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Namorado de delegada, apontado como líder do PCC, esteve na cerimônia de posse

"Ela o trouxe para a capital, chegando a levá-lo para a cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes", disse a Polícia

Estadão Conteúdo

O promotor do Ministério Público de São Paulo, Carlos Gaya, disse nesta sexta-feira, 16, a delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, recém-empossada e presa por suspeita de envolvimento com o PCC, esteve na cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, com o namorado, apontado como um dos líderes da facção em Roraima.

De acordo com o promotor, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, era "notoriamente faccionado, já havia sido condenado por integrar o PCC, pelo crime de tráfico de drogas, era uma liderança na região Norte do País". Eles foram presos juntos em uma pensão na zona oeste da capital.

"Ambos estavam residindo aqui no Estado de SP. Ele é um individuo notoriamente faccionado, já havia sido condenado por integrar o PCC, pelo crime de tráfico de drogas, era uma liderança na região Norte do País. Ela o trouxe para a capital, chegando a levá-lo para a cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes."

A Corregedoria da Polícia Civil não revela a origem da investigação, mas afirma que, para além do relacionamento amoroso com o faccionado, também foi descoberta a atuação da delegada como advogada de um outro integrante do PCC no Pará nove dias após a cerimônia de posse - tal fato é considerado com prova robusta.

Em entrevista coletiva sobre o caso, o secretário da Segurança Pública de São Paulo (SSP), Oswaldo Nico Gonçalves, negou que o processo seletivo tenha falhado.

"Não falhou. Não tinha nenhum apontamento até então. (...) Eu não queria estar aqui neste momento, queria contar com mais uma aluna na academia, a gente está precisando de delegado, eu queria contar com isso. Mas a pessoa está em estágio probatório por três anos. Por três anos pode ser investigado."

A Justiça determinou a prisão temporária de Layla e investiga o nível de envolvimento dela com a facção. Na decisão, o juiz aponta para a suspeita de que ela tenha entrado para a Civil a mando do PCC.

"De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do País, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso", afirmou o juiz na decisão.

O corregedor geral da Polícia Civil, João Batista Palma Beolchi, disse nesta sexta, também em coletiva, que a investigação será extensa e irá comprovar se ela de fato prestou concurso a mando do PCC.

"Realmente se trata de uma investigação. Ela que vai nos mostrar a real amplitude do nível de comprometimento dessa delegada. A investigação procede justamente para investigar essa dúvida. Mas há essa possibilidade."

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