Enem 2026: Preparação de estudantes de Belém entra na fase decisiva a menos de 100 dias da prova
Professores orientam sobre revisão de erros, resolução de provas anteriores e técnicas para administrar o tempo, enquanto psicóloga alerta para os cuidados com a saúde mental.
A movimentação dentro das salas de aula já mudou! Com menos de 100 dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026, estudantes entram na etapa considerada mais estratégica da preparação. O período é marcado por uma redução no volume de conteúdos inéditos e pelo aumento das revisões, resolução de exercícios, simulados e redações, além da análise das dificuldades identificadas ao longo do ano.
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Em Belém, alunos de curso pré-vestibular reorganizaram a rotina de estudos para aproveitar os meses que antecedem a prova, marcada para os dias 8 e 15 de novembro. Enquanto os candidatos reforçam disciplinas consideradas decisivas para a nota, professores orientam que a reta final deve ser utilizada para consolidar conhecimentos, corrigir falhas e desenvolver estratégias de administração do tempo durante o exame. Especialistas também chamam atenção para a importância de preservar o equilíbrio emocional durante esse período.
No primeiro domingo de aplicação, os candidatos responderão às provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da redação. No segundo dia, o exame será composto pelas provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias.
Reta final exige mudanças na rotina dos estudantes
Aos 17 anos, Gustavo Wilson de Sousa vive a fase mais intensa da preparação para conquistar uma vaga em Medicina em uma universidade pública. Aluno do 3º ano do Ensino Médio, ele decidiu complementar a rotina do ensino regular acompanhando aulas e revisões em uma turma pré-vestibular do Physics, unidade Alcindo Cacela, instituição onde estuda desde o 7º ano.
Segundo Gustavo, a mudança na dinâmica dos estudos acompanha o calendário do Enem. Se o primeiro semestre foi dedicado à construção da base teórica, agora o foco está na aplicação prática do conhecimento.
"Agora a gente tem que acelerar um pouco mais os estudos. A teoria eu procurei estudar mais no primeiro semestre. Agora, no segundo, estou focando mais em exercícios e na redação, porque é o momento de colocar em prática tudo o que foi aprendido e corrigir os erros", afirma.
A preparação continua mesmo após o período de aulas. Todos os dias, ao chegar em casa, Gustavo reserva parte da noite para revisar conteúdos e resolver listas de exercícios.
"Se eu chegar em casa às sete da noite, vou estudando até umas dez e meia ou onze horas. Depois tomo banho e vou dormir para descansar e começar tudo de novo no outro dia", conta.
Entre todas as disciplinas, Matemática e Redação concentram a maior parte da dedicação. "São as duas matérias que mais puxam a nota para cima. Então meu foco maior está nelas."
Além das revisões, Gustavo aposta nos simulados como ferramenta para desenvolver velocidade e controle do tempo durante a prova.
"A prática ensina a administrar o tempo. Quanto mais simulados a gente faz, mais entende como funciona o Enem e isso ajuda muito quando chega o dia da prova."
Mesmo vivendo o ano mais importante da preparação, ele acredita que o desempenho atual é resultado de um processo iniciado ainda no Ensino Fundamental.
"A base foi construída desde cedo. No Ensino Médio fui aperfeiçoando e agora, no terceirão, é mais uma questão de ajustar os detalhes."
Outro aspecto que considera importante é manter momentos de descanso para evitar desgaste excessivo.
"Nas férias eu também consegui descansar. Esses últimos meses são muito importantes, então a mente precisa estar preparada para chegar bem até novembro."
Estudo ativo orienta preparação de candidata que tenta Medicina pela segunda vez
A organização do tempo também faz parte da rotina de Maria Cecília Aguila Praxedes, de 20 anos. Formada no Ensino Médio desde 2023, ela voltou a se dedicar integralmente aos estudos para tentar uma vaga em Medicina e reorganizou todo o cronograma anual pensando na reta final do Enem.
Ela explica que dividiu o ano em etapas. Nos primeiros meses, concentrou esforços na revisão dos conteúdos de Matemática e Ciências da Natureza. Agora, a prioridade é revisar os assuntos, resolver questões e identificar pontos que ainda precisam ser reforçados.
"Eu organizei o primeiro semestre para revisar praticamente todo o conteúdo, principalmente Matemática e Natureza. Agora estou terminando essa etapa para começar as revisões mais intensas."
