Caso Yasmin: defesa diz que Lucas tentou encontrar a influencer após desaparecimento em rio
Lucas Magalhães de Souza, dono da lancha em que Yasmin estava antes de desaparecer, responde pelos crimes de homicídio com dolo eventual, fraude processual e porte e disparo ilegal de arma de fogo.
O advogado Paulo Batista, que defende Lucas Magalhães, afirmou nesta terça-feira (25) que não existem provas de que o réu tenha agido com intenção ou indiferença diante da possibilidade de morte de Yasmin Fontes Cavalero de Macedo. A declaração ocorreu durante o julgamento do caso no Tribunal do Júri, em Belém. Para a defesa, a conduta de Lucas após o desaparecimento da jovem é um dos elementos que afastariam a acusação de homicídio doloso.
“Na verdade, tudo que tem dentro dos autos hoje comprova a inocência do Lucas. Uma vez que, quanto à questão de imprudência, isso já foi decidido no Tribunal Marítimo. E aqui, para comprovar se ele realmente matou alguém na modalidade de dolo eventual, teria que se comprovar que ele agiu com indiferença após o resultado. Só que a gente não tem isso dentro dos autos”, afirmou.
Segundo Paulo Batista, os depoimentos reunidos no processo indicam que Lucas iniciou as buscas por Yasmin assim que soube do desaparecimento. “O Lucas, ao saber do sumiço da Yasmin, parou a lancha, diminuiu o som e começou as buscas”, declarou.
“O Lucas começou a buscar a Yasmin logo quando ele soube, que foi às 22h30. E continuou essa busca até mais ou menos 6 horas da manhã. E depois ele não retornou para a Marina e continuou as buscas com o Corpo de Bombeiros”, acrescentou.
Para a defesa, esse comportamento demonstra que o réu não teria sido indiferente ao desaparecimento da jovem. “Então, o Lucas nunca agiu indiferente com a situação do desaparecimento da Yasmin. E, por isso, não pode ser imputado a ele qualquer tipo de homicídio doloso”, afirmou Paulo Batista.
O advogado também contestou argumentos relacionados às condições da embarcação durante o passeio em que Yasmin desapareceu. Segundo ele, questões como o número de pessoas na lancha e a quantidade de coletes salva-vidas já foram analisadas pelo Tribunal Marítimo e não devem ser utilizadas para sustentar a acusação de homicídio.
“Além do mais, as causas que algumas pessoas falam, porque a lancha tinha mais de 12 pessoas, porque não tinha muitos coletes, isso tudo já foi resolvido no Tribunal Marítimo. É uma questão administrativa e não tem a ver com a questão do homicídio”, disse.
Defesa nega fraude processual
Durante a entrevista no tribunal, Paulo Batista também negou que Lucas tenha tentado alterar a embarcação para dificultar as investigações. A acusação sustenta que o réu teria pintado a lancha após o ocorrido, o que poderia caracterizar fraude processual.
“Isso daí realmente não aconteceu, porque as vezes que a lancha precisou ser utilizada durante o inquérito policial, ela foi utilizada de forma adequada, sem nenhum tipo de obstrução”, afirmou Paulo Batista.
Segundo o advogado, a pintura ocorreu após a embarcação passar por manutenção. “Inclusive, consta que, na primeira vez que a lancha foi usada, ela precisou passar por manutenção após sair da água e o Lucas apenas pintou e não fez mais nada”, declarou.
Paulo Batista também afirmou que, em uma segunda reprodução simulada, a embarcação não precisaria necessariamente ser utilizada. “Quando foi feito o segundo momento da reprodução simulada, era tão somente para fazer um teste de contabilidade, ou seja, a lancha não precisaria necessariamente ser usada”, disse.
Defesa admite porte ilegal de arma
Em relação à acusação de porte ilegal de arma, Paulo Batista afirmou que a defesa irá assumir a responsabilidade pelo crime. Segundo ele, a estratégia adotada é concentrar a atuação na acusação considerada mais grave no julgamento.
“Nós vamos assumir o porte ilegal de arma. Porque a nossa defesa é estratégica e prudente. Nós não vamos inventar coisa nova, nós vamos trabalhar com aquilo que tem dentro dos autos”, afirmou.
Julgamento
O julgamento de Lucas Magalhães ocorre nesta terça-feira (25), no Tribunal do Júri, em Belém, quase cinco anos após a morte de Yasmin. Testemunhas são ouvidas durante a sessão, enquanto acusação e defesa apresentam aos jurados os argumentos sobre a dinâmica dos acontecimentos e a responsabilidade do réu.
Mais cedo, o promotor de Justiça Edson Souza afirmou que uma das principais questões a serem analisadas pelos jurados é justamente a natureza da conduta de Lucas. Segundo o Ministério Público, é necessário avaliar se houve intenção de matar Yasmin ou se a morte ocorreu em uma situação de negligência ou imprudência.
Relembre o caso
Yasmin morreu após desaparecer durante um passeio de lancha no dia 12 de dezembro de 2021. Conforme a investigação, a jovem teria caído na água e posteriormente foi encontrada morta. A causa da morte apontada no processo foi afogamento
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