Policial Militar reformado é assassinado dentro de farmácia no Curuçambá
Esse é o terceiro homicídio no local que seria motivado pela cobrança da "taxa do crime" por facção criminosa
Um Policial Militar reformado foi assassinado no início da tarde desta terça-feira (27/01), no bairro do Curuçambá, em Ananindeua. O policial identificado como Carlos Alexandre da Silva, de 41 anos, que foi cabo do 24º Batalhão da Polícia Militar (24º BPM), foi atingido por disparos de uma arma de fogo quando estava no balcão de uma pequena farmácia localizada na avenida Rio Baraúna, em frente a um supermercado.
A vítima era conhecida como cabo Silva e estava na reserva há apenas quatro meses. Ele deixa a esposa viúva e um filho de 11 anos órfão. O cabo havia ido buscar alguns remédios na farmácia de uma prima, como sempre fazia. Nesta segunda-feira (27), por não ter os remédios na unidade em que sempre ia resolveu ir até a unidade da farmácia de bairro da avenida Rio Baraúna.
Por volta de 11h30, enquanto Carlos Alexandre estava aguardando, do lado de dentro da farmácia, um homem de camisa preta e bermuda jeans branca entra no estabelecimento. De acordo com testemunhas, o suspeito teria dito que havia ido cobrar a "taxa do crime".
Imagens da câmera de segurança, mostram que poucos segundos depois de falar com o policial, o criminoso saca a pistola. Carlos Alexandre tentou reagir segurando um dos braços do criminoso e também tentando sacar um revólver, porém o bandido atira e acerta o policial que cai do lado de dentro da farmácia.
O criminoso foge rapidamente pela porta da frente. Em seguida, uma atendente que também estava na farmácia grita desesperada por socorro na rua. Equipes da Polícia Militar que estiveram no local após o apreenderam uma moto, que suspeitasse ter sido usada pelo criminoso.
De acordo com familiares, a farmácia sempre foi um estabelecimento tranquilo, que nunca tinha tido nenhum tipo de ocorrência, como assaltos ou furtos. Em pouco mais de um ano, esse é o terceiro homicídio registrado no quarteirão da avenida Rio Baraúnas entre as ruas Tapera e Mucucucaua.
No dia 3 de dezembro de 2024, dois homicídios contra vendedores foram cometidos a poucos metros de distância de onde ocorreu o crime contra o policial.
Naquela ocasião, o vendedor de hortifruti José Antônio Corrêa de Oliveira, de 48 anos, foi morto com três tiros de uma pistola 380 na rua Tapera, quase de esquina da avenida Rio Baraúna, ao lado de um supermercado, durante a manhã. O crime ocorreu enquanto José abastecia o supermercado com hortifrutis.
Algumas horas depois, também no dia 3 de dezembro de 2024, outro comerciante - Maciel Pinto da Silva, de 30 anos - foi executado de maneira bárbara durante a noite, enquanto trabalhava em estabelecimento na avenida Rio Baraúna. A vítima, popularmente conhecido como Bill, estava sentado onde vendia frutas, guardando seus produtos, quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. O garupa desceu e disparou ao menos três vezes pelas costas da vítima, que morreu no local. Bill se negava a pagar a taxa de extorsão dos criminosos.
Há semelhanças fortes na forma como os três homicídios ocorreram, sempre com arma de fogo, com criminosos agindo rapidamente e com testemunhas reforçando que a motivação para o homicídio seria o não pagamento da chamada "taxa do crime". A cobrança é uma extorsão de facções criminosas, dentre elas a mais conhecida como Comando Vermelho, aos comerciantes das periferias de Belém e do Estado do Pará.
Sobre o homicídio do policial Carlos Alexandre da Silva, a Polícia Civil do Pará informou, por meio de nota, que "o caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Agentes Públicos (DHAP), vinculada à Divisão de Homicídios. Perícias no local do crime e exame de necropsia foram solicitados. Testemunhas estão sendo ouvidas e imagens de câmeras de segurança são analisadas para esclarecer a autoria e a motivação do crime".
A Polícia Militar do Pará lamentou, por meio de nota, a morte do policial militar e informou que equipes do Comando de Policiamento da Região Metropolitana e do Comando de Missões Especiais intensificaram as buscas para identificar e prender os responsáveis pelo crime. "A Corporação presta apoio à família por meio do Centro Integrado de Atenção Psicossocial (CIAP) e se solidariza com familiares, amigos e colegas de farda do PM".
A reportagem também solicitou informações à Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) sobre as investigações dos outros dois homicídios cometidos na avenida Rio Baraúnas e o combate à facções criminosas. O espaço segue aberto.
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