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Belém é a primeira cidade do norte a realizar transplante de medula óssea

No Pará, mais de 300 pacientes precisam do tratamento

Camila Guimarães

O primeiro transplante de medula óssea do norte do Brasil foi realizado no dia 17 de junho, em Belém. No Pará, cerca de 338 pessoas têm indicação para o transplante, segundo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Porém, até então, a única alternativa era sair do estado para ter acesso ao procedimento, que é indicado para mais de 80 doenças de sangue, incluindo leucemia e alguns tipos de anemia.

A primeira pessoa a fazer transplante de medula óssea, em Belém, foi o professor Elias Alves, de 54 anos. Há pelo menos um ano ele já fazia tratamento para mieloma múltiplo, um tipo de câncer que afeta algumas células da medula e cujo tratamento mais indicado era o transplante.

A esposa de Elias, Emiko Alves, conta que, antes de ser diagnosticado, ele só se queixava de dor no braço, que vinha sendo tratada como um problema articular, até ser realizada uma biópsia e ser constatado o câncer. “Quando ele iniciou o tratamento, já sabíamos que precisava do transplante de medula e logo descobrimos que ele teria que ir para São Paulo ou Fortaleza, porque aqui não tinha”, relata Emiko.

Ela conta que, com a possibilidade de realizar o procedimento em Belém, a família toda se sentiu aliviada e feliz de que, assim como Elias, outras pessoas possam fazer seus tratamentos com mais agilidade: “Estamos felizes porque a gente abriu caminho para que outras pessoas possam realizar o transplante também. Já tem mais dois pacientes agendados. Estamos felizes de ter contribuído para esse avanço”, diz.

O hematologista João Saraiva, responsável técnico da Unidade de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Saúde da Mulher (HSM), é quem está acompanhando o professor Elias Alves e avalia que o procedimento está sendo um sucesso:

“O transplante de medula não é algo que acontece de uma vez, existem etapas. No momento, o paciente já foi transplantado e segue em observação. A expectativa é que a gente consiga melhorar a qualidade de vida dele, evitando que o paciente faça novas quimioterapias em um curto período de tempo. Até hoje, no mundo todo, o transplante para os pacientes de mieloma é a terapia padrão ouro a ser feita”, explica o hematologista.

Emiko também conta que está ansiosa para que o organismo do esposo responda positivamente ao transplante: “A gente está no aguardo da pega da medula, que é o período em que ela se adapta ao corpo e começa a produzir os anticorpos. Ele já começou a fazer medicação para incentivar esse processo. A gente espera que isso aconteça logo para que ele tenha alta”.

 

Primeiros transplantes no Pará serão sem doadores

O hematologista João Saraiva explica que, em obediência à portaria do Ministério da Saúde (MS), o centro de transplante de medula óssea de Belém só tem autorização para realizar um tipo de transplante, chamado autólogo, que é quando o paciente é o seu próprio doador (como no caso de Elias Alves). A restrição deve durar por um período de seis meses a dois anos: “Após esse tempo, poderemos avançar para o transplante alogênico, que é aquele feito com a doação de medula de uma pessoa para a outra”.

O médico detalha as etapas de realização do primeiro transplante autólogo de medula óssea: “Primeiro, o paciente recebe uma medicação para que as células tronco saiam da medula óssea e caiam na corrente sanguínea. Nós coletamos essas células e, em seguida, elas são congeladas. O paciente, então, passará por quimioterapia expressiva, para destruir as células doentes, destruindo, em consequência, as células boas também. Em seguida, reintroduzimos as células que foram congeladas, o que caracteriza o transplante em si”.

Depois desse período o paciente transplantado ficará em observação, em total isolamento, para evitar possíveis infecções, uma vez que o processo diminui a imunidade do indivíduo. Por conta disso, João Saraiva explica que foi necessária a construção de uma estrutura hospitalar especial: “O hospital fez um andar só para o transplante, com 10 apartamentos, todos com filtros capazes de reter até 99% de todas as partículas, além de todos os quartos com pressão positiva, que é outra proteção contra infecções”.

 

Cadastros para doação de medula já podem ser feitos

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) revelam que, apesar do Brasil ser o terceiro país no mundo em número de doadores, com 5.509.540 pessoas cadastradas no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), a chance de encontrar uma medula compatível é de uma em 100 mil. No Pará, apesar de haver 123.903 doadores cadastrados, 338 pessoas ainda aguardam por alguém compatível.

Para doar medula óssea, é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade, estar em bom estado geral de saúde e não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue. O interessado deve  ir até o hemocentro mais próximo, assinar um Termo de Consentimento Livre, autorizando a realização do exame de compatibilidade.

Após o cadastro e a coleta de sangue, o resultado será examinado para as devidas identificações genéticas, que serão incluídas no Redome. As informações genéticas serão cruzadas com os dados dos pacientes e, quando houver alguém compatível, em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, outros exames serão solicitados.

Em Belém, interessados podem entrar em contato com a Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Pará (Hemopa), que fica na Travessa Padre Eutíquio, nº 2109, bairro Batista Campos, e atende no número (91) 3110-6500.

 

Serviço:

Cadastro para doação de medula óssea

Hemopa: Travessa Padre Eutíquio, nº 2109, bairro Batista Campos.

Telefone: (91) 3110-6500

Pará
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