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Incêndio em casa: bombeiros explicam o que fazer e quais riscos evitar

Nas últimas semanas, diferentes ocorrências de incêndio chamaram a atenção no Pará

Maiza Santos
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Saber como agir diante de um incêndio pode fazer diferença entre conseguir deixar um imóvel com segurança e ficar exposto a riscos ainda maiores. Em uma situação de emergência, o fogo pode se espalhar rapidamente, enquanto a fumaça reduz a visibilidade e pode provocar intoxicação. Por isso, manter a calma, acionar o Corpo de Bombeiros e adotar procedimentos adequados são medidas que podem aumentar as chances de sobrevivência.

Nas últimas semanas, diferentes ocorrências de incêndio chamaram a atenção no Pará. Em Belém, uma casa de madeira foi destruída pelo fogo no bairro do Guamá, deixando uma família sem os bens e o imóvel. Na Terra Firme, também na capital, um incêndio em uma padaria matou três cachorros e um papagaio. Já em Capanema, no nordeste paraense, um incêndio de grandes proporções matou quatro pessoas de uma mesma família e provocou comoção em todo o Estado.

Incêndio

No caso registrado no Guamá, as chamas atingiram uma residência de madeira localizada nos fundos de um imóvel de alvenaria, na travessa 14 de Abril. O fogo também destruiu a cozinha da casa vizinha. As causas ainda seriam apuradas pelo Corpo de Bombeiros.

Na Terra Firme, o incêndio começou durante a madrugada em uma padaria localizada na passagem Gabriel Pimenta. Moradores perceberam as chamas e tentaram ajudar inicialmente com baldes de água. Outros vizinhos também tentaram acessar o imóvel e utilizar um extintor, mas o fogo se espalhou rapidamente pela estrutura de madeira. Três cães e um papagaio ficaram presos no imóvel e morreram.

Em Capanema, o fogo começou no térreo de um prédio onde funcionava uma loja de peças e acessórios para veículos e se espalhou pelos demais pavimentos. José Ribeiro Soares, de 48 anos, Charlene Dieli Damaceno de Araújo, de 35, e os filhos do casal, José Pietro, de 10, e Maria Valentina, de 8, morreram. Segundo relatos, a família ficou confinada em um cômodo no terceiro andar e tentou chamar a atenção de pessoas do lado de fora com lanternas de celulares e gritos. Moradores chegaram a improvisar uma escada de madeira para tentar alcançar o local, mas não conseguiram fazer o resgate.

O que fazer

Diante de situações como essas, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará orienta que a prioridade deve ser retirar as pessoas do imóvel e acionar imediatamente o serviço de emergência. De acordo com o major QOBM Israel, alguns grupos devem receber atenção prioritária durante o resgate.

"Retirar crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais e ligar para o número 193 deve ser a primeira atitude a ser tomada pelas testemunhas", orienta.

Em prédios ou imóveis com mais de um pavimento, quando a pessoa estiver impossibilitada de deixar o local, a orientação é facilitar a identificação do ponto onde está. "Fazendo abertura de janela, a fumaça vai começar a sair por esta abertura e os bombeiros vão identificar o caminho das chamas. Essa é uma das formas indicadas", afirma o major Israel.

Risco

A fumaça não deve ser tratada apenas como uma consequência do incêndio. Por isso, mesmo quem está tentando escapar das chamas precisa considerar a fumaça como uma ameaça.

"A fumaça costuma ser tão perigosa quanto as chamas. São gases tóxicos que podem rapidamente asfixiar e levar à morte. Porém, como são menos densos que o ar, a termodinâmica é que subam, daí a necessidade de ficar abaixado o mais próximo do solo possível", orienta Israel.

Quando a saída já estiver bloqueada pelas chamas ou pela fumaça, a recomendação é procurar o ponto mais distante possível do foco do incêndio. Segundo o bombeiro, a fumaça quente tende a se concentrar primeiro nas partes superiores do ambiente.

"O importante é ficar o mais distante possível do foco de incêndio e ficar abaixado o mais próximo possível do solo, pois a fumaça quente é menos densa que o ar e vai saturar primeiro a parte superior", explica.

Outra recomendação é não voltar ao imóvel depois de conseguir sair. “Mesmo que algum objeto pessoal tenha ficado para trás, retornar ao local pode colocar novamente a pessoa em contato com fumaça, calor e chamas. Uma das atitudes que não devem ser tomadas durante a fuga é retornar para buscar objetos pessoais", alerta o major.

