Polícia Civil prende suspeitos de participação em incêndio em matas de Alter do Chão

Operação cumpriu quatro mandados de prisão esta manhã em Santarém

Redação integrada de O Liberal

Na manhã desta terça-feira (26), a Polícia Civil do Pará deflagrou a operação denominada "Fogo do Sairé", primeira fase das ações que apuram a origem dos incêndios de grandes proporções que atingiram a região de Alter do Chão, em Santarém, no oeste paraense, em setembro deste ano.

Durante dois meses de investigações, foram colhidos indícios que apontam o envolvimento de ONGs, entre elas, a Brigada de Incêndio de Alter do Chão, como causadoras dos referidos episódios. Em nota, a ONG se disse surpresa com as prisões e que espera que tudo seja esclarecido (Leia a nota na íntegra ao final da matéria).

Com o apoio de 30 policiais e seis viaturas, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão - que incluíram o recolhimento de computadores, HDs, telefones celulares, documentos, etc. As ações iniciaram às 5h e foram realizadas pela Delegacia Especializada em Conflitos Agrários de Santarém (Deca) e Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), com o apoio da Diretoria de Polícia do Interior (DPI).

Focos de fogo se alastraram em setembro passado na região (Jader Paes - Agência Pará)

Os presos preventivamente são Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner, além de sete mandados de busca e apreensão em diversos endereços.

De acordo com o delegado geral da Polícia Civil, Alberto Teixeira, o inquérito instaurado para investigar as circunstâncias do ocorrido colheu indícios que apontavam para a autoria de pessoas ligadas à organização não-governamental Brigada de Incêndio de Alter do Chão, para quem foram expedidos os mandados de prisão preventiva.

“É uma operação de grande importância, realizada para elucidar o quanto antes as origens desse incêndio criminoso. A expectativa é que os documentos apreendidos possam fornecer mais detalhes para as próximas etapas do processo investigativo”, destaca Alberto.

O titular da DPI, José Humberto Melo Jr., confirma que, desde o início das investigações, havia suspeições de que os brigadistas tinham informações e imagens privilegiadas dos focos de incêndio.

"Eles filmavam, publicavam e depois eram acionados pelo poder público a auxiliar no controle de um incêndio que eles mesmos causavam. Toda vez alegavam surpresa ao chegar no local, mas não havia outra possibilidade lógica", justifica.

A autoridade policial também informou que, com o andamento dos trabalhos, veio ao conhecimento da PC que os investimentos direcionados a essa ONG vinham de fora do país, e isso sustentou a iniciativa de uma medida cautelar solicitando a interceptação telefônica dos envolvidos. 

Melo Jr. relata que os doadores são vistos como também vítimas nas investigações, pois estariam sendo influenciados a investir tendo acesso a fotos e vídeos desses incêndios supostamente provocados. Em uma das doações, a ONG recebeu R$ 300 mil, com uso confirmado de 1/3 desse valor. A Polícia Civil ainda não sabe o que foi feito do restante.

Fogo do Sairé

O primeiro foco de incêndio identificado na região ocorreu no dia 14 de setembro e atingiu uma área de mata conhecida como Capadócia, que fica entre a localidade de Ponta de Pedras e a vila de Alter do Chão. No dia seguinte, após as chamas serem controladas, um novo foco de incêndio foi identificado pela equipe do Corpo de Bombeiros no local.

No dia 16 de setembro, o governo do Estado montou uma força-tarefa para combater o incêndio na região. Mais de 200 homens trabalharam para conter o fogo, entre militares do estado – Bombeiros e Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Pará (Graesp), do Exército Brasileiro e brigadistas voluntários, Prefeitura de Santarém, Polícia Civil e Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

Ainda no mesmo dia, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Conflitos Agrários de Santarém, instaurou inquérito para investigar se o incêndio foi provocado e outras situações que envolvam crimes ambientais.

Leia a nota da ONG Brigada de Incêndio de Alter do Chão sobre as prisões

Desde 2018 a Brigada de Alter tem atuado no apoio ao combate a incêndios florestais. Em agosto de 2019 houve um segundo curso dado  pelos Bombeiros Militares, Defesa Civil e Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Turismo de Belterra que culminou com a formação de mais nove brigadistas voluntários. Eles têm, desde então, se empenhado diariamente em proteger a Área de Proteção Ambiental de Alter do Chão, em paralelo às suas atividades profissionais e pessoais  - sempre ao lado do Corpo de Bombeiros.

Nessa madrugada (26/11), a Polícia se dirigiu à residência de quatro membros da Brigada com ordem de prisão preventiva. No momento, membros e apoiadores da Brigada estão apurando o que levou a esse fato. Estamos em choque com a prisão de pessoas que não fazem senão dedicar parte de suas vidas à proteção da comunidade, porém certos de que qualquer que seja a denúncia, ela será esclarecida e a inocência da Brigada e seus membros devidamente reconhecida. Estamos sem acesso à nossa conta do Instagram por onde normalmente nos comunicamos com os nossos apoiadores, esperamos que tudo se restabeleça o quanto antes.

Pará
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