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Integração das forças é principal arma contra o crime organizado no Pará, diz superintendente da PRF

Um resultado dessa cooperação foi a apreensão de uma tonelada de cocaína em Goianésia do Pará, no sudeste paraense, na segunda (6/4)

O Liberal

A integração entre as forças de segurança pública tem sido a principal arma contra o crime organizado. É o que afirmou Haroldo Texeira, superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Pará, à imprensa nesta terça-feira (7/4). Um resultado dessa cooperação foi a apreensão de uma tonelada de cocaína em Goianésia do Pará, no sudeste paraense, na segunda (6/4). A droga que, possivelmente, tinha como destino a Europa estava armazenada no fundo falso de um caminhão de origem do Mato Grosso, estado da região Centro-Oeste do Brasil. O veículo foi interceptado enquanto trafegava de Marabá para Goianésia do Pará. Segundo a polícia, o prejuízo para o tráfico de drogas foi estimado entre R$ 300 milhões e R$ 600 milhões.

O caminhão tinha como destino o Porto de Barcarena, no Pará, onde o entorpecente seria embarcado para fora do Brasil. A suspeita das autoridades de que a droga seria exportada para outro continente é por conta do alto grau de pureza da carga da cocaína.

De acordo com a PRF, o forte nervosismo do motorista do automóvel ao ser questionado sobre o destino e o motivo da viagem reforçou as suspeitas dos agentes. Com o apoio da Polícia Militar do Pará (PMPA) e do 1º Batalhão de Missões Especiais, a equipe realizou uma busca minuciosa no veículo. Ao inspecionar o assoalho da caçamba, os policiais localizaram 998 tabletes do entorpecente. O motorista foi preso.

Para combater o tráfico no estado, uma das principais estratégias é a união entre os órgãos de segurança. “Esse carregamento vinha do Mato Grosso, com destino ao porto de Barcarena. Provavelmente seria para exportação o mercado transatlântico da Europa e da África”, disse ele.

Entre as principais vias monitoradas pela PRF estão a BR-163, BR-230, BR-155, BR-010 e BR-316.

“O tráfico de drogas no Pará opera utilizando-se dos nossos rios, estradas e rodovias. A característica do nosso estado é a dimensão continental, então essa integração é de suma importância, não só na fiscalização, mas também na inteligência", destacou o superintendente da PRF.

"A Polícia Rodoviária Federal vem intensificando a fiscalização, em conjunto com outras forças de segurança do estado, nos principais corredores logísticos usados pelo crime organizado. Grandes apreensões nossas (de drogas) são encontradas em fundos falsos ou misturadas a madeira ou outro tipo de carregamento”, completou.

O que diz a defesa do motorista?

Os advogados criminalistas Diego Adriano Freires e Caio Lins assumiram a defesa de Rodrigo Correia de Almeida, o motorista do caminhão que levava uma tonelada de droga. Segundo Diego, há fortes indícios de que o motorista tenha sido induzido ao erro, sem conhecimento da existência de um fundo falso na carreta, onde a droga foi localizada. A defesa sustenta que Rodrigo exercia apenas a função de transporte, sem participação consciente em qualquer organização criminosa.

O advogado destacou que a audiência de custódia será realizada apenas na quarta-feira (8/4). “O motorista tem direito de provar sua inocência em liberdade. Não se pode antecipar uma condenação com base apenas no flagrante, especialmente diante das circunstâncias ainda não esclarecidas”, afirmou o Freires.

A defesa ressaltou que Rodrigo “possui endereço fixo, bons antecedentes e nunca respondeu por crime dessa natureza, tendo mais de 12 anos de atuação como motorista profissional”, circunstâncias que, de acordo com o advogado, reforçam a ausência de periculosidade social.

Além disso, a defesa também contou que Rodrigo permaneceu no local por aproximadamente duas horas aguardando a chegada da Polícia Rodoviária Federal, após ter sido inicialmente abordado pela Polícia Militar, não havendo qualquer tentativa de fuga. “Ele não tentou se evadir em nenhum momento. Isso demonstra, de forma clara, que não havia consciência de estar praticando qualquer ilícito”, pontuou o advogado.