Chegada do inverno exige reforço no combate à dengue em Marabá

Água da chuva empoçada contribui para o aumento da população de mosquitos transmissores de doenças, o que tem impacto direto na demanda por atendimentos em postos de saúde e hospitais

Tay Marquioro
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As fortes chuvas que caracterizam o início do novo ano em Marabá e toda a região acendem o sinal de alerta para as autoridades de saúde, tanto municipal quanto estadual, que atuam no município. Isto porque a água pluvial empoçada contribui para o aumento da população de mosquitos transmissores de doenças, o que tem impacto direto na demanda por atendimentos em postos de saúde e hospitais. Assim, os Agentes de Combate a Endemias saem às ruas para realizar as visitas domiciliares e orientar a população sobre os cuidados a serem tomados.

image Agentes de saúde batem de porta em porta para orientar a população sobre os cuidados para combater o mosquito da dengue (Tay Marquioro/ O Liberal)

“O nosso esforço maior é em intensificar a rotina de ações para manter o controle nesse período de inverno. O normal é que no período chuvoso aconteça o aumento de criadouros tanto do mosquito comum, que a gente costuma chamar de ‘carapanã’, quanto do próprio mosquito Aedes aegypti. Então o nosso foco agora é massificar os trabalhos”, explica o coordenador de Vigilância Ambiental e Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Amadeu Moreira. “Em paralelo, estamos dando início também ao Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa), em todos os bairros de Marabá. É esse levantamento que reúne informações sobre as áreas que mais concentram criadouros do mosquito e serve como base para que a gente planeje as medidas de controle”.

A preocupação da rede pública de saúde se justifica também porque a população é considerada aliada importante no combate ao mosquito. Nas áreas residenciais, que ocupam a maior parte do município, para garantir os cuidados com os quintais e evitar todo tipo de criadouro para os mosquitos, é fundamental o engajamento de todos. “Doenças como dengue, zika, chikungunya, são enfermidades que todo mundo conhece, mas que todos precisam fazer sua parte continuadamente. Por que o combate depende muito do morador manter o seu quintal limpo, não deixar água parada, evitar qualquer tipo de recipiente que acumule água”, afirma Amadeu.

image Caixas d'água sujas e descobertas: risco para a proliferação dos mosquitos (Tay Marquioro/ O Liberal)

Menor do que os mosquitos comuns, o Aedes aegypti é preto com listras brancas ao longo do tronco, na cabeça e nas patas. As asas são translúcidas e o ruído que o mosquito produz é mínimo, praticamente inaudível ao ser humano. Assim como em outras espécies, o macho se alimenta majoritariamente de frutas, mas a fêmea precisa do sangue para desenvolver os ovos. A postura desses ovos não é feita diretamente na água, mas em milímetros acima da água limpa acumulada, em geral, nas paredes internas dos recipientes. A chuva entra como uma catalisador, que faz o nível dessa água subir e entrar em contato com os ovos, que eclodem em cerca de 30 minutos.

“O mosquito se reproduz rapidamente. Uma única fêmea do Aedes aegypti pode depositar cerca de 2 mil ovos que podem resistir por até dois anos à espera de água para se desenvolver. E isso acontece em questão de minutos. Então o aumento da população de mosquitos nesse período de chuva ele é um fator que traz uma preocupação muito grande para a população e para toda a rede municipal de saúde”, explica o coordenador.

Em campo

Para a servidora Rosa Maria Muniz, Agente de Combate às Endemias que está em campo visitando imóveis, o trabalho das equipes ainda encontra dificuldades para ser executado. “A gente ainda encontra muita resistência. Eu mesma procuro sempre tratar bem, conversar com jeitinho, convencer a autorizar a nossa visita, mas ainda acha gente que não deixa. Eu percebo que tem morador que sabe que seu quintal tem problemas e se recusa a abrir a porta. Isso dificulta demais o serviço da gente”, conta.

De acordo com ela, por mais exaustivas que pareçam as campanhas de conscientização, ainda há quem se surpreenda com os riscos aos quais a população pode ser exposta praticamente dentro de casa. “A gente encontra muitos depósitos de água, caixa d’água descoberta, pneus de carro, de bicicleta, casca de côco, latinhas de alumínio, garrafas, até pedaços de cascas de ovos... tudo isso pode ser criadouro do mosquito”, explica Rosa Maria. “Quando a gente encontra possíveis criadouros, do mosquito, aí nós partimos para o diálogo, né? Entregamos material informativo, falamos dos cuidados, orientamos sobre a limpeza das áreas abertas, fora tudo o que toda a mídia sempre divulga sobre o mosquito. Ainda assim, tem gente que fica surpresa quando a gente explica que basta uma tampinha de garrafa com um pouco de água para que o mosquito se reproduza”.

image Pneus são depósitos de água parada e criadouros potenciais para mosquitos da dengue (Tay Marquioro/ O Liberal)

Essa é uma realidade que não se aplica ao servidor público aposentado Francisco Pereira. Morador da Folha 12, núcleo Nova Marabá, ele já até se acostumou a receber as visitas das equipes de combate a endemias. “Eu recebo os agentes com muita satisfação porque, com certeza, é um trabalho muito importante e que só traz benefícios a todos nós, para toda a cidade. Sem o trabalho deles, nós ficamos à mercê. Porque não basta que eu esteja vigilante ao meu quintal e um vizinho deixar o dele descuidado, disponível para o mosquito procriar. Por isso, eu entendo que nós moradores temos que colaborar com eles”.

De tanto ficar atento às orientações dos agentes, ele já tem na ponta da língua os cuidados que tem em casa e ajuda no trabalho de conscientização na área onde mora. “Eu sempre procuro tampar reservatórios e caixas d'água, coloco areia nos pratinhos de vasos de plantas, aquela bandeja que fica atrás da geladeira eu sempre estou secando também e a qualquer coisa que eu percebo que pode acumular água, eu estou sempre vigilante”, conclui o aposentado.

Pará
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