Estudantes paraenses retornam a Belém após conquista inédita de prêmio de robótica na China
A equipe recebeu o principal prêmio do FIRST LEGO League (FLL) Asia Open Championship 2026
Nesta terça-feira (18), pela manhã, os estudantes da equipe Born to Fight, da Escola Sesi Ananindeua, desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belém - Júlio César Ribeiro após a conquista do 1º lugar no FIRST LEGO League (FLL) Asia Open Championship 2026, realizado em Pequim, na China. A equipe recebeu, no domingo (16), o Champions Award, principal prêmio do torneio, após competir com 160 equipes de 30 países e regiões. A conquista é inédita para o Pará e ocorreu justamente na primeira participação de uma equipe paraense em um mundial da modalidade.
Os estudantes foram recebidos com música e cartazes, em um momento de comemoração e reencontro com familiares, professores e amigos. A equipe é formada por estudantes de 13 a 16 anos e chegou ao mundial após se destacar na etapa nacional, realizada em março, em São Paulo, quando conquistou o Prêmio Niède Guidon, de melhor Projeto de Inovação do Brasil, e o primeiro lugar em Design do Robô.
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Para a estudante Maria Clara Mesquita, de 16 anos, participar do torneio foi a “melhor experiência da vida”. Ela conta que, durante a premiação, houve um momento em que ela foi chamada para ficar mais perto do palco e em seguida veio a notícia do prêmio. “Foi uma sensação incrível, a gente não está aqui só para representar o Pará, estamos aqui para representar o Brasil. Ganhar uma competição fora foi uma sensação indescritível, só tenho a agradecer”, compartilha Maria Clara.
Tatiana Mesquita, mãe da estudante, conta que acompanhar os dias de Maria longe de casa foi emocionante. “Quando aqui era dia, lá era noite, então a gente tinha que ficar acordado acompanhando tudo que eles estavam fazendo. Hoje eles chegaram aqui e ver essa vitória é muito gratificante, é muito emocionante. Viva a educação brasileira!”, diz Tatiana.
Clara Perez, estudante de 16 anos, conta que a conquista era algo que a equipe Born to Fight desejava muito, mas não esperava. “Foi uma sensação incrível, estou muito feliz. Não tem palavras pra descrever, só que foi absurdo”, comemora.
A mãe de Clara, Silvana Perez, destaca que os membros da equipe tiveram apenas 24h para se acostumarem com o fuso horário da China, e mesmo assim conseguiram a vitória. “Não tem explicação ao ver minha filha chegando onde ela chegou. Se eu começar a falar, eu choro, nunca pensei em poder vivenciar esse momento. Só tenho a agradecer ao Alan, ao Renato, ao Sesi, por tudo isso”, pontua.
Desempenho
Durante a etapa nacional, que foi realizada em São Paulo, a equipe Born to Fight conquistou o Prêmio Niède Guidon, de melhor Projeto de Inovação do Brasil, e o 1º lugar em Design do Robô. O desempenho garantiu à equipe da Escola Sesi Ananindeua a classificação para o torneio internacional.
“A premiação é inédita na modalidade FFL. Apesar da gente ter outros torneios internacionais, esse foi o primeiro torneio disputado na Ásia com equipes muito competitivas. Nossa equipe foi lá, deu o recado e conquistou o primeiro lugar”, destaca Marta Guedes, gerente executiva de educação do Sesi.
A proposta dos estudantes do Sesi no torneio foi voltada à preservação da memória. A temporada 2025/2026 da FIRST LEGO League tem como tema Unearthed, inspirado na arqueologia, na exploração do passado e na preservação do patrimônio. A partir desse desafio, a Born to Fight desenvolveu o Relicário Amazônia, projeto que combina impressão 3D e tecnologia NFC para criar novas formas de acesso a artefatos arqueológicos.
Objetos arqueológicos carregam informações sobre povos, modos de vida e diferentes períodos da história, mas a necessidade de preservação muitas vezes restringe o contato direto do público com essas peças. A solução desenvolvida pelos estudantes utiliza impressão 3D para produzir réplicas que podem ser manuseadas sem colocar os artefatos originais em risco.
A reprodução também cria possibilidades de acessibilidade, especialmente para pessoas com deficiência visual, que podem explorar as formas e características das peças por meio do toque. O recurso de comunicação por aproximação NFC complementou a experiência, permitindo acessar, por meio de dispositivos móveis, informações sobre a origem, o contexto histórico e a importância cultural de cada objeto.
“É um grande orgulho trazer esse título para o Pará, foi um ano e quatro meses de dedicação nos treinos e na pesquisa. E nós representamos o Brasil, competindo com 160 equipes de todo o mundo. Ser o primeiro colocado é espetacular, é um orgulho para todos nós”, finaliza Alan Raiol, técnico da equipe Born to Fight, em conjunto com o professor Renato Ferreira.
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de João Thiago Dias, coordenador do Núcleo de Atualidades
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