonar, realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos, exigir vantagens indevidas de fornecedores, direcionar contratações e lavar dinheiro no âmbito de uma empresa pública federal sediada em Belém. Um dos mandados foi cumprido na Companhia Docas do Pará (CDP).

image PF apreende mais de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo e prende uma pessoa em operação em Belém
Ação investiga organização criminosa suspeita de desviar recursos, cobrar comissões de fornecedores e direcionar contratos; um dos mandados foi cumprido na Companhia Docas do Pará (CDP)

Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais, empresariais e institucionais. Um investigado foi preso em flagrante após ser encontrado com mais de R$ 1,2 milhão em espécie, sem comprovação da origem lícita do dinheiro.

Também foram apreendidas joias, veículos de luxo, documentos e equipamentos eletrônicos. A Justiça determinou ainda o afastamento de 12 servidores, o bloqueio patrimonial de R$ 17 milhões, a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 35 investigados e a suspensão de contratos e cessões de uso relacionados às empresas sob suspeita.

Entre as condutas investigadas estão a retenção de faturas de serviços com suposta exigência de comissão para liberação de pagamentos, direcionamento de contratos e utilização de empresas sem estrutura operacional e de interpostas pessoas para ocultar recursos.

Ação eleitoral: R$ 2,5 milhões apreendidos em Belém

Na quarta-feira (16), a Polícia Federal apreendeu R$ 2,5 milhões em espécie após a retirada do dinheiro de uma agência bancária em Belém. Duas pessoas foram presas em flagrante durante a ação.

Segundo a investigação, os valores seriam provenientes de desvio de recursos públicos e teriam como destino o financiamento irregular de campanha eleitoral. A CGU também participou da apuração, especialmente no trabalho de análise e rastreamento dos recursos.

image PF prende duas pessoas com R$ 2,5 milhões em Belém; presos teriam ligação com João e Adriano Coelho
Dinheiro teria origem em desvio de recursos públicos e seria destinado ao financiamento irregular de campanha eleitoral, segundo a investigação

Além do dinheiro, uma arma de fogo e outros materiais foram apreendidos. Os dois suspeitos foram colocados à disposição da Justiça Eleitoral e poderão responder, conforme a participação individual, por crimes como lavagem de dinheiro, peculato, associação criminosa, corrupção eleitoral, porte ilegal de arma de fogo e resistência.

A apuração também alcança dois candidatos nas eleições de 2026 que, segundo informações divulgadas pela imprensa, teriam relação com os valores apreendidos. A investigação ainda deverá esclarecer a origem e a destinação do dinheiro.

Operação Termidor: bloqueio de R$ 153 milhões e investigação sobre o dendê

Nesta quinta-feira (17), a PF, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou a Operação Termidor, voltada à investigação de uma organização criminosa suspeita de atuar no furto, na receptação e na comercialização ilícita de dendê, além de lavagem de capitais e ocultação de bens, direitos e valores.

image Alvo de operação da PF joga celular pela janela ao perceber chegada da polícia em condomínio no Pará
Luciano Rodrigues é apontado como controlador de empresas investigadas em esquema que teria movimentado R$ 1 bilhão

Foram expedidos nove mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, com medidas cumpridas em Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé-Açu, no Pará, e em Indaiatuba, em São Paulo. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 11 empresas investigadas.

Segundo a Receita Federal, os grupos empresariais investigados movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026. A análise fiscal identificou indícios de incompatibilidade entre a movimentação financeira e a documentação apresentada para justificar a origem e a destinação de parte dos recursos.

image PF deflagra operação contra grupo suspeito de furtar e vender dendê ilegalmente no Pará
'Operação Termidor' cumpre 9 prisões e 26 buscas no Pará e em São Paulo; Justiça determinou bloqueio de R$ 153 milhões

A investigação teve origem em conflitos relacionados à cadeia produtiva do dendê em municípios do nordeste paraense. A PF apura a existência de uma estrutura criminosa armada envolvida no furto e na comercialização ilegal do fruto, além de possíveis práticas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

Operação Página Virada: R$ 1 milhão encontrado em Belém

Também nesta quinta-feira (17), a Polícia Federal deflagrou a Operação Página Virada, que investiga possíveis irregularidades no direcionamento de contratações públicas da Secretaria Municipal de Educação de Ji-Paraná, em Rondônia.

image Em Belém, PF apreende R$ 1 milhão durante operação que investiga desvio na educação de Rondônia
Dinheiro foi encontrado no endereço de um dos alvos da Operação Página Virada, que cumpriu 15 mandados em sete cidades

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em cidades de Rondônia, Goiás, Distrito Federal, Paraná, Rio de Janeiro e Pará. Em Belém, os policiais encontraram R$ 1 milhão em dinheiro no endereço de um dos alvos.

Além da quantia, foram apreendidos aparelhos eletrônicos e outros valores em espécie. Durante as diligências, os agentes também localizaram uma arma de fogo sem registro, e o possuidor foi preso em flagrante.

A investigação apura suspeitas de direcionamento de contratações para o fornecimento de materiais didáticos complementares, inclusive por contratação direta, além da aquisição de materiais considerados supostamente desnecessários. Entre os crimes investigados estão associação criminosa, contratação direta ilegal, peculato e corrupção.

R$ 170 milhões sob bloqueio

Considerando os valores divulgados oficialmente nas operações, os bloqueios patrimoniais determinados pela Justiça chegam a cerca de R$ 170 milhões: R$ 17 milhões na Operação Sonar e aproximadamente R$ 153 milhões na Termidor.

Já em dinheiro vivo, foram apreendidos pelo menos R$ 4,7 milhões: mais de R$ 1,2 milhão na Operação Sonar, R$ 2,5 milhões na ação relacionada ao financiamento irregular de campanha e R$ 1 milhão na Operação Página Virada.

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