Caso Giovanna: Família afirma que ainda não recebeu esclarecimentos sobre o que ocorreu
Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, morreu no dia 8 deste mês, após realizar procedimentos estéticos em um hospital de Belém
A família de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, ainda busca respostas sobre as circunstâncias que levaram à morte da jovem, ocorrida no dia 8 de agosto, após a realização de procedimentos cirúrgicos estéticos em um hospital de Belém. A afirmação é da médica Ana Caroline Coelho, irmã da vítima, que decidiu falar publicamente sobre o caso.
Segundo Ana Caroline, Giovanna sonhava em realizar a cirurgia desde os 15 anos e teria pesquisado diferentes profissionais antes de escolher o cirurgião que realizou os procedimentos. A jovem era empresária do ramo de óticas. “A minha irmã sonhava em realizar essa cirurgia desde os 15 anos, então ela tem esse sonho há muito tempo, foi muito pesquisado, ela passou em diversos médicos, fez diversos orçamentos e, por meio de uma amizade com a secretária do médico que ela faz o procedimento, ela opta por fazer com ele”, relatou a irmã.
De acordo com Ana Caroline, Giovanna foi submetida a quatro procedimentos cirúrgicos. Ela deu entrada no hospital por volta das 6h30 e a cirurgia começou aproximadamente às 9h30. “Ela faz quatro procedimentos cirúrgicos. Ela dá entrada no hospital às seis e meia da manhã e, por volta de nove e meia, ela começa o procedimento cirúrgico. A própria secretária relata que dura em torno de quatro horas, quatro horas e meia o procedimento que ela realizou”, afirmou.
A irmã conta que Giovanna começou a passar mal por volta das 23h, cerca de algumas horas após o procedimento. Segundo Ana Caroline, a jovem tentou pedir ajuda por mensagens, mas não tinha acesso direto ao médico responsável pela cirurgia. “A Giovanna não tinha acesso ao WhatsApp do médico. Todo o contato dela era com a amiga e secretária e ela tinha um WhatsApp da clínica. Giovanna começa a passar mal 11 horas da noite. Manda mensagem para a clínica, pede socorro. Manda mensagem para a amiga, pede socorro, das quais todas respondem que é normal e que só vão disponibilizar o número do médico a partir das seis horas da manhã”, declarou.
Ana Caroline afirma que a família possui registros das conversas e que o material deverá ser analisado durante as investigações. “Não é achismo, é fato, tenho provas, tá? Tudo que eu estou falando aqui, grande parte tem como provar e grande parte vai ser provada pela polícia”, destacou.
Ainda segundo a irmã, Giovanna sentia muitas dores e chegou a dizer que não iria suportar. A família teria tentado localizar o médico responsável pelo procedimento enquanto buscava atendimento para a jovem. “A minha irmã pede socorro. Socorro. Muitas dores. Ela diz que não vai aguentar. Começa uma luta incessante a ligar para o médico assistente e a tentar buscar o médico assistente no hospital que ela está, do qual ela não tem assistência médica no período noturno, até o momento que ela vai para a sala vermelha no início da manhã de sábado”, relatou.
Segundo Ana Caroline, Giovanna sofreu quatro paradas cardíacas e precisou ser submetida a uma nova cirurgia. Ela afirma que a família não teria recebido informações suficientes sobre a gravidade do quadro. “Minha irmã teve ao todo quatro paradas cardíacas e precisou ser reabordada cirurgicamente. Em nenhum momento nós fomos, em nenhum momento deram satisfação para a família do que estava acontecendo, qual era o estado grave da irmã por parte do médico e do anestesista responsáveis pela cirurgia”, afirmou.
A irmã também relata que amigos e colegas médicos da família foram ao hospital para ajudar no atendimento e que uma equipe particular foi contratada. “Em meio ao desespero meus amigos, colegas médicos, comparecem, ajudam, contratam uma equipe particular, Giovanna é reabordada cirurgicamente, Giovanna evoluiu a óbito”, contou.
Para Ana Caroline, a falta de informações permanece sendo uma das principais angústias da família. Ela afirma que nenhum dos médicos responsáveis pela cirurgia teria procurado os familiares para explicar o que aconteceu. “Hoje tem nove dias que a Giovanna faleceu e nós não temos nenhum contato dos médicos que realizaram o procedimento cirúrgico na Giovanna. O que aconteceu? Por que minha irmã veio a óbito no pós-operatório imediato da cirurgia? O que aconteceu nessa cirurgia? Por que eles não falam? Por que a gente não sabe? A gente não tem esclarecimento de nada, a gente não sabe o que aconteceu”, declarou.
A médica ressalta que a família ainda não sabe se houve erro médico e que a definição dependerá das investigações e da análise das provas. “Giovanna veio a óbito e até o momento a gente não sabe o que aconteceu. Se vai ter erro médico, alguma coisa assim, isso são provas de processos que vão ser instaurados. Mas o que aconteceu nessa cirurgia? A gente só quer respostas”, destacou.
Ao falar sobre a irmã, Ana Caroline afirmou que Giovanna tinha planos e queria apenas viver. “A minha irmã era uma pessoa cheia de vida, ela só queria viver, ela não queria morrer. E agora, o que a gente faz? É muito importante que todos ajudem a gente, é muito importante a gente ter esse apoio para que a gente vá atrás de justiça”, afirmou.
Por fim, a irmã da vítima defendeu que o caso seja investigado de forma imparcial e que eventuais responsáveis sejam identificados e responsabilizados. “A gente precisa de uma medicina imparcial, a gente precisa da culpabilização de quem é responsável e é isso que a gente quer, respostas”, declarou.
A morte de Giovanna é investigada pela Polícia Civil. Segundo o advogado da família, Marco Pina, o inquérito tem, inicialmente, a capitulação de homicídio culposo. A defesa também afirma que mais de dez pessoas procuraram o escritório relatando supostas experiências semelhantes com o cirurgião plástico André Melo. Os relatos ainda deverão ser formalizados e analisados pelas autoridades.
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