Uma das estratégias adotadas por Maria é priorizar o chamado estudo ativo, método baseado na resolução de exercícios e na recuperação constante dos conteúdos já estudados.
"Tenho percebido que o estudo ativo funciona melhor para mim do que apenas assistir às aulas. Hoje faço muitas questões, relembro macetes e reviso partes teóricas que acabam sendo esquecidas."
A estudante também limita a quantidade de disciplinas estudadas diariamente para manter a concentração.
"Procuro estudar no máximo três matérias por dia. Geralmente são duas horas e meia de Matemática, mais duas horas e meia de Ciências da Natureza e um período para Redação, Humanas e Linguagens."
Revisões devem priorizar erros identificados durante os simulados
Para o professor de Física e diretor-geral do Physics, Fabrício Alves, a reta final deve ser utilizada para consolidar conteúdos e trabalhar as principais dificuldades identificadas pelos estudantes ao longo da preparação.
Segundo ele, em Física, assuntos como eletricidade, circuitos elétricos, potência, mecânica, leis de Newton, energia e ondulatória aparecem com frequência nas provas do Enem e merecem atenção especial.
No entanto, independentemente da disciplina, o professor afirma que uma das estratégias mais eficientes é resolver provas anteriores e analisar detalhadamente cada erro.
"O aluno precisa trabalhar em cima do erro. Se está errando determinado conteúdo, é justamente esse assunto que precisa ser revisado. É assim que ele identifica as lacunas da aprendizagem."
Fabrício observa que muitos estudantes fazem simulados apenas para conferir o número de acertos, deixando de aproveitar o principal benefício desse tipo de atividade.
"Não basta saber quantas questões acertou. O importante é identificar o que errou, separar esses conteúdos e construir um caderno de erros para direcionar os estudos."
Ele também recomenda que os candidatos treinem a estratégia de resolução da prova.
"O Enem não deve ser feito na ordem em que as questões aparecem. O ideal é começar pelas questões mais fáceis, garantir esses acertos e só depois avançar para as mais trabalhosas. Isso ajuda a administrar melhor o tempo e melhora o desempenho."
Preparação deve considerar as habilidades cobradas pelo Enem
Na área de Filosofia, o professor Áquiles Amaral explica que a preparação precisa ser baseada nas habilidades avaliadas pelo exame, e não apenas na memorização de conteúdos.
Segundo ele, a resolução constante de questões permite identificar quais competências ainda precisam ser desenvolvidas antes da prova.
"Agora é o momento de resolver muitos itens, revisar aquilo em que o estudante apresenta dificuldade e aprimorar essas habilidades. A resolução de questões mostra exatamente onde ainda existem problemas."
Áquiles destaca que o Enem é estruturado a partir de competências e habilidades previstas na matriz de referência, motivo pelo qual compreender essa lógica é tão importante quanto revisar os conteúdos.
"Hoje a prova não cobra apenas um autor ou um conteúdo específico. O aluno precisa entender quais habilidades estão sendo avaliadas para conseguir interpretar melhor as questões."
Equilíbrio emocional também faz parte da preparação
Além do planejamento dos estudos, especialistas destacam que preservar a saúde mental pode contribuir para uma preparação mais equilibrada.
A psicóloga clínica Ana Violeta Pinheiro, especialista em adolescentes e jovens e formada em Psicologia Escolar pelo Instituto Meira Barbosa (IEMB), explica que a preocupação com o Enem é natural, mas deve ser observada quando começa a comprometer a rotina do estudante.
Segundo ela, mudanças de comportamento, isolamento, alterações de humor, perda do interesse por atividades que antes eram prazerosas e episódios frequentes de choro podem indicar que a pressão está ultrapassando um limite saudável.
"É esperado que exista preocupação com uma prova tão importante, mas precisamos observar quando isso passa a interferir na qualidade de vida do estudante."
Para reduzir a ansiedade, a psicóloga orienta que os candidatos mantenham momentos de lazer, convivência com familiares e amigos e uma rotina de estudos que respeite períodos de descanso.
"É importante estabelecer um limite de horas de estudo por dia, organizar os conteúdos por prioridade e manter atividades que proporcionem bem-estar."
Ela também ressalta a importância do apoio familiar durante os meses que antecedem o exame.
"A família costuma ser a primeira a perceber quando a cobrança está se tornando excessiva. Em muitos casos, o estudante precisa de acolhimento e, quando necessário, de acompanhamento psicológico para enfrentar esse período de forma mais saudável."
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