MENU

BUSCA

Jovem aprovada em 1º lugar em Direito na UFPA relata ameaças e ataques preconceituosos nas redes

Olivia Natalina, de 18 anos, ingressou na universidade pelo Processo Seletivo Especial Indígena e Quilombola

Hannah Franco

A jovem Olivia Natalina, de 18 anos, aprovada em 1º lugar no curso de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA) pelo Processo Seletivo Especial (PSE) Indígena e Quilombola 2026, passou a sofrer ataques preconceituosos, ofensas pessoais e ameaças de morte nas redes sociais após compartilhar um vídeo comemorando a conquista ao lado do pai.

Natural de Baião, no nordeste do Pará, Olívia é liderança quilombola e filha de trabalhadores rurais. Segundo a estudante, as mensagens de ódio foram enviadas diretamente a ela, com linguagem violenta e intimidações explícitas.

VEJA MAIS

Após horas de espera no rádio, estudante de 18 anos comemora aprovação em Biologia na UFPA
A aprovação na UFPA, no entanto, não foi a primeira conquista acadêmica de Laura

Foco, planejamento e persitência: belenense 1º lugar em Medicina dá dicas para o vestibular
Camille Azevedo, de 17 anos, foi 1º lugar geral em Medicina pela UFPA, Uepa e Unifap. Ela acredita que o bom resultado é reflexo de uma rotina intensa de estudos, disciplina e, sobretudo, cuidado com a saúde mental

Apesar da repercussão positiva do vídeo em diversas partes do Brasil, Olivia afirma que também foi alvo de comentários preconceituosos e ofensivos. Diante da gravidade das mensagens, a jovem informou que todas as ameaças foram registradas e documentadas, e que um boletim de ocorrência já foi formalizado.

Em nota pública divulgada nas redes sociais, Olívia repudiou os ataques e reforçou que não aceitará a normalização da violência. “O impacto positivo que o vídeo teve em todo o Brasil não justifica a enxurrada de comentários ofensivos e preconceituosos que recebi. Embora as discordâncias sejam legítimas, ofensas, difamação, racismo e ameaças são crimes e não serão tolerados. Todas as ameaças foram devidamente registradas e documentadas”, afirmou.

A estudante também destacou que sua aprovação não é fruto de privilégios, mas do direito ao acesso à educação. “Como jovem quilombola e filha de trabalhadores, sou fruto da luta e da resistência do meu povo. O espaço que hoje ocupo não é um favor, mas um direito conquistado”, declarou.

Ao final da nota, Olívia reafirmou que seguirá firme diante das tentativas de intimidação. “Não me calarei diante do racismo, da violência e das tentativas de silenciamento. Seguiremos ocupando, resistindo e avançando”, concluiu.

Confira o vídeo que gerou repercussão:


Leia a nota na íntegra

"Venho por meio desta nota expressar minha indignação e repúdio às ofensas, ataques pessoais e ameaças, incluindo ameaças de morte, que surgiram após a publicação de um vídeo ao lado de meu pai, no qual compartilhei minha trajetória e a alegria da minha aprovação em primeiro lugar no curso de Direito da UFPA, através do PROCESSO SELETIVO ESPECIAL 2026-I/Q EDITAL N° 02/2025-COPERPS, de 11 de agosto de 2025-PSE-I/Q 2026.

O impacto positivo que o vídeo teve em todo o Brasil não justifica a enxurrada de comentários ofensivos e preconceituosos que recebi. Embora as discordâncias sejam legítimas, ofensas, difamação, racismo e ameaças são crimes e não serão tolerados. Todas as ameaças foram devidamente registradas e documentadas.

Informo que um boletim de ocorrência já foi registrado, e estou reunindo todas as evidências necessárias para buscar meus direitos, utilizando os meios legais cabíveis. Se as agressões persistirem, não hesitarei em entrar com um processo judicial contra os responsáveis.

Como jovem quilombola e filha de trabalhadores, sou fruto da luta e resistência do meu povo. O espaço que hoje ocupo não é um favor, mas um direito conquistado. Não me calarei diante do racismo, da violência e das tentativas de silenciamento. Seguiremos ocupando, resistindo e avançando."