Pesquisa aponta que eventos climáticos extremos podem impactar reprodução de peixes no rio Amazonas

A pesquisa foi publicada na revista Frontiers in Environmental Science, estudo realizado por integrantes da Ufopa, em parceria com a UFMA

O Liberal
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Eventos climáticos extremos, também conhecidos como El Niño Oscilação Sul (Enos), afetam a reprodução de peixes na região do Baixo Amazonas. A informação foi publicada na revista Frontiers in Environmental Science, estudo realizado por integrantes do Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton e Pesca em Águas Interiores (Leipai) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Intitulado “Effects of anomalous climatic events on the structure of fish larvae assemblages in the eastern Amazon” (Efeitos de eventos climáticos anômalos na estrutura de comunidades de larvas de peixes na Amazônia Oriental – em livre tradução), o artigo sugere que a incidência de eventos climáticos extremos, adicionados à exploração pesqueira regional, pode afetar negativamente a fenologia e os padrões demográficos das assembleias de larvas em uma escala temporal curta.

Os pesquisadores investigaram a estrutura taxonômica e funcional dos estoques de larvas de peixes parentais e como as espécies modulam suas atividades reprodutivas antes (2013 e 2014) e durante os eventos La Niña (2018) e El Niño (2019). Os dados evidenciam que as assembleias larvais sofreram alterações na composição taxonômica e funcional entre os três períodos analisados, apresentando um padrão de distribuição temporal com alta influência de variáveis ambientais.

De acordo com o artigo, a reprodução dos peixes neotropicais está ligada a estímulos ambientais que atuam como gatilhos neste processo. “Os fenômenos El Niño Oscilação Sul (ENOS) influenciam a precipitação e, consequentemente, a dinâmica hidrológica, afetando diversos aspectos da ictiofauna, principalmente aspectos reprodutivos”.

A pesquisa faz parte da dissertação de Mestrado de Ruineris Almado Cajado, discente do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aquática e Pesca da Universidade Federal do Pará (UFPA) e integrante do Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton e Pesca em Águas Interiores (Leipai), que está vinculado ao Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA) da Ufopa. Também assinam o artigo Lucas Silva de Oliveira, Fabíola Katrine Souza da Silva e Diego Maia Zacardi, que integram o Leipai; e o professor da UFMA Marcelo Andrade, que é pesquisador do Núcleo de Ecologia Aquática e Pesca da Amazônia (NEAP).

“Na Amazônia, as evidências empíricas do efeito de eventos climáticos anômalos na reprodução dos peixes ainda são incipientes. No entanto, sabemos que mudanças ambientais específicas podem delimitar o período e o sucesso reprodutivo da maioria dos peixes”, afirma o coordenador do Leipai, Diego Maia Zacardi, que é professor da Ufopa.

A pesquisa foi realizada no Baixo Amazonas, próximo ao município de Santarém, no Oeste do Pará, mais especificamente no canal principal do rio Amazonas, ao longo de áreas marginais de um complexo de ilhas aluviais localmente conhecidas como “Ilha das Marrecas”. Segundo o artigo, “o arquipélago da Ilha das Marrecas é uma importante área de pesca fluvial e lacustre no Baixo Amazonas, com a cidade de Santarém sendo o principal mercado de pescado para desembarque e comercialização de peixe”.

Segundo os pesquisadores, as espécies parecem responder a combinações dessas variáveis que refletem condições ambientais propícias ao recrutamento biológico de acordo com suas características ecológicas, permitindo a perpetuação ou declínio de sua abundância em cada período. Todas as espécies de interesse comercial associadas ao período neutro apresentaram um declínio acentuado nos momentos subsequentes.

Pará
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