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Delegada presa por envolvimento com PCC de São Paulo defendeu membros no Pará

Layla Lima Ayub foi advogada de membros do PCC no Pará e tinha relacionamento amoroso com Jardel Neto, de 28 anos, liderança da facção na região Norte

O Liberal

A recém-empossada delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo por advogar para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), namorava com um dos "braços fortes" da facção na região Norte, Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos. O casal, que foi preso durante a Operação Serpens, teria se conhecido no Estado do Pará, quando Layla foi a advogada de Jardel e outros membros do PCC, da região sudeste do Pará.

Layla Ayub foi presa durante a operação, na cidade de São Paulo, que contou investigações do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). O MP aponta indícios de que Layla tenha continuado a exercer a advocacia de forma irregular após assumir o cargo, inclusive em audiência de custódia, na defesa de presos supostamente vinculados a organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), conduta proibida à função policial. O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/PA) investigou e levantou informações que embasaram os pedidos feitos pelo Gaeco/SP.

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A operação realizada na última sexta-feira (16) cumpriu sete mandados de busca e apreensão nos municípios de São Paulo (SP) e Marabá (PA). Layla Ayub tinha inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB-Secção PA).

Jardel é acusado de ser uma das lideranças do PCC na região Norte, com envolvimento na venda de armas e drogas, segundo investigação da Polícia Federal. Ele é namorado da delegada Layla Ayub e esteve na posse dela em São Paulo, em dezembro do ano passado. Layla estava em período de formação na Academia de Polícia, por isso ela ainda não atuava na função, segundo o governo paulista. No último sábado (17), foi feita audiência de custódia e a prisão foi mantida. O processo tramita sob segredo de justiça.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, falou em coletiva de imprensa que "ela tinha um compromisso com o crime organizado". De acordo com o secretário, a investigação mostrou que Ayub participou como advogada numa audiência de custódia de membros da facção no Pará mesmo após ter sido empossada como delegada em São Paulo, em dezembro, o que é contrário ao ordenamento legal.

O Ministério Público de São Paulo detalhou que a delegada se envolveu romanticamente com um homem membro do PCC no Pará, Jardel Neto, condenado por tráfico de drogas e um dos líderes do grupo criminoso no Norte do país. Ayub teria se aproximado de Jardel ao atuar na defesa de faccionados presos na região de Marabá, no Pará. Segundo a investigação, ela teria o visitado Jardel diversas vezes na prisão. O acusado estava em liberdade condicional desde novembro.

"Era um indivíduo faccionado que estava na condicional e, de maneira irregular, veio para São Paulo com ela", disse o promotor de São Paulo Carlos Gaya, à BBC News Brasil. Jardel também foi preso na operação.

O casal estava morando junto em São Paulo. A delegada chegou a levar o membro da PCC para a cerimônia de posse. O evento contou com uma série de autoridades, incluindo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os dois estavam em tratativa para adquirir uma padaria na zona leste de São Paulo, e a suspeita é de que o estabelecimento seria usado para lavagem de dinheiro.

A decisão que autorizou a prisão de Layla Ayub, do juiz Paulo Fernando de Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), diz ser necessário o aprofundamento das investigações. "Mas os indícios são mais do que veementes, com gravações, termos de audiência, fotografias, dentre outros elementos", descreve o magistrado.

A prisão é parte da operação Serpens, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), da Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo e do GAECO do Estado do Pará.

Nas redes sociais, Layla já se apresentava como delegada de polícia, ex-advogada criminalista e ex-policial militar do Espírito Santo. Documentos da corporação capixaba apontam que ela atuou em cidades como Mimoso do Sul e Alegre.

Ela também foi como membro da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Marabá/PA.

Apesar da relação íntima entre a advogada e a facção, a polícia de São Paulo diz que não há indicativo de que a facção tenha financiado a formação de Layla Ayub e que existe a hipótese de que ela tenha sido cooptada "no curso do contato com lideranças da organização em presídios no Pará" e que "isso se aprofundou a partir de um relacionamento amoroso com uma dessas lideranças."