Ajudar sem se tornar outra vítima

A presença de familiares, vizinhos e testemunhas pode ser importante nos primeiros momentos de uma ocorrência, principalmente para acionar o socorro e informar aos bombeiros se há pessoas presas no imóvel. No entanto, a tentativa de ajudar não deve transformar outra pessoa em vítima.

Em incêndios, o tipo de material que está queimando também interfere na forma de combate. O major Israel explica que a água pode ser utilizada em determinados incêndios, enquanto outros tipos de fogo exigem agentes extintores específicos.

"Depende do material combustível que está queimando. Se forem sólidos, utilize água; se forem líquidos, utilize espuma química; e, se for relacionado à energia elétrica, utilize pó químico. Caso não tenha o material adequado, deve manter distanciamento seguro e aguardar a chegada dos bombeiros", orienta o bombeiro.

O oficial ressalta que o resgate de pessoas dentro de imóveis em chamas deve ser realizado por profissionais preparados para esse tipo de ocorrência. Entrar no local sem treinamento, utilizar escadas improvisadas ou tentar avançar em meio à fumaça pode ampliar o número de pessoas em perigo. "A atividade de resgate deve ser feita por pessoas habilitadas e treinadas. Por esta razão, sempre acionem os bombeiros", afirma.

A orientação também se aplica a tentativas de abrir caminhos por portas e janelas ou entrar no imóvel para procurar moradores. A fumaça, os gases tóxicos, o calor e a possibilidade de comprometimento da estrutura podem representar riscos que não são perceptíveis para quem está do lado de fora.

Extintor

Em situações de princípio de incêndio, quando as chamas ainda estão em estágio inicial, o extintor pode ser utilizado, desde que a pessoa tenha condições de fazer isso com segurança e disponha do equipamento adequado para aquele tipo de fogo.

"O princípio de incêndio é o fogo em sua fase inicial, e o extintor de incêndio é muito eficiente. Porém, caso perceba que, mesmo com uso de extintor, as chamas continuam crescendo, abandone o local e acione os bombeiros", explica Israel.

“A prioridade, portanto, deve ser sempre preservar a vida. Se o fogo não puder ser controlado rapidamente ou estiver se espalhando, a tentativa de combate deve ser interrompida e a pessoa deve se afastar”, ressalta o especialista.

O que informar ao pedir socorro

O acionamento correto do Corpo de Bombeiros é uma das primeiras medidas diante de um incêndio. Ao ligar para o 193, é importante fornecer informações que permitam às equipes compreender a ocorrência ainda durante o deslocamento. "É imprescindível informar o local do incêndio, se tem vítimas no interior e a natureza da edificação, residencial ou comercial", explica o major.

Além da localização exata, informar se há pessoas presas no imóvel pode ajudar a equipe a dimensionar a emergência e organizar o atendimento. A identificação do tipo de edificação também contribui para a avaliação inicial da ocorrência.

Prevenção

Para o Corpo de Bombeiros, parte dos riscos pode ser reduzida antes mesmo de uma emergência. Em residências, a orientação é verificar situações que possam provocar incêndios.

“Imóveis residenciais devem evitar os riscos domésticos, como sobrecarga de tomada, fiação elétrica exposta, brincadeiras com velas”, orienta Israel.

Nos estabelecimentos comerciais, especialmente aqueles que armazenam materiais inflamáveis ou possuem mais de um pavimento, a prevenção envolve também o cumprimento das medidas de segurança determinadas durante as vistorias.

"Já os estabelecimentos comerciais devem manter em dia a vistoria do Corpo de Bombeiros, que, de forma personalizada, faz inspeção de segurança e designa todas as medidas preventivas a serem seguidas", afirma.

Em uma emergência, a reação imediata pode ser marcada pelo desespero. Os casos registrados no Pará mostram como o fogo pode avançar rapidamente e limitar as possibilidades de fuga ou resgate.

“Por isso, a orientação dos bombeiros é que a população priorize a retirada das pessoas. Evite ficar transitando no imóvel atingido, permaneça em posição baixa diante da fumaça, acione o 193 e deixe o combate e o resgate para equipes treinadas sempre que a situação ultrapassar um princípio de incêndio”, finaliza Israel.

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